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14/04/2003

   

lulas

Não cumprimente com as mãos e nem beije ninguém com conjuntivite ou com sintomas como olhos avermelhados

• Se contrair a doença, lave as mãos freqüentemente com água e sabão. Depois passe álcool ou solução de iodo. Troque toalha e fronha todo dia.
Não
divida a
toalha de rosto

Não coce os olhos, nem agora nem nunca. O hábito de coçar é muito prejudicial e pode levar a danos oculares irreversíveis

• Se tiver conjuntivite, beba muito líquido, especialmente sucos ricos em vitamina C. Alimente-se bem, durma bem e evite
se estressar

 

O surto de conjuntivite
O País vive uma epidemia que precisa ser barrada. Quem pegou a doença viral deve
tomar cuidados para não passar adiante

Newton Kara José

 
Murilo Constantino
Newton: o maior surto da
doença no país em 19 anos

Uma epidemia de conjuntivite infecciosa pegou o Brasil de surpresa. Há 19 anos o País não vivia um surto da doença tão significativo como o de agora. O último aconteceu em 1984, causado por um vírus mutante originário da África. Causada por um entero vírus provavelmente modificado, a epidemia atual começou em Joinville (PR) e se propagou ostensivamente pelo Brasil. Já houve registro de mais de 100 mil casos em vários Estados. Estamos literalmente no olho do furacão, mas trata-se de uma doença benigna. Fora o desconforto e a falta de tratamento (o organismo deve combater o invasor), a conjuntivite não costuma causar nenhum dano permanente aos olhos. Em geral os pacientes melhoram entre uma e três semanas.

E por que há um surto assim? Possivelmente o vírus é mutante e tornou-se mais forte. Além disso, nós, brasileiros, em geral não tomamos cuidados como, por exemplo, lavar sempre as mãos. Culturalmente, também usamos muito as mãos para cumprimentar e não sabemos como nos comportar em locais como banheiros públicos – foco de contaminações em geral. Não se tem o hábito de abrir uma torneira pública ou uma maçaneta usando um papel para proteger as mãos.

A conjuntivite é uma inflamação na conjuntiva, membrana que recobre o branco dos olhos e a parte de dentro das pálpebras. Pode ter várias causas: irritativa, tóxica (por medicação), alérgica e a que acompanha olho seco. Mas
é a infecciosa (causada por bactérias, vírus, fungos e protozoários) que pode atingir grande parte da população. O contágio se dá através das mãos, de toalhas, travesseiros, maçaneta, mesa, piscina, etc. Não se pega a conjuntivite infecciosa pelo ar. Ardor, a sensação de ter areia no olho, lacrimejamento e vermelhidão são os sintomas. Também há inchaço e secreção. Quando há dor ou baixa de visão, a córnea pode ter sido atingida e o caso fica mais grave. A visão talvez fique embaçada pelo acúmulo de lágrima ou secreção na frente dos olhos, porém neste caso deve melhorar com o piscar.

Se você contrair conjuntivite deve tomar cuidados: não coce os olhos, nem agora nem nunca. O hábito de coçar é muito prejudicial e pode levar a danos oculares irreversíveis. Evite contaminar outras pessoas. Não cumprimente ninguém com as mãos ou dê beijos. Lave as mãos freqüentemente com água e sabão, principalmente debaixo das unhas, usando uma escovinha. Depois enxagüe com álcool ou solução de iodo. Troque toalha e fronha todos os dias. Não divida sua toalha de rosto. Use óculos escuros na claridade. Peça afastamento de seu trabalho ou escola por 15 dias. Evite praia, piscina, mar e banheira. Beba muito líquido (e sucos ricos em vitamina C). Alimente-se bem, durma e evite se estressar. Não use maquiagem ou cremes perto dos olhos. Para tirar a secreção dos olhos, use água filtrada, fervida, morna e gaze. Ao mexer em maçaneta, proteja as mãos com papel. Se teclar computador, use luvas (troque-as todo dia).

Se usar lentes de contato, pare e só volte após autorização médica. Verifique com o oftalmologista se não convém trocá-las – podem estar contaminadas. Nada a não ser colírio deve ser aplicado dentro dos olhos. E só use colírios receitados por oftalmologista. Não interrompa o uso do remédio prescrito, mesmo se melhorar nos primeiros dias. Neste surto, não há motivo para pânico. Há motivo para se tomar medidas preventivas.

Newton Kara José é diretor da clínica oftalmológica do Hospital
das Clínicas (SP), professor titular da Faculdade de Medicina da
USP e da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Tire
dúvidas em seu site www.drvisao.com.br

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