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02/06/2003

   
 
Fotos: Edu Lopes
Simone Spoladore: “As pessoas ficam sabendo mais sobre mim me vendo trabalhar do que quando falo”
Fotos: Edu Lopes
“Sou capaz de passar um jantar inteiro muda, se não conheço as pessoas. Em festas, então, é um terror’’ Simone Spoladore
Fotos: Edu Lopes
Namorada do diretor Luiz Fernando Carvalho, Simone Spoladore trabalhou com ele no filme Lavoura Arcaica,
na minissérie Os Maias
e na novela Esperança

 

Carreira
Simone Spoladore
A atriz curitibana, considerada uma das melhores da nova geração, começou como bailarina, descreve-se como tímida e estrela Desmundo, seu primeiro papel principal no cinema

Mariane Morisawa

 

Na sua estréia no cinema, como a Ana de Lavoura Arcaica, a atriz Simone Spoladore não dizia uma palavra. Expressava-se por olhares, gestos e dança do ventre, que a bailarina clássica teve de aprender para o filme de Luiz Fernando Carvalho. Na vida real, não é muito diferente. Simone fala pouco e pensa antes de proferir frases. É muito tímida. “Sou capaz de passar um jantar inteiro muda, se não conheço
as pessoas. Em festas, então, é um terror”, ela conta. Mas não vê paradoxo. “Se sou tímida, tendo a observar mais.
Isso é bom para um ator”, diz.

Essa timidez nunca atrapalhou no trabalho. Aos 24 anos, Simone é respeitada como uma das melhores atrizes de sua geração. Depois de Lavoura Arcaica, ela brilhou na minissérie Os Maias e na novela Esperança, também dirigidas por Luiz Fernando Carvalho – seu namorado na vida real. Está estreando Desmundo, de Alain Fresnot, na pele de Oribela, uma adolescente portuguesa do século 16 que é mandada à colônia para se casar e se rebela. Como a personagem, Simone é descrita como voluntariosa pela mãe, Rubia. “Ela chamava os meninos para a briga. Quando tinha 5 anos, cismou com um chapéu. Não teve jeito, lá ia com o chapéu para todo lado”, conta.

Filha de bancários, a atriz nasceu em Curitiba e tem duas irmãs mais novas. A carreira artística começou no balé, aos 6 anos de idade. Aos 13, resolveu fazer teatro como auxílio à dança e acabou se apaixonando. Apesar da pouca idade, sempre teve a confiança dos pais. “Na primeira vez que cheguei às 2h da manhã, minha mãe ficou preocupada. Mas depois relaxou”, conta Simone, que garante sempre ter conversado com a família sobre tudo. “Mas nunca tive interesse por drogas, por exemplo. Não experimentei porque não tenho vontade”, diz.

Aos 18 anos, ela se mudou para São Paulo. “Era angustiante ficar na cidade, sozinha, sem perspectiva. Estava quase voltando”, conta ela. Não fosse sua força de vontade, talvez acabasse voltando mesmo. Ela ficou sabendo dos testes para Lavoura Arcaica, mas não tinha sido inscrita. Deixou a timidez de lado e resolveu levar um currículo. Encantou o diretor imediatamente: “Quando deparei com a Simone, não tive dúvidas. Interrompi imediatamente os testes. Minha impressão era a de estar diante de uma linguagem nova de atuação”. Foram seis meses de ensaio, que incluíram aulas de dança do ventre, trabalho na lavoura e ordenha de vacas.

Também foi pelas mãos de Luiz Fernando a estréia na televisão, em Os Maias. Apesar das dificuldades que a minissérie enfrentou, a moça de olhos melancólicos chamou a atenção. No ano passado, fez sua primeira novela, Esperança. Sofreu como a espevitada Caterina. “Quando ela perdeu o filho, fiquei sem dormir três dias. Só agora estou aprendendo a me distanciar dos personagens”, diz. Por causa dos cachos que a italiana precisava ter, fez quatro permanentes no cabelo. Os estragos foram eliminados com um corte que deixou Simone pela primeira vez com cabelos curtos. É assim que ela aparece em A Peça sobre o Bebê, em cartaz em São Paulo. Por conta do teatro, a atriz tem se dividido entre a capital paulista e o Rio de Janeiro, onde mora, perto do namorado. Mas esse é um assunto que não gosta de discutir. “As pessoas ficam sabendo mais sobre mim me vendo trabalhar do que quando falo”, diz ela. Por enquanto, casar não está nos planos, muito menos ter filhos. O sonho é atuar numa peça que queira muito. E se acostumar a ser mais carioca. “Eu me sinto turista. Ainda estou aprendendo a ir à praia”, diz. Como Oribela, Simone Spoladore há de se acomodar na terra nova.

Agradecimentos: G, Lupo, Lygia & Nanny, Bailarina, Bureaux Paulista Locação: Company Ballet (tel. 11 5055-7666)

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