20 de dezembro de 1999
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Livros - Turismo

Postais por Escrito
Publicitário lança o segundo livro com relatos pessoais de viagens

Luiz Octávio de Lima Camargo

Foto: Rogério Alburquerque

Que tal viajar pelo mundo, escolhendo os endereços mais requintados e inusitados, com a necessária infra-estrutura de planejamento das viagens, ser sempre bem recebido e, ainda, pago por isso? Esta profissão existe, não é um sonho. Veja o publicitário Ricardo Freire, autor de Postais por Escrito (Mandarim, 160 págs., R$ 19) - depois do sucesso de Viaje na Viagem, de 1998 -, com impressões epidérmicas (escritas ainda no calor da viagem) sobre diferentes endereços turísticos badalados e não badalados em todo o mundo.

Antes de roer o pé da mesa de inveja, é importante saber que o turista profissional deve ter qualidades especiais: sem ser geógrafo, precisa de preparo para apreciar novas paisagens; sem ser etnólogo, deve saber que um lugar, mais que da paisagem, é feito de pessoas que importa conhecer; sem o título de pedagogo, deve de alguma forma educar-se para essa tríplice mudança de paisagem, ritmo e estilo de vida que resume a experiência turística.

Pode-se dizer que Ricardo Freire dá conta de tudo isso e, o que é melhor, de forma leve, descontraída e despretensiosa. Ainda que a obra seja desigual - o que é inevitável em livros compostos de artigos isolados -, consegue manter permanente o interesse do leitor. Da primeira parte - viagem ao Oriente - o capítulo sobre Jodhpur (Índia) mostra suas qualidades de narrador, conseguindo equilibrar-se no humor necessário diante do inusitado, sem ridicularizar.

Da parte sobre Europa e Norte da África, destaca-se o capítulo sobre Casablanca (Marrocos), pela forma original com que o autor comprova uma das máximas do viajante - o estado de espírito do turista importa mais do que a originalidade do local visitado. Do Brasil, fica a forma criativa como Freire interpretou a provinciana disputa entre paulistanos e cariocas. Como ele bem ilustra, o Rio é, de longe, a melhor solução turística para paulistanos e estes podem e devem ser os principais financiadores da infra-estrutura turística do Rio. Quem gosta de viajar, pode se enriquecer com impressões de viagem tão pessoais e originais. Quem não gosta, pode, como o próprio autor sugere no título, viajar pelos seus postais. Aliás, muito antes do Kid Abelha, já se sabe que nada há de errado em conhecer o mundo através de postais.
Prepare as malas

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