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28/04/2003

   
 
Juliana nunca havia visto o mar até a viagem ao Rio que terminou trágica
Das 48 pessoas que viajaram de Belo Horizonte para Cabo Frio, 13 eram da família de Luiz Antônio Dutra

 

Acidente
Tragédia no mar
O drama das vítimas do naufrágio em Cabo Frio, como Eduardo Guerrato, que perdeu a avó, mas tirou a mãe do mar, Juliana da Silva, salva por se apoiar no corpo da amiga, e Luiz Dutra, que teve de escolher quem da família resgataria

Jonas Furtado e Luís Edmundo Araújo

 
O Tona Galea adernou no sábado 19
e deixou 12 mortos e três desaparecidos

Não era costume a família Guerrato se reunir para celebrar a Páscoa. Mas Sílvia, 40, decidira, no começo do ano, que dessa vez seria diferente: levaria a mãe, Maria Cassetti, 62, e o filho único Eduardo, 15, para conhecerem o Rio de Janeiro. Sílvia, que é divorciada e trabalha no fórum de São Bernardo do Campo, comprou um pacote para o feriado junto à CVC Turismo e dividiu o pagamento em quatro parcelas – ainda não quitadas – para realizar o sonho.

Chegaram ao Rio na madrugada da sexta 18. No sábado, seguiram com o ônibus da excursão para Cabo Frio, na região dos Lagos. No caminho, interessaram-se por um passeio de escuna, apesar do forte vento que soprava na cidade. O passeio até a ilha dos Papagaios no barco Tona Galea correu normalmente. Foi no trajeto de volta à terra firme que aconteceu a tragédia. Sentado ao lado de sua mãe no fundo da escuna, com a avó na cadeira da frente, Eduardo não percebeu a aproximação da onda que virou a embarcação. “Só senti o barco inclinando e virando”, conta. A primeira reação dele foi agarrar Sílvia pelo braço, mas o forte impacto os separou. Mãe e filho foram para o fundo do mar.

Eduardo, nadador desde os 4 anos, emergiu logo, pensando apenas em salvar a vida da mãe e da avó, que não sabiam nadar. Após algumas voltas em torno do barco, ele finalmente avistou Sílvia. Já inconsciente, ela era mantida na superfície pelo capitão da escuna. O filho tomou a mãe em seus braços e nadou em direção ao barco mais próximo. “Eu tentava segurá-la de todo jeito para manter o rosto dela fora da água”, conta Eduardo, que no caminho teve uma visão desoladora. “Enquanto segurava minha mãe, achei minha avó. Mas ela já estava falecida.” Sílvia está internada em estado grave no Hospital Miguel Couto, no Rio.

SOCORRO NEGADO O acidente com o Tona Galea deixou um total de 12 mortos e três desaparecidos. O barco com 62 passageiros e dois tripulantes a bordo naufragou às 12h20 do sábado 19. Além de Eduardo – que teve socorro negado pelo primeiro barco com que cruzou – outros turistas levaram para casa lembranças traumáticas da Semana Santa.

Foi o caso da mineira Juliana Garcia da Silva, 19, moradora de Belo Horizonte que até a viagem a Cabo Frio nunca tinha visto o mar. Acompanhada da amiga Raimunda Santana da Silva, 43, Juliana estava do lado direito do barco, onde a embarcação adernou. Sem saber nadar, tentou se agarrar a um rapaz, mas as ondas os separavam. “Uma menininha passou por mim já morta. Depois vi o corpo de uma mulher e consegui me agarrar até ser resgatada”, contou Juliana, que só após chegar à marina, no Canal do Itajuru, soube que foi o corpo de Raimunda que a salvou. Raimunda deixou órfãs Jussara, 13, e Andressa, 8, que sobreviveram ao naufrágio.

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