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“Ele
nunca quis ganhar carrinho, brinquedo,
nada. Era só bola de futebol”,
lembra Marina, mãe de Robinho |
Se uma
das maiores revelações do futebol brasileiro nos últimos
tempos fosse avaliada por seu tamanho, o valor com certeza ficaria
bem abaixo dos R$ 105 milhões, cifra estimada de seu passe.
Mas Róbson de Souza, 60 quilos, 1,72 metro de altura, não
vale quanto pesa. O jogador sensação do Santos vale
muito mais. Tanto por seu talento desconcertante com a bola, que a
cada dia conquista mais admiradores – até de torcedores
rivais –, quanto pela alegria com que parece encarar a vida.
Depois de sair da periferia de São Vicente, no litoral sul
de São Paulo, para conquistar o Brasil, o craque de 19 anos
ainda mantém no rosto o mesmo sorriso do menino que só
pensava em brincar de bola. “Robinho sempre teve esse jeito
de peraltinha, não mudou nada. Nunca vi ele de cara triste,
com ou sem dinheiro”, conta a mãe Marina de Souza, 42
anos.
As
façanhas dentro de campo elevaram a popularidade de Robinho
a ponto de conferir-lhe a condição de astro e mudar
seu padrão de vida, embora ainda não tenham sido suficientes
para fazer dele um milionário. Estima-se que, entre salário,
direitos de imagem e patrocínio, o jogador do Santos fature
algo em torno de R$ 40 mil mensais. Pouco, se comparado com os R$
150 mil que o são-paulino Kaká embolsa nos mesmos
trinta dias. Os ganhos de Robinho, porém, devem alcançar
os três dígitos quando ele formalizar o acordo com
a Traffic, empresa de marketing esportivo que passará a gerenciar
a carreira dele.
Robinho
não tem pressa. Embora as cifras envolvendo seu nome disparem
em progressão geométrica, o garoto continua a mesma
pessoa simples de sempre – a diferença é que
agora ele pilota um Audi A3 turbo preto, com 150 cavalos de potência,
bancos de couro, teto solar e velocidade máxima de 250 km/h,
avaliado em R$ 70 mil. É o primeiro carro que compra com
o próprio dinheiro, além de um dos poucos bens que
adquiriu para uso pessoal. Filho único responsável,
ele prefere dar melhores condições de vida aos pais.
Há cinco meses trocaram a periferia de São Vicente
por um apartamento classe média próximo à praia,
em Santos. Diz que já juntou dinheiro para comprar uma casa
e espera apenas que a mãe escolha o imóvel.
A ascensão
social trouxe mais luxo à família. Marina agora dedica-se
exclusivamente ao lar – até o final do ano passado,
quando Robinho foi o grande destaque da decisão do Campeonato
Brasileiro, ela ainda trabalhava como empre-
gada doméstica. “Tive de parar, não me sobra
mais tempo. É muita correria de televisão, jornal”,
explica Marina. O pai, Gilvan de Souza, é encanador da Sabesp,
a empresa de águas de São Paulo – emprego que
mantém há 22 anos.
Não pára de trabalhar por opção e lembra
com orgulho do tempo em que andava a pé para que Robinho
tivesse di-
nheiro para ir treinar de ônibus. Nunca teve dúvida
de
que todo o sacrifício valeria a pena. “O futebol servia
para tirar o Robinho da rua. Nem esperava que ele fosse ser jogador
profissional”, revela Gilvan.
Marina,
porém, afirma que sempre soube o destino de Robinho. “Ele
nunca quis ganhar carrinho, brinquedo, nada. Era só bola
de futebol”, lembra a mãe, que tinha uma tática
especial para colocar o filho para dormir. “Fazia uma bolinha
de jornal e colocava embaixo do travesseiro dele.” Robinho
nunca foi um garoto problema – só criava caso quando
a
mãe ia buscá-lo na hora do almoço no campinho
de terra
do fim da rua onde moravam no Parque Bitaru. O craque diz que as
palmadas que levou na infância estão todas associadas
a um único motivo: o futebol.
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