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Livros - Foco
A vida na
tevê
Kiko Cabral
Regis Cardoso,
64 anos, nasceu no teatro, cresceu no rádio, mas se consagrou,
de fato, na televisão. Fazendo de tudo um pouco, experimentou
seus primeiros passos profissionais numa tevê que ainda engatinhava.
Quando a televisão brasileira se consolidou, Regis Cardoso
cresceu junto. Passou a diretor de imagens em novelas pioneiras,
como O Direito de Nascer (1964) até assinar, sozinho, a direção
de sua primeira novela, Sangue e Areia (1968). A partir daí,
Cardoso colecionou grandes sucessos de público, como O Bem
Amado (1973), Anjo Mau (1975) e Estúpido Cupido (1976), e
ficou para a história como um dos grandes realizadores da
tevê brasileira.
Hoje, ele relembra
sua história no livro No Princípio Era o Som (Madras,
196 págs., R$ 22). "Fui ao programa do Jô Soares
falar sobre um curso de formação de atores e acabei
lembrando muita coisa do passado. Depois disso, insistiram tanto
para eu escrever minhas memórias que peguei um papel e comecei
a relacionar fatos", explica Cardoso. "Quando vi, tinha
o livro pronto", completa.
Pronto e cheio
de fotos, o livro vai além das memórias pessoais.
O autor testemunhou, nos bastidores, o nascimento da teledramaturgia
brasileira e conviveu com os personagens dessa história.
Foi casado com Suzana Vieira - atriz que descobriu em uma apresentação
de balé na TV de Vanguarda - e viu José Bonifácio
de Oliveira Sobrinho, o Boni, dedilhar seus primeiros textos no
cantinho de uma sala da Rádio Nacional.
De todas as
suas produções - das mais capengas às grandiosas
-, O Bem Amado (a novela e a série) ficou como a mais marcante.
"Fazer uma novela é como construir uma casa, tijolo
por tijolo. Com elenco e textos maravilhosos, O Bem Amado nos divertiu
muito", lembra Regis. "Vivemos como uma família
por cinco anos".
É, não dá para esquecer. (L.A.)
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