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Exposição - Arte
Cerâmicas
de Picasso
Esta é uma chance rara de conhecer o trabalho
em argila do mestre espanhol
Lígia
Canongia
Bernard Ruiz
Picasso, neto de Pablo Picasso, herdou uma coleção
gigantesca de obras do avô que comporão em breve um
novo museu, em Málaga, na Espanha, cidade onde nasceu o gênio
da pintura do século 20. Parte de seu acervo, dedicado à
cerâmica e já exibido em Londres e Nova York, estará
em cartaz na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro, até
22 de janeiro de 2000. A vinda da mostra para o Brasil nasceu do
contato entre Bernard Picasso e o adido cultural do Consulado Geral
da França, Marc Pottier, e contará com 80 cerâmicas,
algumas gravuras e uma exposição paralela do fotógrafo
André Villers, amigo pessoal de Picasso, ainda vivo.
A incursão
de Picasso no mundo da cerâmica começou em 1947, quando
o mestre já contava com mais de 60 anos e acabara de sair
de seu exílio em Paris, após a guerra. Instalado no
sul da França, conheceu a fábrica Madoura, na cidade
de Vallauris, e lá se identificou com as tradições
artísticas da argila, que remontavam aos tempos romanos e
eram enraizadas na vida mediterrânea.
Nunca mais Picasso
se separaria da produção em cerâmica e, embora
ela fosse tida por alguns como uma arte menor, ele a considerava
um novo esteio para suas criações e uma abertura para
ampliar os limites da pintura e da escultura. Trabalhou com formas
convencionais, como pratos, jarros, azulejos e caçarolas,
e com formas criadas especialmente, através de metamorfoses
moldadas durante a queima, com a argila ainda maleável. Transformou
utensílios em cabeças, pássaros, touros. Fez
sulcos nas superfícies, acrescentou relevos, pintou cenas
mitológicas. Compôs o que ele dizia ser um verdadeiro
trabalho de ficção, enredos vivos.
A cerâmica
deu a ele a chance de subverter as dimensões do espaço,
tornando plano o que era curvo, explorando a estrutura de um material
fluente. Como os deuses do antigo Olimpo, Picasso queria mudar a
forma das coisas para seduzir e eternizar os seres mortais - e ele
sabia que eram as cerâmicas da Grécia clássica
o que havia perdurado no tempo, e não suas pinturas.
Picasso raro
Até 22
de janeiro - Casa França-Brasil - rua Visconde de Itaboraí,
78 - Rio de Janeiro
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