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26/05/2003

   
 
“O futebol servia para tirar o Robinho da rua. Nem esperava que ele fosse ser jogador profissional”, diz o pai Gilvan de Souza. O drible que virou marca registrada na final do Campeonato Brasileiro
Piti Reali
Gilvan e a esposa Marina
Reprodução
Robinho disputando
um torneio de
futebol de salão

 

Futebol / Robinho
O herdeiro de Pelé
A jogador do Santos, que acaba de comprar
seu primeiro carro com o próprio dinheiro, um Audi, e cuja mãe era empregada doméstica
até o final do ano passado, tem o passe
avaliado em R$ 105 milhões

Jonas Furtado

 
Raphael Falavigna
“Ele nunca quis ganhar carrinho, brinquedo,
nada. Era só bola de futebol”,
lembra Marina, mãe de Robinho
Se uma das maiores revelações do futebol brasileiro nos últimos tempos fosse avaliada por seu tamanho, o valor com certeza ficaria bem abaixo dos R$ 105 milhões, cifra estimada de seu passe. Mas Róbson de Souza, 60 quilos, 1,72 metro de altura, não vale quanto pesa. O jogador sensação do Santos vale muito mais. Tanto por seu talento desconcertante com a bola, que a cada dia conquista mais admiradores – até de torcedores rivais –, quanto pela alegria com que parece encarar a vida. Depois de sair da periferia de São Vicente, no litoral sul de São Paulo, para conquistar o Brasil, o craque de 19 anos ainda mantém no rosto o mesmo sorriso do menino que só pensava em brincar de bola. “Robinho sempre teve esse jeito de peraltinha, não mudou nada. Nunca vi ele de cara triste, com ou sem dinheiro”, conta a mãe Marina de Souza, 42 anos.

As façanhas dentro de campo elevaram a popularidade de Robinho a ponto de conferir-lhe a condição de astro e mudar seu padrão de vida, embora ainda não tenham sido suficientes para fazer dele um milionário. Estima-se que, entre salário, direitos de imagem e patrocínio, o jogador do Santos fature algo em torno de R$ 40 mil mensais. Pouco, se comparado com os R$ 150 mil que o são-paulino Kaká embolsa nos mesmos trinta dias. Os ganhos de Robinho, porém, devem alcançar os três dígitos quando ele formalizar o acordo com a Traffic, empresa de marketing esportivo que passará a gerenciar a carreira dele.

Robinho não tem pressa. Embora as cifras envolvendo seu nome disparem em progressão geométrica, o garoto continua a mesma pessoa simples de sempre – a diferença é que agora ele pilota um Audi A3 turbo preto, com 150 cavalos de potência, bancos de couro, teto solar e velocidade máxima de 250 km/h, avaliado em R$ 70 mil. É o primeiro carro que compra com o próprio dinheiro, além de um dos poucos bens que adquiriu para uso pessoal. Filho único responsável, ele prefere dar melhores condições de vida aos pais. Há cinco meses trocaram a periferia de São Vicente por um apartamento classe média próximo à praia, em Santos. Diz que já juntou dinheiro para comprar uma casa e espera apenas que a mãe escolha o imóvel.

A ascensão social trouxe mais luxo à família. Marina agora dedica-se exclusivamente ao lar – até o final do ano passado, quando Robinho foi o grande destaque da decisão do Campeonato Brasileiro, ela ainda trabalhava como empre-
gada doméstica. “Tive de parar, não me sobra mais tempo. É muita correria de televisão, jornal”, explica Marina. O pai, Gilvan de Souza, é encanador da Sabesp, a empresa de águas de São Paulo – emprego que mantém há 22 anos.
Não pára de trabalhar por opção e lembra com orgulho do tempo em que andava a pé para que Robinho tivesse di-
nheiro para ir treinar de ônibus. Nunca teve dúvida de
que todo o sacrifício valeria a pena. “O futebol servia para tirar o Robinho da rua. Nem esperava que ele fosse ser jogador profissional”, revela Gilvan.

Marina, porém, afirma que sempre soube o destino de Robinho. “Ele nunca quis ganhar carrinho, brinquedo, nada. Era só bola de futebol”, lembra a mãe, que tinha uma tática especial para colocar o filho para dormir. “Fazia uma bolinha de jornal e colocava embaixo do travesseiro dele.” Robinho nunca foi um garoto problema – só criava caso quando a
mãe ia buscá-lo na hora do almoço no campinho de terra
do fim da rua onde moravam no Parque Bitaru. O craque diz que as palmadas que levou na infância estão todas associadas a um único motivo: o futebol.

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