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Livros - Romance
Amsterdam
Humor ácido britânico dá o tom do ótimo livro
de Ian McEwan
Antonio Querino
Neto
Tratando
com ironia os dilemas éticos da geração que
atingiu a maturidade nesses últimos anos da década
de 90, o britânico Ian McEwan - autor de O Inocente, Cães
Negros e Último Sacramento & Entre Lençóis
- monta uma envolvente trama psicológica no romance Amsterdam
(Rocco, 184 págs., R$ 19,50). Tudo gira em torno da amizade
entre Clive e Vernon, que se encontram no velório de Molly,
que foi amante de ambos e faleceu de uma doença fulminante.
O escritor inicia
pintando com cores cômicas esse evento, comparando-o com o
clima cínico e fútil de uma badalada reunião
social. Clive é um compositor solitário, contratado
para produzir a "Sinfonia do Milênio", que deverá
ser executada em Amsterdam. Vernon é editor de um jornal
sensacionalista que usa métodos um tanto quanto canalhas
para tirar sua publicação da crise. Molly era casada
com o possessivo George, um dos acionistas do tablóide, que
oferece um furo ao editor: publicar fotos que possui de Julian Garmond,
um político demagogo e ultradireitista, vestido de mulher!
As fotos comprometedoras foram tiradas por Molly, que também
foi amante do político prestes a se tornar primeiro-ministro.
Clive e Vernon
se revelam desumanos: o compositor testemunha um crime sem ajudar
a vítima para não perturbar sua "concentração
criativa" e Vernon só pensa nas cifras e tiragens de
seu jornal. Um pacto de morte selado entre os dois dará o
tom do trágico desenlace da trama. Dissertando sobre teoria
musical e os preconceitos da imprensa "marrom" (um tema
inglês), McEwan constrói um seco e cruel quadro da
hipocrisia do nosso tempo.
Relações perigosas
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