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Música - MPB
Voadeira
Mônica Salmaso mostra virtuosismo e contenção
em terceiro CD
Aluízio Falcão
Uma
cantora seletiva, muito apreciada por músicos e críticos.
Este perfil distancia Mônica Salmaso do gosto médio
e inibe um alcance maior do seu trabalho. Ela parece não
ligar para isso. Em seu novo CD, Voadeira, mantém e até
aprofunda o conceito que norteou os dois discos anteriores. Louve-se
a direção musical dela mesma e de Rodolfo Stroeter.
Com pequenas formações e músicos de ótimo
nível, chegaram a um resultado primoroso.
O melhor momento
está na faixa "Senhorinha": timbre preciso da cantora,
violão nota mil de Bellinati, belos versos de Paulinho Pinheiro,
linda e surpreendentemente descomplicada melodia de Guinga. Pena
que ela não repita a letra, como fez na regravação
caprichosa, porém sem novidades, de "Cara de Índio".
Quando canta "Beradêro", apenas com baixo acústico,
a cantora esbanja excelência. "Neguinho do pastoreio",
parceria de Joyce e Silvia Sangirardi, é outro presente de
sua voz.
A voz de Mônica
é um instrumento. Mas, envolvida com as melodias, trata as
letras com um distanciamento que deixa o disco à beira da
linearidade. Ela trava o sentimento e privilegia a virtuosidade.
Falta-lhe uma certa emoção brasileira, mesmo no samba
"Ilu-Ayê" ou no "Dançapé",
interessante louvação da cultura popular. Em 15 faixas,
há dez regravações, o que é exagerado
e pouco revelador. Espera-se de uma cantora premiada e nova que
divulgue compositores de talento e sem a merecida notoriedade.
Bonito, mas para poucos
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