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Disputa
com Macedo - A partir daí, passaram a ter problemas de
convivência. “O Macedo achava que a evangelização
tinha de ser feita de maneira agressiva. E sou uma pessoa mais branda”,
conta Soares. Houve então uma disputa pelo poder. Nos primeiros
anos da Igreja, o missionário era seu principal líder.
Mas quando Macedo ganhou um programa numa rádio, conquistou
também a admiração de alguns integrantes e
enfraqueceu Soares. A saída para o embate foi a realização
de uma votação para escolher quem ficaria na Universal.
Macedo venceu.
Soares
decidiu então seguir seu caminho e fundou sua própria
Igreja. Inicialmente, contou com o auxílio financeiro do
cunhado. “A Universal o ajudou a pagar aluguéis durante
quase um ano”, conta um amigo. Hoje, eles pouco se vêem,
apesar do parentesco. Embora afirme que não ficaram mágoas,
o missionário não se estende quando o assunto é
a relação com o cunhado. “Macedo é uma
alma boa. Quando nos encontramos, conversamos. Mas eu vivo de um
lado e ele de outro”, diz Soares. Sua mulher, Magdalena, tem
o mesmo discurso. “Quase não nos vemos. Mas meu relacionamento
com meu irmão continua o mesmo”, despista.
Os
estilos são mesmo diferentes. Enquanto Macedo ocupa-se da
gerência do empreendimento, Soares prefere cuidar pessoalmente
da conquista de fiéis. “Soares é metódico,
desconfiado e extremamente centralizador. Por isso, o trabalho dele
vai demorar a crescer”, aposta um líder evangélico,
que não quis se identificar. Acompanhado da mulher, Soares
viaja o Brasil toda semana fazendo cultos. “Não assino
um cheque referente à Igreja”, diz ele, que garante
nunca ter tirado férias.
Sua
renda é proveniente da Graça Artes Gráficas
e Editora Ltda, adquirida em 1983. Soares é dono ainda de
uma gravadora gospel, Graça Music, e de uma editora, a Graça
Editorial, com mais de 100 títulos catalogados, e já
escreveu 22 livros. Apesar do império, diz que vive modestamente.
“Coisa boa é coisa simples. As pessoas estranham quando
vêem meu relógio que vale R$ 40”, diz ele, exibindo
um relógio da marca Casio. De patrimônio, afirma só
ter uma casa em Jacarepaguá, no Rio, onde mora com a mulher
e os cinco filhos – todos homens – comprada em 1975,
e um apartamento em São Paulo. Formado em Direito há
apenas cinco anos, tentou a carreira política ao se candidatar
a deputado federal pelo PFL, em 1990, mas não se elegeu.
“Foi a maior burrice que fiz na vida. Acreditei que a Igreja
precisava”, afirma.
Tudo
que faz, aliás, é pensando na sua Igreja e regido
pela religião. Reserva o último dia de cada mês
para um jejum completo e orações. Não bebe
nem água e fica trancado num quarto sozinho. Suas opiniões
também são radicais. Condena o aborto – “é
homicídio” – e o homossexualismo – “é
contrário à própria natureza. É espírito
do mal”.
Hora
do dízimo - O culto da Igreja de Soares é dividido
em duas partes. Na primeira, os pastores pedem o dízimo aos
fiéis. A forma chega a ser agressiva. “Quem não
dá oferta está roubando a Deus”, dizem. A quantia
– pelo menos R$ 30 – é recolhida em envelopes.
Depois, são vendidos produtos como livros, revistas e CDs.
Finalmente, após muita insistência e discursos intimidadores,
os pastores pedem para os fiéis doarem tudo que podem.
R.R.
Soares só aparece na segunda parte do culto. Canta músicas,
reza, recolhe testemunhos de fiéis que dizem ter sido curados
pelas palavras proferidas por ele. O missionário se vangloria
de ter curado câncer, aids e até dissuadido uma mulher
de se prostituir. “Consigo a cura pela fé”, garante.
No culto, Soares não pede o dízimo, mas destaca a
importância da doação para continuar como missionário
eletrônico: “Deus sabe o aperto que estamos passando
para continuar com nosso programa no ar”, diz ele. “Se
a pessoa não der, está debaixo de maldição.
As pessoas serão julgadas”, afirma. 
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