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Livros - Turismo
Postais por
Escrito
Publicitário lança o segundo livro com relatos
pessoais de viagens
Luiz Octávio
de Lima Camargo
Foto: Rogério
Alburquerque
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Que tal viajar
pelo mundo, escolhendo os endereços mais requintados e inusitados,
com a necessária infra-estrutura de planejamento das viagens,
ser sempre bem recebido e, ainda, pago por isso? Esta profissão
existe, não é um sonho. Veja o publicitário
Ricardo Freire, autor de Postais por Escrito (Mandarim, 160 págs.,
R$ 19) - depois do sucesso de Viaje na Viagem, de 1998 -, com impressões
epidérmicas (escritas ainda no calor da viagem) sobre diferentes
endereços turísticos badalados e não badalados
em todo o mundo.
Antes de roer
o pé da mesa de inveja, é importante saber que o turista
profissional deve ter qualidades especiais: sem ser geógrafo,
precisa de preparo para apreciar novas paisagens; sem ser etnólogo,
deve saber que um lugar, mais que da paisagem, é feito de
pessoas que importa conhecer; sem o título de pedagogo, deve
de alguma forma educar-se para essa tríplice mudança
de paisagem, ritmo e estilo de vida que resume a experiência
turística.
Pode-se dizer
que Ricardo Freire dá conta de tudo isso e, o que é
melhor, de forma leve, descontraída e despretensiosa. Ainda
que a obra seja desigual - o que é inevitável em livros
compostos de artigos isolados -, consegue manter permanente o interesse
do leitor. Da primeira parte - viagem ao Oriente - o capítulo
sobre Jodhpur (Índia) mostra suas qualidades de narrador,
conseguindo equilibrar-se no humor necessário diante do inusitado,
sem ridicularizar.
Da parte sobre
Europa e Norte da África, destaca-se o capítulo sobre
Casablanca (Marrocos), pela forma original com que o autor comprova
uma das máximas do viajante - o estado de espírito
do turista importa mais do que a originalidade do local visitado.
Do Brasil, fica a forma criativa como Freire interpretou a provinciana
disputa entre paulistanos e cariocas. Como ele bem ilustra, o Rio
é, de longe, a melhor solução turística
para paulistanos e estes podem e devem ser os principais financiadores
da infra-estrutura turística do Rio. Quem gosta de viajar,
pode se enriquecer com impressões de viagem tão pessoais
e originais. Quem não gosta, pode, como o próprio
autor sugere no título, viajar pelos seus postais. Aliás,
muito antes do Kid Abelha, já se sabe que nada há
de errado em conhecer o mundo através de postais.
Prepare as malas
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