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17/03/2003

   
 
Fotos de Tripolli publicadas na década de 70: Paloma Picasso (acima), na revista Manchete. e ensaio sensual (ao lado) com irmãs gêmeas, ambas para a revista Playboy
Cesar Itiberê
Ele estå casado hå doze anos com Adriana, sua quinta mulher
Foto publicada na revista Moda Brasil, nos anos 80. No centro, a modelo Ana Paula Arósio, em início de carreira
“Sou absurdamente carioca quanto
à filosofia de vida’’
Luiz Tripolli

 

Fotografia / Luiz Tripolli
Pioneiro das lentes
Famoso por eternizar em imagens as mais belas mulheres brasileiras, fotógrafo completa 40 anos de carreira e, ainda adolescente, fez seus primeiros ensaios com prostitutas

Jonas Furtado

 
Cesar Itiberê
“Ele ainda era um garotão, mas já tinha esse jeito bem despachado que cultiva até hoje”, diz Ziraldo, que publicou o primeiro ensaio de Tripolli em 1965

A situação econômica em casa estava difícil. De quebra, Tia Laurinda dera para questionar a profissão escolhida pelo sobrinho, que morava com ela desde a morte da mãe. No final da década de 60, carreira decente era a de advogado, médico, engenheiro. Fotografia? “Isso não dá futuro. Deixa de besteira”, dizia Laurinda. Luiz Tripolli, que ainda não chegara aos 20 anos, escutava tudo em silêncio, enquanto folheava a última edição da revista Manchete ao mesmo tempo em que devorava um prato de arroz com feijão preto. Um anúncio da Casa Rhodia com as manequins mais famosas da época lhe prendeu a atenção. A mais bonita delas chamava-se Uli. Tripolli mostrou a revista para a tia e avisou: “Fica tranqüila, tia Laurinda. Vou me tornar o maior fotógrafo desse país e essa aqui vai ser a minha mulher”.

O que parecia pretensão adolescente em pouco tempo virou realidade. O garoto cumpriu a promessa, e Uli, diva dos desfiles da Fenit nos anos 70, viria a ser sua esposa e mãe de sua primeira filha. As fotos de Tripolli ganharam fama internacional e seu nome passou a ser associado a imagens de mulheres deslumbrantes. Hoje, aos 56 anos, o fotógrafo completa 40 anos de carreira e prepara para setembro uma grande exposição sobre as quatro décadas que registrou com suas lentes. “Quero confundir as pessoas. Vou expor as fotos sem datas, para mostrar como as coisas são cíclicas e uma foto feita em 1968 pode ser superatual em 2003”, adianta.

É difícil acreditar que alguém adore as mulheres mais do que Tripolli. “Meu encanto é ainda maior do que quando comecei”, confessa, enquanto aponta para as fotos em preto e branco de mulheres nuas que decoram as paredes impecavelmente brancas de seu confortável escritório, instalado em um pequeno prédio da década de 40, na rua Augusta, centro de São Paulo.

Dalma Callado

Unir suas duas grandes paixões, fotografia e mulheres, sempre foi uma prazerosa obsessão. Tripolli interessou-se por imagens na infância – tinha uma tia que dava aulas de escultura na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, e aproveitava-se disso para freqüentar clandestinamente o espaço. Sozinho, explorava as salas e os cantos da escola. Um dia, descobriu um laboratório de fotografia. A primeira câmera, uma Kova 6,35 mm, veio depois, quando trabalhava como office-boy em uma agência de publicidade no Largo da Carioca, aos 14 anos. “Tive que economizar meus primeiros salários quase inteiros para comprá-la.”

Na época, o grande problema era arrumar garotas para fotografar – na década de 60, a profissão de modelo não era bem vista. “Os grandes costureiros usavam mulheres mais velhas, com 24, 25 anos, formadas. E eu não tinha acesso a elas”, relata Tripolli, que arrumou uma solução curiosa para a situação. “Comecei a carreira fotografando prostitutas. Por vaidade ou necessidade, elas se dispunham a posar e, ao mesmo tempo, me ensinavam um pouco da vida.” Menor de idade – com 15 anos –, o fotógrafo esperava as boates fecharem as portas às 5h da manhã, quando elas encerravam o trabalho , e ele começava o seu.

O primeiro ensaio publicado por Tripolli saiu em 1965 na Fairplay, revista pioneira de nu feminino no Brasil, que tinha como editor de arte o escritor e cartunista Ziraldo. “Ele era um garotão, mas já tinha esse jeito bem despachado que cultiva até hoje. Mais tarde, me revelou que a moça era vizinha dele e que a coitada teve de mudar do bairro depois da matéria”, diverte-se Ziraldo.

Paralelo a sua atividade predileta, Tripolli tornou-se um premiado diretor de filmes publicitários. Dirigiu diversas campanhas no Brasil e no Exterior, em especial na França e Itália – tem como preferida a que fez para os jeans Pool em 1982. “Na última SP Fashion Week, muitos me procuraram para lembrar dessa campanha. Foi um marco”, entusiasma-se o fotógrafo, que este ano volta a assinar a campanha da Pool.

Dizendo-se “absurdamente carioca quanto à filosofia de vida”, Tripolli ressalta que foi criado em Vila Isabel e no Grajaú, terra de Noel Rosa e Martinho da Vila. Nasceu praticamente em frente ao clube Maxwell, onde aconteciam os ensaios do Salgueiro, outra fonte de inspiração. “Era muita mulata bonita, alegria. É uma mistura de sons, cores e histórias, porque os enredos fazem você viajar no tempo”, diz ele, que tem três filhos e há doze anos está casado com a também fotógrafa Adriana, sua quinta esposa. Jura que desta vez é para sempre: “Nunca fiquei tanto tempo com uma mulher. É uma cumplicidade que não experimentei antes”.

A receita para manter-se em alta e entusiasmado depois de anos de estrada ele entrega sem segredo. “O sujeito que trabalha muito e não tem tempo para mais nada fica limitado. É preciso ter uma vida paralela rica”, diz Tripolli, para quem o ritmo dos dias está acelerado demais. “Esta é a era do ter, e não do ser. É complicado para quem é boêmio e adora perder, ou melhor, ganhar tempo conversando com os amigos, como eu.”

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