|
Música - Pop
Simbora
Sete produtores musicais agregam modernidade
ao caldeirão étnico de Daúde
Guga Stroeter
Foto:
Divulgação
 |
Simbora, o
novo CD de Daúde, contém 14 remixes assinados pelos
produtores Dudu Marote, Will Mowat, BiD, Tuta Aquino, Carlos Trilha,
Fernando Morello e pelo saudoso Suba. Tudo é coerente no
álbum desta cantora, que fez apenas radicalizar o seu caminho
artístico vinculando a música ao prazer de dançar.
O repertório
fundamentalmente brasileiro, que recria canções dos
tropicalistas Gil e Caetano, traz também Carlinhos Brown
e Luiz Tatit e ainda investe numa viagem ao sertão, retomando
o compositor Patativa do Assaré e pregões de embolada
nordestina. A essência do trabalho, portanto, é alimentada
pelo folclore, que, por sua vez, ao ser processado por samplers
e computadores, ganha a dimensão da world music étnica
e passa a dialogar com a cítara indiana, os tambores da África
e os melismas do canto árabe. Temos então uma conexão
entre o mourisco e o sertão nordestino, que nos leva a vínculos
culturais ainda mais profundos.
Daúde
recorre também aos revivals e, como tantos outros artistas
atuais, tem como "música de trabalho" uma versão
para o português de "Venus", canção
dos anos 70 que habita o inconsciente coletivo das boates. O que
interessa é a festa, é levar todas essas informações
para a transe cinética das pistas de dança, objetivo
plenamente alcançado neste trabalho.
Os efeitos de
mixagem de Simbora fundem definitivamente a MPB ao techno e sinalizam
a tendência recente do reconhecimento dos produtores musicais
e DJs como artistas criativos imbuídos de identidade e autonomia.
Dance étnico
|