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foto acima ilustra o livro Carandiru - Registro Geral
(Editora Wide, R$ 84). Com tiragem de cinco mil exemplares,
a obra chega às bancas e principais livrarias do país com um
detalhado relato das filmagens e da produção do filme Carandiru,
fotos e uma longa entrevista com o diretor Hector Babenco. Saiba
mais sobre Registro Geral na próxima edição de
Gente |
Gero
Camilo é um cearense de 32 anos que não assiste à
televisão. Isso aqui é uma luminária,
brinca ele, apontando para o aparelho antigo. E funciona,
mal inclusive, quando procuro notícias. Foi um amigo
quem deixou o objeto na casa dele. Muito por isso, o galã
Rodrigo Santoro era uma figura sem grandes referências para
Gero, que veio a conhecê-lo no final dos anos 90, quando os
dois filmaram Bicho de Sete Cabeças. Na pele do louquinho
Ceará, ele recebeu o título de melhor ator coadjuvante
nos festivais de Recife e
Brasília. Prêmio maior, porém, foi a amizade
de
Rodrigo Santoro. A gente virou irmão, diz Gero.
Em
Carandiru, que em três semanas de exibição
já levou dois milhões de pessoas aos cinemas, Gero
e Rodrigo voltaram a contracenar e fugiram do estereótipo.
Amigos na vida real, os dois são marido e mulher no longa
de Hector Babenco. Nunca tinha beijado homem em cena. Beijar
o Rodrigo não tem um valor, não é o que se
deve discutir. Já o beijo da Lady Di (travesti interpretado
por Santoro) e do Sem Chance (detento vivido por Gero)
é um beijo de todas as bocas e, para alguns, é como
um tapa, diz o ator.
O casamento
profissional dos dois atores pôde ser conferido também
em Abril Despedaçado, para o qual Gero foi indicado
por Santoro. Um casamento lindo, aliás, diz o
ator cearense, que participou ainda de outras grandes produções
nacionais, como Madame Satã e Cidade de Deus.
Gero é um poeta, além de grande amigo. É
um artista de incrível talento que as pessoas não
conhecem, diz Santoro.
Gero
cresceu cercado de primos, num universo lúdico, onde o exercício
da criatividade se dava nas relações familiares
sua avó teve 20 filhos. Era comum ser flagrado pelos tios
no quintal, falando sozinho, imaginando-se um astro. Num almoço
de domingo foi a maior gozação porque me pegaram conversando
com a carnaubeira.
Terceiro
de cinco irmãos, aprendeu pouco na sala de aula. Interessava-se
mais em discutir a estrutura da instituição do que
receber dela o conhecimento. Envolvido em movimentos estudantis,
o ator não fugia das greves. Brigava por acesso à
formação e queria que a escola me favorecesse. Preferia
lutar por uma biblioteca a ficar na sala de aula reclamando do professor
e não conseguir me comunicar com ele, conta.
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gente virou irmão, diz o ator, sobre a amizade
com Rodrigo Santoro. Gero participou de movimento estudantil
e, mesmo almejando a batina, era contrário ao celibato
e simpatizante de Che Guevara |
Gero
já teve de se esconder debaixo de um carro para não
ser preso, mas isso não é tão surpreendente
quanto o fato de ele quase ter sido padre. Queria ser padre
para arranjar confusão, diz. Pobreza, obediência
e castidade eram os votos que tinha de fazer. E o meu grande problema
era: Como vou ser obediente?. Gero era da ala
vermelha da igreja, vestia camisetas de Che Guevara, chinelo, era
contra o celibato e o acúmulo de riqueza pela Igreja.
Com
perfil e caminho traçados e que não negavam
a cidade , Gero relutou em se mudar para São Paulo,
até se interessar pela Escola de Artes Dramáticas,
da Universidade de São Paulo, aos 23. A minha vinda
nada tem a ver com a história do migrante que vai para o
Sul para vencer na vida. Vim atrás de formação.
Ser
aceito, reconhecido como um migrante às avessas não
foi fácil. Estão começando a se acostumar
com a minha entrada em alguns lugares. Já não sinto
muito aquele olhar de estranhamento. Gero sabe que a discriminação
dificulta a aceitação, o reconhecimento de um trabalho,
mas não a alimenta. Não vejo problema em representar
um nordestino. Mas me interessa chegar ao arquétipo e não
ao estereótipo.
Fisicamente
falando, Gero entende os traços de sua estética, nunca
brigou com ela. Eu me acho lindo, diz, aos risos, solteiro
e morando só, de aluguel. Nunca achei que precisasse
ser um Reynaldo Gianecchini para determinar
meu ofício. Ou mesmo um Rodrigo Santoro. 
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