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14/04/2003

   
 
André Durão
Números de
R.R. Soares
22 ivros publicados
(mais de 1 milhão de cópias vendidas)

79 retransmissoras de tevê

20 igrejas no exterior

800 igrejas no Brasil – 400 só em São Paulo

05 horas na tevê
emissoras de rádio

 

Religião - R.R.Soares
Pastor eletrônico
Continuação

 
André Durão

Disputa com Macedo - A partir daí, passaram a ter problemas de convivência. “O Macedo achava que a evangelização tinha de ser feita de maneira agressiva. E sou uma pessoa mais branda”, conta Soares. Houve então uma disputa pelo poder. Nos primeiros anos da Igreja, o missionário era seu principal líder. Mas quando Macedo ganhou um programa numa rádio, conquistou também a admiração de alguns integrantes e enfraqueceu Soares. A saída para o embate foi a realização de uma votação para escolher quem ficaria na Universal. Macedo venceu.

Soares decidiu então seguir seu caminho e fundou sua própria Igreja. Inicialmente, contou com o auxílio financeiro do cunhado. “A Universal o ajudou a pagar aluguéis durante quase um ano”, conta um amigo. Hoje, eles pouco se vêem, apesar do parentesco. Embora afirme que não ficaram mágoas, o missionário não se estende quando o assunto é a relação com o cunhado. “Macedo é uma alma boa. Quando nos encontramos, conversamos. Mas eu vivo de um lado e ele de outro”, diz Soares. Sua mulher, Magdalena, tem o mesmo discurso. “Quase não nos vemos. Mas meu relacionamento com meu irmão continua o mesmo”, despista.

Os estilos são mesmo diferentes. Enquanto Macedo ocupa-se da gerência do empreendimento, Soares prefere cuidar pessoalmente da conquista de fiéis. “Soares é metódico, desconfiado e extremamente centralizador. Por isso, o trabalho dele vai demorar a crescer”, aposta um líder evangélico, que não quis se identificar. Acompanhado da mulher, Soares viaja o Brasil toda semana fazendo cultos. “Não assino um cheque referente à Igreja”, diz ele, que garante nunca ter tirado férias.

Sua renda é proveniente da Graça Artes Gráficas e Editora Ltda, adquirida em 1983. Soares é dono ainda de uma gravadora gospel, Graça Music, e de uma editora, a Graça Editorial, com mais de 100 títulos catalogados, e já escreveu 22 livros. Apesar do império, diz que vive modestamente. “Coisa boa é coisa simples. As pessoas estranham quando vêem meu relógio que vale R$ 40”, diz ele, exibindo um relógio da marca Casio. De patrimônio, afirma só ter uma casa em Jacarepaguá, no Rio, onde mora com a mulher e os cinco filhos – todos homens – comprada em 1975, e um apartamento em São Paulo. Formado em Direito há apenas cinco anos, tentou a carreira política ao se candidatar a deputado federal pelo PFL, em 1990, mas não se elegeu. “Foi a maior burrice que fiz na vida. Acreditei que a Igreja precisava”, afirma.

Tudo que faz, aliás, é pensando na sua Igreja e regido pela religião. Reserva o último dia de cada mês para um jejum completo e orações. Não bebe nem água e fica trancado num quarto sozinho. Suas opiniões também são radicais. Condena o aborto – “é homicídio” – e o homossexualismo – “é contrário à própria natureza. É espírito do mal”.

Hora do dízimo - O culto da Igreja de Soares é dividido em duas partes. Na primeira, os pastores pedem o dízimo aos fiéis. A forma chega a ser agressiva. “Quem não dá oferta está roubando a Deus”, dizem. A quantia – pelo menos R$ 30 – é recolhida em envelopes. Depois, são vendidos produtos como livros, revistas e CDs. Finalmente, após muita insistência e discursos intimidadores, os pastores pedem para os fiéis doarem tudo que podem.

R.R. Soares só aparece na segunda parte do culto. Canta músicas, reza, recolhe testemunhos de fiéis que dizem ter sido curados pelas palavras proferidas por ele. O missionário se vangloria de ter curado câncer, aids e até dissuadido uma mulher de se prostituir. “Consigo a cura pela fé”, garante. No culto, Soares não pede o dízimo, mas destaca a importância da doação para continuar como missionário eletrônico: “Deus sabe o aperto que estamos passando para continuar com nosso programa no ar”, diz ele. “Se a pessoa não der, está debaixo de maldição. As pessoas serão julgadas”, afirma.

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