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Cinema - Aventura
Joana d'Arc
de Luc Besson
Mito francês ganha enfoque original em superprodução
Geraldo Mayrink
Foto: Reprodução
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Por mais que
desmentissem depois, nunca houve uma mulher como Joana, heroína
francesa. Ela mesma, Joana d'Arc (1412-1430). Guerreira, analfabeta
e mística, falava com Deus e dizia-se mensageira Dele e de
sua ordem para que expulsasse os ingleses que dominavam sua pátria.
Morreu na fogueira aos 18 anos e seu martírio seduziu o mundo.
Todo mundo conhece e reverencia a história contada em Joana
d'Arc de Luc Besson com vários enfoques. Desde o terror psicológico
de Martírio de Joana d'Arc (1927), de Carl Dreyer, que enlouqueceu
(literalmente) sua intérprete, a atriz Maria Falconetti,
ao glamour piedoso que ajudou a entronizar Ingrid Bergman em Joana
d'Arc (1948), de Victor Fleming.
Portanto, quem
pensa que já viu este filme, já viu mesmo, mas note-se
a novidade do enfoque: chegou a hora de canonizar Joana numa santidade
espetacular. O diretor Luc Besson (Nikita, O Quinto Elemento), que
nunca se conformou que o fato de ser francês pudesse impedi-lo
de peitar Steven Spielberg ou James Cameron, caprichou num enredo
que talvez arrepie os cabelos dos mais ortodoxos fiéis da
santa. Em muitos momentos, ela parece mais uma louca furiosa. Seu
filme se abre musicalmente, com a pequena Joana correndo pelas campinas
de braços abertos, como se fosse Julie Andrews cantando "The
Sound of Music", depois evolui para o puro terror, com nuvens
estranhas no céu e lobos de olhos faiscantes. Segue-se a
ascensão em palácios e campos de batalha onde rolam
cabeças e ela (a sempre linda Milla Jovovich, ex-esposa do
diretor e estrela de O Quinto Elemento) brilha com sua armadura
prateada, fazendo milagres para espanto de um elenco fabuloso (John
Malkovich, Dustin Hoffman e Faye Dunaway). Todos unidos num espetáculo
pagão, bom de ver e muito pouco católico. Santa guerreira
Ping-Pong
Milla
Jovovich
Foi difícil
ser dirigida por seu ex-marido, Luc Besson?
Eu e Luc nos conhecemos muito tempo antes do casamento. E nos compreendemos
de maneira incrível, seja emocional ou artisticamente. Gostamos
muito de estar juntos, passamos o tempo todo trocando idéias
e rindo um do outro.
E como foi
trabalhar com todos aqueles homens a sua volta?
Foi ótimo! Tive quatro meses de treinamento com meu cavalo
e a armadura. Os rapazes não tiveram tanto tempo. Eles mal
conseguiam fazer o que eu fazia galopando. Foi ótimo dar
um banho naquele bando de marmanjos.
Você
embarcou em três carreiras diferentes: qual a mais importante?
São galhos da mesma árvore. Ser modelo foi uma boa
maneira de me sustentar, o que me garante não ter de fazer
um filme atrás do outro, sem me preocupar se são bons
ou não. E também me possibilita desenvolver minha
carreira musical. Não me vejo fazendo muito dinheiro com
minha música. O contrato com a L'Oréal me garante
sustento: sobra-me tempo para fazer minha música e meus filmes.
Quando criança,
o que sonhava ser: atriz, cantora ou modelo?
Ser atriz. Minha mãe era atriz na Rússia. Nada mais
natural que seguisse os seus passos.
(Wladimir Weltman,
de Los Angeles)
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