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A
família gasta R$ 3 mil por mês com o
tratamento de Camila, baleada em 1998 |
Nos
últimos quatro anos, Camila Magalhães Lima, 16, trocou
as aulas de natação, ginástica olímpica
e sapateado, o tratamento para ganhar altura e o sonho de virar
modelo por um único objetivo: voltar a andar. Atingida por
um tiro na garganta quando saía da escola, no dia 4 de setembro
de 1998, a estudante passou a viver uma rotina de fisioterapia,
tratamento psiquiátrico e hipoterapia (exercícios
num cavalo), entre outras atividades que reverteram a tetraplegia,
prevista inicialmente, para paralisia. Hoje, ela tem autonomia para,
de cadeira de rodas, ir ao colégio. Pensa em fazer faculdade
de Relações Internacionais, mas não esquece
sua meta principal: “Meus planos para o futuro foram por água
abaixo. Agora, só quero minha reabilitação”.
As
lembranças do dia em que foi baleada continuam vivas. Acostumada
a ser apanhada pelos pais na saída da escola Nossa Senhora
de Lourdes, em Vila Isabel, zona norte, a aluna da 6ª série
do ensino fundamental sairia a pé pela primeira vez para
estudar na casa de uma colega. As amigas caminhavam pelo Boulevard
28 de Setembro, a rua mais movimentada do bairro, quando ladrões
que tentaram assaltar uma joalheria começaram a trocar tiros
com seguranças. “Ouvi um barulho, achei que fossem
fogos e caí no chão com o meu pescoço queimando
de dor”, lembra.
No
mesmo dia, a mãe de Camila, Ana Magalhães Lima, 55
anos, cumpria seu último dia como assessora jurídica
antes de se aposentar. Era o fim, também, dos planos de montar
a empresa de festas infantis. “Virei acompanhante e faço
o que for preciso. Não consigo vê-la na cadeira de
rodas”, diz. De classe média, Ana e o marido, o construtor
Reginaldo da Costa Lima, gastam R$ 3 mil mensais no tratamento da
filha, que inclui viagens a um centro de reabilitação
na Alemanha, quando o dinheiro dá. Ana briga na Justiça
por uma indenização do Estado e dos comerciantes de
Vila Isabel. 
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