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Reportagens

31/03/2003

   
 
André Durão
“Estava indo por um caminho errado. Às vezes você acha que tem o pé no chão, mas existe uma coisa que te engole, é muito maior”, diz Mel, que trocou um Mercedes Classe A por um Palio
 

 

Carreira/ Mel Lisboa
Em busca do rumo perdido
A atriz admite que se deslumbrou com o sucesso de Presença de Anita, faz análise, muda o visual por causa do teatro e conta como está refazendo a carreira

Vivianne Cohen

 
O recomeço será com a estréia nos palcos brasileiros na peça Há Vagas para Moças de Fino Trato (à esqu.), da qual é produtora

“Você quer ver Deus rir? Conte seus planos para ele.” A frase, dita por um personagem do filme mexicano Amores Brutos, virou uma das prediletas de Mel Lisboa e traduz bem tudo que vem acontecendo na vida da atriz. Em 2001, ela se preparava para cursar faculdade de cinema em Paris mas, pouco antes de viajar, foi surpreendida ao ser escolhida para viver o papel-título na minissérie Presença de Anita. Junto com a nova profissão, que jamais havia sido cogitada por Mel, veio também a fama. “Existe uma linha muito tênue quando você vira famosa. Você passa a andar na corda bamba. Cair é muito mais fácil. O difícil é aprender a se equilibrar”, filosofa.

Com apenas 21 anos, a atriz hoje reconhece que levou alguns tombos. Mas, com a mesma maturidade com que decifra o furacão pelo qual passou, mostra-se disposta também a tentar recomeçar, agora degrau por degrau. “Fui posta lá em cima. De repente olhei e vi que a minha montanha estava totalmente desestruturada. Pulei etapas”, analisa.

O momento de reflexão aconteceu na ida para Portugal, no final do ano passado, onde encenou a peça Confissões de Adolescente, dirigida por Domingos de Oliveira. Durante três meses, longe da família e do namorado, o ator Caco Ciocler, Mel retomou a condição de anônima. Morava sozinha num apartamento de apenas um quarto e na garagem tinha um pequeno carro 1.0 alugado. “Mas o que mais senti falta foi de um porto seguro. Me sentia desprotegida”, conta. A estréia no teatro foi outra dificuldade. No espetáculo, a atriz tinha de encenar um quadro de comédia. “Fiquei tensa porque tinha que fazer as pessoas rirem. Não sou comediante”, diz. Na volta ao Brasil, em fevereiro, Mel sentiu os efeitos da crise psicológica vivida em Lisboa. Assim como ficou sem menstruar na época de Presença de Anita, desta vez ficou fisicamente debilitada. “Já acordava cansada. Somatizo tudo que sinto”, conta.

A temporada em Portugal, no entanto, revelou-se enriquecedora. “Foi um momento de introspecção total”, lembra a mãe de Mel, a astróloga Cláudia Lisboa. “Minha filha voltou transformada.” Ao retornar, a atriz viu o filme da sua vida passar na cabeça. “Estava indo por um caminho errado. Às vezes você acha que tem o pé no chão, mas existe uma coisa que te engole, é muito maior”, diz.

A mudança começou pelas coisas materiais. Mel trocou um Mercedes Classe A, adquirido depois da minissérie, por um Palio. “O engraçado foi vê-la explicando ao vendedor na concessionária que não era uma troca por questões econômicas, mas por questões filosóficas”, conta a mãe da atriz. Em seguida, veio a compreensão de que tinha que construir o caminho para voltar ao topo.

Após um início arrebatador ao viver a sensual e diabólica Anita, Mel amargou uma personagem que não fez tanto sucesso na novela Desejos de Mulher, de Euclydes Marinho. Ela admite que ficou frustrada. “Foi um trabalho complicado para mim. A novela tinha uma certa falta de rumo e não tinha experiência e técnica para sustentar uma coisa em que não acreditava”, assume. “Depois de Anita, um papel muito marcante, ela deveria ter parado no mínimo um ano. Como isso não aconteceu, ela se viu fazendo um papel inadequado em Desejos de Mulher. Faltou paciência e melhor assessoria profissional”, diz Manoel Carlos, autor de Presença de Anita.

Apesar de não ter ficado satisfeita com sua atuação, a atriz diz que não se arrepende porque tirou uma lição. “Achava que não tinha me deslumbrado, mas depois percebi que houve uma certa ilusão comigo mesma. Houve um deslumbramento”, confessa. Sem ter recebido nenhuma proposta da Globo, embora seja contratada da emissora, ela está aproveitando o tempo para concretizar seu recomeço com a estréia nos palcos brasileiros na peça Há Vagas para Moças de Fino Trato, da qual é produtora e arcou com o orçamento.

Os cabelos, agora ruivos por causa da peça, talvez simbolizem essa mudança. Mel quer se desvencilhar da imagem de Anita e admite que “está sendo difícil se livrar desse carma”. Atualmente, conta, às vezes passa até despercebida nas ruas. E parou de fumar, hábito adquirido por causa da personagem. Ela também não se identifica com o estereótipo de ninfeta de Anita. “Dá muito trabalho ter que sustentar isso. E não sou mulherão, sou baixinha”, explica.

As sessões de análise estão ajudando nessa fase. Mel já havia feito terapia na adolescência por um ano, mas depois preferiu os conselhos da mãe. “Hoje preciso de alguém que tenha distanciamento para me dizer certas coisas. Minha mãe é muito protetora”, diz. “Dei a maior força. É bom ficar só no papel de mãe”, concorda Cláudia. As sessões no divã têm auxiliado Mel a se entender. A atriz lembra que tudo aconteceu muito cedo em sua vida e que ainda está aprendendo a compreender alguns momentos. Um deles refere-se ao namorado, Caco. Mel havia planejado morar junto com alguém somente aos 30 anos. Mas está adorando a situação. “Quando aparece a pessoa, você vê como é importante acordar e dormir junto e que um homem faz falta para uma mulher”, diz ela, que saiu de casa aos 20 anos para morar sozinha.

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