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Saúde
O mestre
dos estudos da mente
O psiquiatra Wagner Gattaz monta um dos mais
avançados laboratórios em estudos do cérebro
do mundo
Cesar Guerrero
| Foto: Rogério
Albuquerque |
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Depois de 18
anos fora do País, ele voltou em 1996 e encontrou, na Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), um instituto
de psiquiatria com excelente material humano. Faltava um laboratório
avançado para desenvolver pesquisas e formar uma geração
de neurocientistas brasileiros. Wagner Gattaz, 48 anos, bateu de
porta em porta e conseguiu R$ 2 milhões da Fundação
de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
A verba foi suficiente para importar equipamentos da Europa, Estados
Unidos e Japão em menos de um ano e montar, no Hospital das
Clínicas, em São Paulo, um laboratório de 300
metros quadrados, equipado para mapear neurônios.
A
sala de neurociências reflete com absoluta fidelidade o sonho
de Gattaz, chefe do Departamento de Psiquiatria da faculdade e idealizador
do projeto do laboratório. "É um reforço
tecnológico na pesquisa dos males que atacam o cérebro",
diz. Wagner quer, por exemplo, ter condições de detectar,
estudar e tratar males como o de Alzheimer, doença degenerativa
que ataca o sistema neurológico e que atinge 5% dos brasileiros
com mais de 60 anos de idade e 20% dos que ultrapassam 80 anos.
Paulista de São José do Rio Preto, ele se formou em
Medicina e foi parar na Alemanha, onde conseguiu bolsa de estudos
na Universidade de Heidelberg. Rompeu a barreira da língua
e concluiu o doutorado e a livre-docência. Deu aulas em Heidelberg
e, em 1990, acabou se casando com uma alemã, Gabrieli, com
quem tem dois filhos, Moritz, de 6 anos, e Leonardo, 4. Wagner acostumou-se
a trabalhar com tecnologia de ponta durante os 16 anos em que dirigiu
o Instituto Central de Saúde Mental e a Unidade de Neurobiologia
da Universidade de Heidelberg, um dos centros de excelência
em medicina da Europa, localizado a 70 quilômetros de Frankfurt.
"Minha equipe de pesquisa na área de neurobiologia dos
transtornos mentais era uma das mais produtivas da Alemanha",
diz. Segundo o Institute For Scientific Information de Filadélfia
(EUA), Wagner produziu 200 artigos e capítulos de livros
que foram citados 1.200 vezes na literatura científica internacional.
"Faremos uma ótima equipe que produzirá estudos
de primeiro mundo", diz.
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