20 de dezembro de 1999
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Joana d'Arc de Luc Besson
Mito francês ganha enfoque original em superprodução

Geraldo Mayrink

Foto: Reprodução

Por mais que desmentissem depois, nunca houve uma mulher como Joana, heroína francesa. Ela mesma, Joana d'Arc (1412-1430). Guerreira, analfabeta e mística, falava com Deus e dizia-se mensageira Dele e de sua ordem para que expulsasse os ingleses que dominavam sua pátria. Morreu na fogueira aos 18 anos e seu martírio seduziu o mundo. Todo mundo conhece e reverencia a história contada em Joana d'Arc de Luc Besson com vários enfoques. Desde o terror psicológico de Martírio de Joana d'Arc (1927), de Carl Dreyer, que enlouqueceu (literalmente) sua intérprete, a atriz Maria Falconetti, ao glamour piedoso que ajudou a entronizar Ingrid Bergman em Joana d'Arc (1948), de Victor Fleming.

Portanto, quem pensa que já viu este filme, já viu mesmo, mas note-se a novidade do enfoque: chegou a hora de canonizar Joana numa santidade espetacular. O diretor Luc Besson (Nikita, O Quinto Elemento), que nunca se conformou que o fato de ser francês pudesse impedi-lo de peitar Steven Spielberg ou James Cameron, caprichou num enredo que talvez arrepie os cabelos dos mais ortodoxos fiéis da santa. Em muitos momentos, ela parece mais uma louca furiosa. Seu filme se abre musicalmente, com a pequena Joana correndo pelas campinas de braços abertos, como se fosse Julie Andrews cantando "The Sound of Music", depois evolui para o puro terror, com nuvens estranhas no céu e lobos de olhos faiscantes. Segue-se a ascensão em palácios e campos de batalha onde rolam cabeças e ela (a sempre linda Milla Jovovich, ex-esposa do diretor e estrela de O Quinto Elemento) brilha com sua armadura prateada, fazendo milagres para espanto de um elenco fabuloso (John Malkovich, Dustin Hoffman e Faye Dunaway). Todos unidos num espetáculo pagão, bom de ver e muito pouco católico. Santa guerreira


Ping-Pong

Milla Jovovich

Foi difícil ser dirigida por seu ex-marido, Luc Besson?
Eu e Luc nos conhecemos muito tempo antes do casamento. E nos compreendemos de maneira incrível, seja emocional ou artisticamente. Gostamos muito de estar juntos, passamos o tempo todo trocando idéias e rindo um do outro.

E como foi trabalhar com todos aqueles homens a sua volta?
Foi ótimo! Tive quatro meses de treinamento com meu cavalo e a armadura. Os rapazes não tiveram tanto tempo. Eles mal conseguiam fazer o que eu fazia galopando. Foi ótimo dar um banho naquele bando de marmanjos.

Você embarcou em três carreiras diferentes: qual a mais importante?
São galhos da mesma árvore. Ser modelo foi uma boa maneira de me sustentar, o que me garante não ter de fazer um filme atrás do outro, sem me preocupar se são bons ou não. E também me possibilita desenvolver minha carreira musical. Não me vejo fazendo muito dinheiro com minha música. O contrato com a L'Oréal me garante sustento: sobra-me tempo para fazer minha música e meus filmes.

Quando criança, o que sonhava ser: atriz, cantora ou modelo?
Ser atriz. Minha mãe era atriz na Rússia. Nada mais natural que seguisse os seus passos.

(Wladimir Weltman, de Los Angeles)
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