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05/05/2003

   
 
Be-a-bá da esgrima
Há três modalidades: o Florete (a estocada é válida apenas no tronco), a Espada, (estocadas são válidas dos pés à cabeça) e o Sabre (além da estocada são válidos cortes da cintura
para cima)

A esgrima surgiu como esporte na Alemanha em torno de 1350

O equipamento custa em média US$ 1.500,00

Há cerca de 900 esgrimistas no Brasil, onde o esporte chegou no final do século XIX. As competições se oficializaram em 1927

 

Esporte - Élora Pattaro
A dama do sabre sabre de prata
Aos 17 anos, a esgrimista conquista para
o Brasil a primeira medalha em um mundial, treina três horas por dia e diz não saber
se quer cursar faculdade

Fábio Farah

 
Claudio Gatti
“Me olhavam como se eu fosse um ET. O técnico de uma adversária achou que venci só porque meu treinador era biélo-russo’’
Élora Pattaro, sobre o mundial disputado na Itália

Há quatro anos, os planos dela eram jogar futebol. Um passeio de sua mãe a um shopping, em São Paulo, porém, alterou para sempre seus projetos. “Você precisa fazer esgrima”, disse Maria Lúcia à filha após assistir a uma exibição de esgrimistas. “É um esporte maravilhoso.” Élora Pattaro, hoje com 17 anos, só conhecia o esporte por meio de filmes como Zorro e Os Três Mosqueteiros. Achou a idéia extravagante, mas resolveu seguir o conselho materno. Depois do primeiro dia de aula, orgulhosa por acompanhar
os primeiros passos de Élora na arte dos mosqueteiros, sua mãe intimou o técnico biélo-russo Alkhas Lakerbai – atual técnico da esgrimista junto com Serguei Kovaliov: “Faça
da minha filha uma campeã”.

Este mês, Élora entrou para a história do esporte. Conquistou para o Brasil a primeira medalha em um campeonato mundial de esgrima, em Trapani, Itália. Ela ganhou prata na modalidade sabre feminino cadete (categoria até 17 anos). Perdeu apenas para a ucraniana Olena Khomrova. Enquanto sua mãe vibrava de alegria, acompanhando pela internet, o namorado da esportista, também praticante de esgrima, constatava em um chat o preconceito estrangeiro. “É um absurdo uma brasileira pegar segundo lugar em competição de esgrima”, indignou-se um americano acostumado apenas ao talento brasileiro para o futebol. Élora sentiu na pele o que é ser exceção. “Outros competidores me olhavam como se eu fosse um ET”, diz ela. “O técnico de uma adversária achou que eu venci só porque meu treinador era biélo-russo.”

Filha da dona-de-casa Maria Lúcia e do engenheiro eletrônico José Luiz, Élora tem suas viagens em competições internacionais bancadas pelo dinheiro das loterias que é revertido para o Comitê Olímpico Brasileiro. A esgrimista lamenta a situação precária do esporte no País: “A esgrima não é popular no Brasil. Isso significa que não há patrocínio, dependemos de técnicos estrangeiros e os equipamentos são caros porque precisam ser importados”.

Apesar de o País não ter tradição em esgrima – são apenas 900 praticantes – Élora mostrava, já no ano passado, que na ponta do sabre sua estrela brilha. Com 16 anos, numa competição com adultos, ela obteve boa colocação. Seu sonho atual é participar das próximas Olimpíadas de 2004, em Atenas. Para garantir uma vaga, disputará os Jogos Panamericanos, em agosto.

Primeira colocada no ranking brasileiro e estudante do terceiro ano do ensino médio, a esgrimista treina três horas por dia, seis vezes por semana. Com uma rotina cada vez mais voltada para o esporte, o estudo fica em segundo plano. “Gosto de filosofia, mas não sei se cursarei faculdade”, diz Élora, que no momento gosta de discorrer sobre os benefícios da esgrima em sua vida. “O esporte aumenta minha concentração e meus reflexos e me torna uma pessoa mais disciplinada.”

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