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“Às
vezes, paro e penso: caramba,
sou filho do Renato Russo!”, diz ele |
Giuliano
Manfredini já se acostumou a ser alvo de olhares descrentes.
Acontece sempre que ele revela a alguém
que é filho de Renato Russo, líder da banda Legião
Urbana, morto em 1996. Aos 14 anos, o garoto afirma que essa desconfiança
não o incomoda e lembra rindo da vez em
que alguns de seus colegas de turma foram conversar com seus avós,
Renato Manfredini e Maria do Carmo, pais do cantor, para confirmar
a história. “Acho que eles duvidam porque meu pai era
uma pessoa importante. Eles devem pensar que eu deveria estar estudando
na Europa e não no mesmo colégio que eles”,
arrisca.
Pode
ser. Mas a dúvida também se explica pelo fato de,
mesmo sendo filho de um artista famoso, Giuliano ter aparecido raras
vezes na mídia. Resultado da preocupação dos
avós, a quem Russo deu a guarda do filho quando o menino
tinha um ano e meio, e que optaram por mantê-lo afastado das
câmeras, vivendo com eles em Brasília. O assédio
de que eles sempre tentaram proteger o neto aumentou na época
da morte de Russo, quando levantou-se a hipótese de que Giuliano
seria adotado, e não filho de uma relação do
cantor com uma fã, como afirmam os avós. A mãe
do rapaz morreu num acidente de carro em 1990.
“Não
estamos escondendo o menino, só o estamos poupando”,
explica Maria do Carmo. “Quando ele chegar à maioridade,
assumirá o espólio do pai e terá que enfrentar
toda essa parafernália.” Na terça-feira 25,
porém, ela abriu uma exceção e levou o neto
para o lançamento do CD Renato Russo Presente, no
Rio. “Não tinha com quem deixá-lo em Brasília”,
explica. O menino gostou da experiência.
Para
Giuliano, ter como pai um ídolo nacional não faz dele
uma pessoa diferente. Mas é razão de orgulho. “Às
vezes estou fazendo meu dever de casa, paro tudo e penso: caramba,
sou filho do Renato Russo!”, exclama ele, que cursa a sétima
série do ensino fundamental. Como Russo morava no Rio, os
dois se viam pouco, nas férias ou quando o cantor tinha compromissos
em Brasília. Das poucas lembranças que da convivência
com o pai, não se esquece do dia em que o cantor o levou
para conhecer os estúdios de sua gravadora. “Ele mostrou
os equipamentos, a sala em que trabalhava, explicou como tudo funcionava.
Isso ficou marcado.”
Fã
das composições do pai – a preferida é
Monte Castelo – Giuliano não quer seguir a mesma
carreira. “Toco violão, mas apenas como hobby. Quero
ser arquiteto, porque gosto de desenhar e sou bom em matemática”,
gaba-se. Mas ele terá que se decidir entre a arquitetura
e outra paixão: o hipismo. Giuliano pratica o esporte desde
os nove anos e já dá sinais de que tem um futuro promissor
pela frente. Foi campeão brasiliense de salto na categoria
infantil e ficou em oitavo no Campeonato Brasileiro Mini-Mirim.
Quase
sete anos após a morte de Renato Russo, Giuliano conta que
adora ir ao apartamento em que o pai morava, em Ipanema, Zona Sul
do Rio, para vasculhar roupas e livros do roqueiro. “Minha
mãe não me deixa mexer nos escritos dele, mas sei
que quando fizer 18 anos ela vai me dar tudo”, diz ele, referindo-se
à avó, Maria do Carmo. Quando isso acontecer, o menino
terá que administrar todos os negócios envolvendo
o nome de Renato Russo. Interessado em aprender como isso funciona,
ele já participa de algumas reuniões ao lado dos avós.

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