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Newton: o maior surto da
doença no país em 19 anos |
Uma
epidemia de conjuntivite infecciosa pegou o Brasil de surpresa.
Há 19 anos o País não vivia um surto da doença
tão significativo como o de agora. O último aconteceu
em 1984, causado por um vírus mutante originário da
África. Causada por um entero vírus provavelmente
modificado, a epidemia atual começou em Joinville (PR) e
se propagou ostensivamente pelo Brasil. Já houve registro
de mais de 100 mil casos em vários Estados. Estamos literalmente
no olho do furacão, mas trata-se de uma doença benigna.
Fora o desconforto e a falta de tratamento (o organismo deve combater
o invasor), a conjuntivite não costuma causar nenhum dano
permanente aos olhos. Em geral os pacientes melhoram entre uma e
três semanas.
E
por que há um surto assim? Possivelmente o vírus é
mutante e tornou-se mais forte. Além disso, nós, brasileiros,
em geral não tomamos cuidados como, por exemplo, lavar sempre
as mãos. Culturalmente, também usamos muito as mãos
para cumprimentar e não sabemos como nos comportar em locais
como banheiros públicos – foco de contaminações
em geral. Não se tem o hábito de abrir uma torneira
pública ou uma maçaneta usando um papel para proteger
as mãos.
A
conjuntivite é uma inflamação na conjuntiva,
membrana que recobre o branco dos olhos e a parte de dentro das
pálpebras. Pode ter várias causas: irritativa, tóxica
(por medicação), alérgica e a que acompanha
olho seco. Mas
é a infecciosa (causada por bactérias, vírus,
fungos e protozoários) que pode atingir grande parte da população.
O contágio se dá através das mãos, de
toalhas, travesseiros, maçaneta, mesa, piscina, etc. Não
se pega a conjuntivite infecciosa pelo ar. Ardor, a sensação
de ter areia no olho, lacrimejamento e vermelhidão são
os sintomas. Também há inchaço e secreção.
Quando há dor ou baixa de visão, a córnea pode
ter sido atingida e o caso fica mais grave. A visão talvez
fique embaçada pelo acúmulo de lágrima ou secreção
na frente dos olhos, porém neste caso deve melhorar com o
piscar.
Se
você contrair conjuntivite deve tomar cuidados: não
coce os olhos, nem agora nem nunca. O hábito de coçar
é muito prejudicial e pode levar a danos oculares irreversíveis.
Evite contaminar outras pessoas. Não cumprimente ninguém
com as mãos ou dê beijos. Lave as mãos freqüentemente
com água e sabão, principalmente debaixo das unhas,
usando uma escovinha. Depois enxagüe com álcool ou solução
de iodo. Troque toalha e fronha todos os dias. Não divida
sua toalha de rosto. Use óculos escuros na claridade. Peça
afastamento de seu trabalho ou escola por 15 dias. Evite praia,
piscina, mar e banheira. Beba muito líquido (e sucos ricos
em vitamina C). Alimente-se bem, durma e evite se estressar. Não
use maquiagem ou cremes perto dos olhos. Para tirar a secreção
dos olhos, use água filtrada, fervida, morna e gaze. Ao mexer
em maçaneta, proteja as mãos com papel. Se teclar
computador, use luvas (troque-as todo dia).
Se
usar lentes de contato, pare e só volte após autorização
médica. Verifique com o oftalmologista se não convém
trocá-las – podem estar contaminadas. Nada a não
ser colírio deve ser aplicado dentro dos olhos. E só
use colírios receitados por oftalmologista. Não interrompa
o uso do remédio prescrito, mesmo se melhorar nos primeiros
dias. Neste surto, não há motivo para pânico.
Há motivo para se tomar medidas preventivas.
Newton
Kara José é diretor da clínica oftalmológica do Hospital
das Clínicas (SP), professor titular da Faculdade de Medicina da
USP e da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Tire
dúvidas em seu site www.drvisao.com.br
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