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| Em
1990, ele se candidatou a deputado federal pelo PFL, mas não
se elegeu. “Foi a maior burrice que fiz na vida. Acreditei que
a Igreja precisava”, afirma |
Romildo
Ribeiro Soares só conheceu a televisão oito anos depois
da primeira transmissão no Brasil. Era 1958 e ele, então
com dez anos, ficou atônito diante do aparelho de uma loja
em Muniz Freire, no Espírito Santo. Na tela, um espetáculo
de balé. Surpresa maior, porém, Romildo teve ao virar-se
e observar a reação das dezenas de pessoas que, como
ele, mostravam-se maravilhadas. “Estavam de olhos esbugalhados.
Pensei: ‘Esse negócio de televisão é
bom’”, lembra. De família humilde, sapateiro
desde os nove anos, ele fez ali uma promessa. “Um dia vou
estar lá falando do Senhor”, conta ele, evangélico
desde os seis.
Foram
precisos 19 anos para que cumprisse a promessa. Em 1977, Romildo
estreou na TV Tupi no comando de um programa evangélico.
E não parou mais. Hoje, o missionário R.R. Soares,
assinatura que adotou, comanda a Igreja Internacional da Graça
de Deus e se tornou campeão de aparições na
tevê. Prega em horário nobre na Band desde janeiro
e está na programação da RedeTV!, CNT e em
algumas afiliadas do SBT. Um total de 100 horas por semana de programação
nas emissoras de alcance nacional.
Ele
recusa-se a revelar os valores investidos na empreitada. Estima-se,
entretanto, que o pagamento mensal à Band seja de R$ 2 milhões.
A conta é a seguinte: a emissora paulista faturava R$ 350
mil com o programa de Marcos Mion, Sobcontrole, quando este
era exibido às 20h. R.R. Soares ofereceu o dobro. O restante
é referente ao que a Band lucraria no horário com
os anunciantes – já que não há intervalo
comercial durante o Show da Fé – e ao repasse
do dinheiro das afiliadas, que também pararam de negociar
os comerciais. A compra do horário nobre da emissora gerou
mal-estar e causou chiadeira geral – tanto no mercado publicitário
quanto entre as emissoras afiliadas.
Embora
a emissora negue oficialmente que haja prejuízo no Ibope
com o Show da Fé – a atração da
1,5 de audiência –, um dos diretores da Band, que não
quis se identificar, afirma que a entrada de R.R. Soares prejudicou
o Ibope de Mion. O Sobcontrole é exibido após
o Show da Fé. “O horário não é
do Mion, mas da Band. E ele sendo contratado, a emissora faz o que
quiser com ele”, diz o missionário. Inicialmente, houve
também a recusa de duas afiliadas da Band de transmitir o
programa evangélico, mas a situação foi contornada.
“Raciocinando de maneira empresarial, vale a pena exibir o
programa de R.R. Soares. É necessidade comercial”,
pondera o diretor. Antes de negociar com os Saad, donos da Band,
de quem é amigo há mais de 20 anos, o evangélico
procurou a Rede TV!, mas não obteve resposta positiva.
Também
está no ar a sua própria rede. Chama-se Rede Internacional
de Televisão e irradia programação para todo
o País através de uma geradora em Dourados (MS). A
onipresença na tevê vem lhe rendendo frutos. Soares
conta hoje com 900 igrejas espalhadas de norte a sul do País.
Ele garante, porém, que a compra de um canal aberto está
fora de cogitação. “Precisaria vender espaço
comercial e não quero isso”, justifica. Mesmo assim,
trava uma guerra santa e não declarada com seu cunhado, o
bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, dono da
Record. De olho na expansão de R.R. Soares, Macedo comprou
o horário dele na TV Gazeta, de São Paulo. O missionário
é casado há 28 anos com a irmã do dono da Record,
Magdalena, mas a relação com Macedo é anterior.
Eles se conheceram na Nova Vida, em 1968. Sete anos mais tarde,
fundaram juntos A Cruzada do Caminho Eterno e, em 1977, a Igreja
Universal do Reino de Deus.
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