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“Me
olhavam como se eu fosse um ET. O técnico de uma adversária
achou que venci só porque meu treinador era biélo-russo’’
Élora Pattaro, sobre o mundial disputado na Itália |
Há
quatro anos, os planos dela eram jogar futebol. Um passeio de sua
mãe a um shopping, em São Paulo, porém, alterou
para sempre seus projetos. “Você precisa fazer esgrima”,
disse Maria Lúcia à filha após assistir a uma
exibição de esgrimistas. “É um esporte
maravilhoso.” Élora Pattaro, hoje com 17 anos, só
conhecia o esporte por meio de filmes como Zorro e Os
Três Mosqueteiros. Achou a idéia extravagante,
mas resolveu seguir o conselho materno. Depois do primeiro dia de
aula, orgulhosa por acompanhar
os primeiros passos de Élora na arte dos mosqueteiros, sua
mãe intimou o técnico biélo-russo Alkhas Lakerbai
– atual técnico da esgrimista junto com Serguei Kovaliov:
“Faça
da minha filha uma campeã”.
Este
mês, Élora entrou para a história do esporte.
Conquistou para o Brasil a primeira medalha em um campeonato mundial
de esgrima, em Trapani, Itália. Ela ganhou prata na modalidade
sabre feminino cadete (categoria até 17 anos). Perdeu apenas
para a ucraniana Olena Khomrova. Enquanto sua mãe vibrava
de alegria, acompanhando pela internet, o namorado da esportista,
também praticante de esgrima, constatava em um chat o preconceito
estrangeiro. “É um absurdo uma brasileira pegar segundo
lugar em competição de esgrima”, indignou-se
um americano acostumado apenas ao talento brasileiro para o futebol.
Élora sentiu na pele o que é ser exceção.
“Outros competidores me olhavam como se eu fosse um ET”,
diz ela. “O técnico de uma adversária achou
que eu venci só porque meu treinador era biélo-russo.”
Filha
da dona-de-casa Maria Lúcia e do engenheiro eletrônico
José Luiz, Élora tem suas viagens em competições
internacionais bancadas pelo dinheiro das loterias que é
revertido para o Comitê Olímpico Brasileiro. A esgrimista
lamenta a situação precária do esporte no País:
“A esgrima não é popular no Brasil. Isso significa
que não há patrocínio, dependemos de técnicos
estrangeiros e os equipamentos são caros porque precisam
ser importados”.
Apesar
de o País não ter tradição em esgrima
– são apenas 900 praticantes – Élora mostrava,
já no ano passado, que na ponta do sabre sua estrela brilha.
Com 16 anos, numa competição com adultos, ela obteve
boa colocação. Seu sonho atual é participar
das próximas Olimpíadas de 2004, em Atenas. Para garantir
uma vaga, disputará os Jogos Panamericanos, em agosto.
Primeira
colocada no ranking brasileiro e estudante do terceiro ano do ensino
médio, a esgrimista treina três horas por dia, seis
vezes por semana. Com uma rotina cada vez mais voltada para o esporte,
o estudo fica em segundo plano. “Gosto de filosofia, mas não
sei se cursarei faculdade”, diz Élora, que no momento
gosta de discorrer sobre os benefícios da esgrima em sua
vida. “O esporte aumenta minha concentração
e meus reflexos e me torna uma pessoa mais disciplinada.”

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