20 de dezembro de 1999
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Saúde

O mestre dos estudos da mente
O psiquiatra Wagner Gattaz monta um dos mais avançados laboratórios em estudos do cérebro do mundo

Cesar Guerrero

Foto: Rogério Albuquerque

Depois de 18 anos fora do País, ele voltou em 1996 e encontrou, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), um instituto de psiquiatria com excelente material humano. Faltava um laboratório avançado para desenvolver pesquisas e formar uma geração de neurocientistas brasileiros. Wagner Gattaz, 48 anos, bateu de porta em porta e conseguiu R$ 2 milhões da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A verba foi suficiente para importar equipamentos da Europa, Estados Unidos e Japão em menos de um ano e montar, no Hospital das Clínicas, em São Paulo, um laboratório de 300 metros quadrados, equipado para mapear neurônios.

Envie esta página para um amigoA sala de neurociências reflete com absoluta fidelidade o sonho de Gattaz, chefe do Departamento de Psiquiatria da faculdade e idealizador do projeto do laboratório. "É um reforço tecnológico na pesquisa dos males que atacam o cérebro", diz. Wagner quer, por exemplo, ter condições de detectar, estudar e tratar males como o de Alzheimer, doença degenerativa que ataca o sistema neurológico e que atinge 5% dos brasileiros com mais de 60 anos de idade e 20% dos que ultrapassam 80 anos.
Paulista de São José do Rio Preto, ele se formou em Medicina e foi parar na Alemanha, onde conseguiu bolsa de estudos na Universidade de Heidelberg. Rompeu a barreira da língua e concluiu o doutorado e a livre-docência. Deu aulas em Heidelberg e, em 1990, acabou se casando com uma alemã, Gabrieli, com quem tem dois filhos, Moritz, de 6 anos, e Leonardo, 4. Wagner acostumou-se a trabalhar com tecnologia de ponta durante os 16 anos em que dirigiu o Instituto Central de Saúde Mental e a Unidade de Neurobiologia da Universidade de Heidelberg, um dos centros de excelência em medicina da Europa, localizado a 70 quilômetros de Frankfurt. "Minha equipe de pesquisa na área de neurobiologia dos transtornos mentais era uma das mais produtivas da Alemanha", diz. Segundo o Institute For Scientific Information de Filadélfia (EUA), Wagner produziu 200 artigos e capítulos de livros que foram citados 1.200 vezes na literatura científica internacional. "Faremos uma ótima equipe que produzirá estudos de primeiro mundo", diz.

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