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Na
sua estréia no cinema, como a Ana de Lavoura Arcaica,
a atriz Simone Spoladore não dizia uma palavra. Expressava-se
por olhares, gestos e dança do ventre, que a bailarina clássica
teve de aprender para o filme de Luiz Fernando Carvalho. Na vida
real, não é muito diferente. Simone fala pouco e pensa
antes de proferir frases. É muito tímida. “Sou
capaz de passar um jantar inteiro muda, se não conheço
as pessoas. Em festas, então, é um terror”,
ela conta. Mas não vê paradoxo. “Se sou tímida,
tendo a observar mais.
Isso é bom para um ator”, diz.
Essa
timidez nunca atrapalhou no trabalho. Aos 24 anos, Simone é
respeitada como uma das melhores atrizes de sua geração.
Depois de Lavoura Arcaica, ela brilhou na minissérie
Os Maias e na novela Esperança, também
dirigidas por Luiz Fernando Carvalho – seu namorado na vida
real. Está estreando Desmundo, de Alain Fresnot, na
pele de Oribela, uma adolescente portuguesa do século 16
que é mandada à colônia para se casar e se rebela.
Como a personagem, Simone é descrita como voluntariosa pela
mãe, Rubia. “Ela chamava os meninos para a briga. Quando
tinha 5 anos, cismou com um chapéu. Não teve jeito,
lá ia com o chapéu para todo lado”, conta.
Filha
de bancários, a atriz nasceu em Curitiba e tem duas irmãs
mais novas. A carreira artística começou no balé,
aos 6 anos de idade. Aos 13, resolveu fazer teatro como auxílio
à dança e acabou se apaixonando. Apesar da pouca idade,
sempre teve a confiança dos pais. “Na primeira vez
que cheguei às 2h da manhã, minha mãe ficou
preocupada. Mas depois relaxou”, conta Simone, que garante
sempre ter conversado com a família sobre tudo. “Mas
nunca tive interesse por drogas, por exemplo. Não experimentei
porque não tenho vontade”, diz.
Aos
18 anos, ela se mudou para São Paulo. “Era angustiante
ficar na cidade, sozinha, sem perspectiva. Estava quase voltando”,
conta ela. Não fosse sua força de vontade, talvez
acabasse voltando mesmo. Ela ficou sabendo dos testes para Lavoura
Arcaica, mas não tinha sido inscrita. Deixou a timidez
de lado e resolveu levar um currículo. Encantou o diretor
imediatamente: “Quando deparei com a Simone, não tive
dúvidas. Interrompi imediatamente os testes. Minha impressão
era a de estar diante de uma linguagem nova de atuação”.
Foram seis meses de ensaio, que incluíram aulas de dança
do ventre, trabalho na lavoura e ordenha de vacas.
Também
foi pelas mãos de Luiz Fernando a estréia na televisão,
em Os Maias. Apesar das dificuldades que a minissérie
enfrentou, a moça de olhos melancólicos chamou a atenção.
No ano passado, fez sua primeira novela, Esperança.
Sofreu como a espevitada Caterina. “Quando ela perdeu o filho,
fiquei sem dormir três dias. Só agora estou aprendendo
a me distanciar dos personagens”, diz. Por causa dos cachos
que a italiana precisava ter, fez quatro permanentes no cabelo.
Os estragos foram eliminados com um corte que deixou Simone pela
primeira vez com cabelos curtos. É assim que ela aparece
em A Peça sobre o Bebê, em cartaz em São
Paulo. Por conta do teatro, a atriz tem se dividido entre a capital
paulista e o Rio de Janeiro, onde mora, perto do namorado. Mas esse
é um assunto que não gosta de discutir. “As
pessoas ficam sabendo mais sobre mim me vendo trabalhar do que quando
falo”, diz ela. Por enquanto, casar não está
nos planos, muito menos ter filhos. O
sonho é atuar numa peça que queira muito. E se acostumar
a ser mais carioca. “Eu me sinto turista. Ainda estou aprendendo
a ir à praia”, diz. Como Oribela, Simone Spoladore
há de se acomodar na terra nova. 
Agradecimentos:
G, Lupo, Lygia & Nanny, Bailarina, Bureaux Paulista Locação: Company
Ballet (tel. 11 5055-7666)
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