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19/05/2003

   
 
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Sonhos interrompidos de Camila
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Os sonhos interrompidos de Camila
Cinco anos depois de levar um tiro na garganta, cadeira de rodas, terapia e reabilitação em vez de natação, ginástica olímpica e sapateado

Luís Edmundo Araújo

 
André Durão
A família gasta R$ 3 mil por mês com o
tratamento de Camila, baleada em 1998

Nos últimos quatro anos, Camila Magalhães Lima, 16, trocou as aulas de natação, ginástica olímpica e sapateado, o tratamento para ganhar altura e o sonho de virar modelo por um único objetivo: voltar a andar. Atingida por um tiro na garganta quando saía da escola, no dia 4 de setembro de 1998, a estudante passou a viver uma rotina de fisioterapia, tratamento psiquiátrico e hipoterapia (exercícios num cavalo), entre outras atividades que reverteram a tetraplegia, prevista inicialmente, para paralisia. Hoje, ela tem autonomia para, de cadeira de rodas, ir ao colégio. Pensa em fazer faculdade de Relações Internacionais, mas não esquece sua meta principal: “Meus planos para o futuro foram por água abaixo. Agora, só quero minha reabilitação”.

As lembranças do dia em que foi baleada continuam vivas. Acostumada a ser apanhada pelos pais na saída da escola Nossa Senhora de Lourdes, em Vila Isabel, zona norte, a aluna da 6ª série do ensino fundamental sairia a pé pela primeira vez para estudar na casa de uma colega. As amigas caminhavam pelo Boulevard 28 de Setembro, a rua mais movimentada do bairro, quando ladrões que tentaram assaltar uma joalheria começaram a trocar tiros com seguranças. “Ouvi um barulho, achei que fossem fogos e caí no chão com o meu pescoço queimando de dor”, lembra.

No mesmo dia, a mãe de Camila, Ana Magalhães Lima, 55 anos, cumpria seu último dia como assessora jurídica antes de se aposentar. Era o fim, também, dos planos de montar a empresa de festas infantis. “Virei acompanhante e faço o que for preciso. Não consigo vê-la na cadeira de rodas”, diz. De classe média, Ana e o marido, o construtor Reginaldo da Costa Lima, gastam R$ 3 mil mensais no tratamento da filha, que inclui viagens a um centro de reabilitação na Alemanha, quando o dinheiro dá. Ana briga na Justiça por uma indenização do Estado e dos comerciantes de Vila Isabel.

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