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Música - MPB
Puro Prazer
Zizi Possi brilha com interpretações precisas
e voz de veludo
Aluízio Falcão
Zizi Possi
é uma intérprete que trocou de estilo várias
vezes. Começou gravando João e Aldir, depois trilhou
os caminhos do pop vendável, dedicou-se por algum tempo à
MPB não comercial e de alta qualidade, viveu recentemente
dois anos como cantora "italiana" de sucesso e, agora,
muda outra vez, gravando o CD Puro Prazer, com apenas piano e voz.
Uma voz que, felizmente, não mudou nada. Continua ótima.
O que impressiona
em Zizi não é apenas uma afinação mais
que perfeita. É sobretudo a percepção exata
de cada letra e de cada melodia que interpreta. Na abertura do disco,
em "Disparada", ela traz ao primeiro plano a inspirada
melodia de Theo de Barros, que sempre ficou injustamente à
sombra da letra de Vandré. Em seguida, interpretando o verso
que o escritor Sergio Buarque de Holanda considerava o melhor do
filho famoso ("a saudade é o revés de um parto..."),
a sua alma canta, como diria Jobim. O disco é homogêneo,
mas algumas canções ajustam-se melhor à sua
emissão de veludo e cristal: "Beatriz", "Vurria",
"Tanta Saudade".
O pianista Jether
Garotti Jr. muito contribuiu para que Zizi gravasse um dos melhores
discos do ano. Contendo-se em seu papel de coadjuvante, deu amplo
espaço para ela brilhar como deve e merece. Depois de chegar
a uma escala milionária de vendas, Zizi reflui para um trabalho
puramente qualitativo - o que é raro, para não dizer
inédito, no meio fonográfico. Tanto quanto um lindo
disco, Puro Prazer é uma atitude artística exemplar.
Entre os melhores do ano
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