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| “Deve
haver uma ligação entre meu avistamento e meus pacientes”, acredita
Mônica Borine, que diz ter visto uma nave no litoral paulista
em 1987 |
Era agosto
de 1996. Às 18h, como de costume, o técnico de máquinas
de lavar roupa Robson de Oliveira, 54, chegou em casa, na zona sul
de São Paulo. Exausto, foi ao quarto se deitar, enquanto a
mulher terminava o jantar. Da cama observou, através da janela,
luzes rosa, verde e azul florescente iluminando o céu. Não
havia barulho. De repente, algo estranho apareceu no batente da janela
e pulou diante dele. O intruso media cerca de 1,40m de altura, o corpo
era delgado e furta-cor e ele tinha grandes olhos amendoados, compensando
a falta de orelhas e boca. Paralisado na cama e aterrorizado, Robson
tentou chamar pela esposa, mas a voz ficou presa na garganta.
Três
meses depois, fatigado pela insônia e medo, ele procurou a
psicóloga Mônica Borine, por indicação
de um primo. Enquanto narrava a experiência inusitada, Robson
se coçava e sentia tremores no corpo, sintomas existentes
desde que o suposto ET o teria visitado. “Me dê o número
de seu celular”, pediu à terapeuta, após a primeira
sessão de hipnose. “Se ele aparecer de novo, quero
ligar imediatamente para a senhora.” Nos últimos dez
anos, Mônica ouviu dezenas de relatos parecidos com esse e
contabiliza mais de 70 casos atendidos. Pode parecer ficção
científica, mas para ela é tão real que no
começo do ano decidiu criar em Atibaia, a 70 km de São
Paulo, a primeira clínica brasileira especializada em tratar
pessoas que se dizem traumatizadas por terem sido raptadas por Et's
(abduzidas, como preferem os ufologistas), como Robson – nos
Estados Unidos existem mais de 400.
Casada
e mãe de dois filhos, Mônica, 45 anos, começou
a se interessar por contatos extraterrestres em 1987. Ela e uma
amiga observavam o céu em uma das praias de Peruíbe,
litoral sul de São Paulo. Quando perceberam, estavam diante
de um imenso objeto redondo com o núcleo alaranjado que se
movia lentamente e emitia flashes coloridos. “Nunca tinha
visto nada igual na vida”, recorda Mônica. “Fiquei
com medo.”
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Os
“Sintomas” |
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Físicos
• Coceira
• Choques na cabeça
• Perda ou excesso de apetite
• Sangramento no nariz
• Sinusite
• Marcas no corpo |

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Psicológicos
• Oscilação de humor
• Insônia
• Perda da libido
• Fixação ou aversão
a temas ufológicos
• Intuição intensificada
• Visão de bolas de luz |
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No
ano seguinte ocorreu outro fato marcante. A terapeuta foi visitar
um dos pacientes em um hospital psiquiátrico e lá
conheceu um rapaz de 28 anos. Ele estava internado porque dizia
que, após avistar um disco voador, passou a ouvir vozes e
enxergar bolas coloridas de luz. “Acreditei na história
dele e fiquei sensibilizada”, diz Mônica. “Foi
quando resolvi usar meu conhecimento clínico para ajudar
essas pessoas. Elas não precisam de remédio de tarja
preta.” Depois disso, por uma estranha coincidência,
Mônica – especializada em psicoterapia corporal e bioenergética
– começou a receber pacientes que se encaixavam no
quadro de seqüestro por alienígenas. “Deve haver
uma ligação entre meu avistamento e meus pacientes”,
arrisca.
Ex-instrutor
técnico da Embraer, Yugi Sugi, 57, procurou a ajuda de Mônica
porque teve a rotina alterada depois de seu carro ser acompanhado,
na estrada, por uma imensa bola de luz, em 1997. Na mesma noite
ele sonhou com um ser que tinha a cabeça triangular e enormes
olhos negros. “Comecei a ter insônia e perdia com freqüência
a noção de tempo”, conta Yugi. “Fiquei
com medo porque era algo desconhecido.” Após algumas
sessões de hipnose, Mônica concluiu que ele havia sido
abduzido. Desde então, Yugi se trata com psicoterapia e meditações
em grupo com outros abduzidos. “Já vi o estranho alienígena
enquanto meditava”, afirma ele.
Segundo
Mônica, em geral, quando alguém observa uma luz estranha
no céu significa que foi abduzida. Ela mesma, no entanto,
não sabe se foi seqüestrada por alienígenas quando
avistou um OVNI na praia. Além da hipnose, ela sustenta que
sintomas físicos e psicológicos podem confirmar o
caso. As teorias de Mônica misturam ainda alienígenas
com vidas passadas. “Se alguém foi abduzido, isso deve
ter acontecido também em suas cinco encarnações
anteriores.” Esse seria o caso da artista plástica
Maria Helena Bittencourt, 48, outra paciente da psicóloga.
Nas regressões hipnóticas, além de seqüestro
alienígena, ela também visitou civilizações
antigas. “Chequei nos livros o que ela disse e está
condizente com a História”, confirma Mônica.
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| Yugi,
Maria Helena e Remi se dizem abduzidos: terapia de grupo |
Para
Ana Mercês Bahia Bock, presidente do Conselho Regional de
Psicologia de São Paulo, os profissionais da área
podem se especializar no tratamento de pessoas que se dizem abduzidas
– independente de isso ser verdade ou não. Ela alerta,
porém, para o envolvimento entre paciente e terapeuta: “É
proibido ao psicólogo expressar aos pacientes a crença
em extraterrestres, pois não há confirmação
científica de que existam. Se fizer isso, está ferindo
a ética profissional e poderá ser punido pelo CRP”,
afirma.
Se
depender de Mônica, mais psicólogos e psiquiatras se
especializarão no tratamento de abduzidos. Ela está
montando em sua clínica um curso direcionado aos profissionais
da área, auxiliada por psicólogos americanos. Pelas
contas de Mônica, o mercado potencial é grande: a terapeuta
estima que uma em cada dez pessoas são seqüestradas
por extraterrestres e terapia é o único tratamento.
“Pessoas podem ser abduzidas em qualquer lugar e a qualquer
hora, sem terem consciência do fato”, diz Mônica.
“A terapia pode ajudá-las a aceitar o fato em suas
vidas e a manterem o equilíbrio emocional.”

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