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Fernando
Morais - de Paris
O
exército particular dos Safra no Brasil
Contratados
para dar segurança à família de banqueiros, 150 agentes do
Shin Bet israelense foram expulsos do País
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Foto:
Renato Velasco
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A segurança
da família Safra quase criou um incidente diplomático
no Brasil, em meados de 1997. A Polícia Federal descobriu
que viviam irregularmente no País, com vistos de turistas,
150 ex-agentes do Shin Bet, o mitológico serviço
de contra-inteligência israelense. Eram todos egressos
do Protective Security Department, responsável pela
segurança de prédios do governo israelense,
de suas embaixadas em todo o mundo, de indústrias ligadas
à defesa do país, de instalações
científicas e dos vôos da companhia aérea
israelense El Al.
E eram
todos contratados pelo Banco Safra para garantir a segurança
pessoal de Joseph e Moise Safra, de suas mulheres, filhos,
genros, noras e netos. Irmãos de Edmond, morto na semana
passada em Monte Carlo, Joseph e Moise se apavoraram depois
do seqüestro de seu sobrinho, o também banqueiro
Ezequiel Nasser, ocorrido em São Paulo. Apesar dos
apelos da família ao governo brasileiro, a Polícia
Federal ganhou a parada e expulsou os agentes do Brasil. A
notícia chegou a circular por algumas redações,
mas, a pedido dos advogados da família Safra, ninguém
publicou nada. A propósito, o edifício onde
Edmond Safra vivia, o "La Belle Époque",
era conhecido no principado de Mônaco como "Fort
Knox" - nome da casa da moeda norte-americana -, tão
rigorosos eram os padrões de segurança do banqueiro.
O banqueiro
e o comunista
Dois anos
atrás, o escritor português José Saramago
convidou um advogado brasileiro, seu amigo, para passar alguns
dias em sua casa de Lanzarote, nas Ilhas Canárias.
O advogado comentou o assunto com Edmond Safra, que, apaixonado
pela obra de Saramago, pediu para ir junto - e ofereceu seu
jato para fazerem a viagem. Quando Saramago soube da notícia,
pediu ao amigo que cancelasse a viagem usando um argumento
irrespondível. "Por favor, Fulano, não
me traga esse gajo aqui", pediu o escritor. "Eu
sou comunista, como é que vou explicar aos meus camaradas
do partido que estou confraternizando com um dos maiores banqueiros
do mundo?"
Enterro
de luxo no Brasil
Decididamente,
o prestígio do Brasil não está lá
essas coisas entre os iranianos. Há duas semanas, o
Conselho Supremo do Islã, órgão máximo
da revolução naquele país, condenou a
cinco anos de prisão o mulá Abdullah Nouri,
ex-ministro do Interior e editor do jornal de oposição
Khordad, acusado de fazer "propaganda anti-islâmica".
Um dirigente da oposição iraniana exilado em
Paris revelou que Abdullah Nouri recebeu a oferta de um "enterro
de luxo" como alternativa à prisão: uma
embaixada na América Latina. No Brasil, por exemplo,
sugeriram. Abdullah Nouri preferiu mofar cinco anos no xadrez.
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