Veja também outros sites:
Home •• Revista ••• Reportagens  
Reportagens

17/03/2003

   
 
AP e Reuters
AP e Reuters
AP e Reuters
AP e Reuters
Lista polêmica: Rodrigo Silveirinha, Newton Cruz, Dorinha Duval e Hosmany Ramos, além dos PMs acusados de matar por asfixia Sandro do Nascimento, seqüestrador do ônibus 174, foram defendidos por Sahione
“Faço o possível para mostrar que meu cliente é um homem comum, que pode ter uma fraqueza’’
Clóvis Sahione

 

Justiça / Clóvis Sahione
Advogado das causas impossíveis
Defensor de Rodrigo Silveirinha, Newton
Cruz, Hosmany Ramos e outros personagens polêmicos, advogado carioca notabiliza-se
pelo rol de clientes e pelos argumentos utilizados junto ao júri

Luís Edmundo Araújo

 
Alessandra Piedras

Em seu último caso, o advogado Clóvis Sahione, 65 anos, conseguiu a absolvição dos três policiais militares acusados de matar Sandro do Nascimento, o seqüestrador do ônibus 174, no Rio, com uma tese curiosa: Sandro teria se sufocado ao se debater entre os braços dos PMs, no camburão onde morreu. “Acho inverossímil, mas aceitaram”, confessa Sahione, para depois justificar: “A tese encontra apoio nos fatos antecedentes, na hora em que aquele homem violentou uma cidade. Era um terrorista, nos Estados Unidos teria levado um tiro na testa”, afirma o advogado. Hoje, ele defende os fiscais da Receita Federal e funcionários da Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro, entre eles o ex-subsecretário de Administração Tributária, Rodrigo Silveirinha, acusados de depositar ilegalmente US$ 33,4 milhões na Suíça durante o governo de Anthony Garotinho.

Foi assim, esforçando-se para justificar os crimes de seus clientes quando não podia negar a autoria, que Clóvis Sahione fez história desde seu primeiro caso famoso,
em 1978. Defendendo uma prostituta que matara um delegado de polícia, convenceu os jurados que ela
agira em legítima defesa da honra. Desde então, passaram pela sua banca réus como a atriz Dorinha Duval, que saiu livre do tribunal, em 1983, após matar o marido; o general Newton Cruz, absolvido em 1992 da acusação de ter
matado o jornalista Alexandre Baumgarten; e até Hosmany Ramos, em 1985, no único julgamento em que o cirurgião plástico foi inocentado das acusações de assalto e homicídio. “Todos os grandes casos no Brasil nos últimos 20 anos passaram por mim”, vangloria-se.

Em alguns deles, como os do ônibus 174 e de Dorinha Duval, Sahione teve o apoio da opinião pública, mas a vontade popular em ver seus clientes considerados culpados nunca foi problema para o advogado. Antes do julgamento de Newton Cruz, por exemplo, o Ibope mostrava que 90% da população eram a favor da acusação. No júri, o resultado foi de 7 a 0 para Sahione. Pronto para ir de encontro à opinião pública com seus novos clientes, o advogado adianta sua tática nesses casos: “Faço o possível para mostrar que meu cliente é um homem comum, que pode ter uma fraqueza”.

Na luta para evitar a prisão preventiva dos fiscais, pedida pela CPI da Assembléia Legislativa do Rio que investiga o caso, Sahione já começou a defendê-los informalmente. “Silveirinha tem três filhos e chora por eles. Carlos Eduardo Ramos tem uma doença grave e perdeu 40 quilos. Lúcio Picanço operou o coração no ano passado e vai operar a vesícula. Não vi nada que me impedisse de defendê-los”, diz ele, casado com Valéria Sahione há 43 anos, pai de sete filhos e avô de 11 netos.

Sahione, que chega diariamente às 6h30 no seu escritório de dois andares em um prédio no Centro do Rio, também recusa clientes. “Não defendo assaltantes, traficantes e estupradores”, afirma. Na lista não estariam incluídos, por exemplo, Guilherme de Pádua e Paula Thomaz, assassinos da atriz Daniela Perez. “Defenderia os dois porque poderiam ser pessoas que momentaneamente perderam a razão”, diz.

Mas Sahione também já foi recusado. Chamado por Benedita da Silva para processar um deputado que acusara seus filhos de falsificar diplomas, percebeu que uma assessora falou ao ouvido da então governadora durante a conversa. “No fim, ela me disse que não poderia ser advogado dela por ter defendido o general Newton Cruz”, conta o advogado que, antes de abraçar a profissão, chegou a ser do Partido Comunista Brasileiro, entre 1955 e 1962. “Era orador oficial do congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes).”

A outra recusa ocorreu por causa de sua ligação com o Flamengo, onde chegou a ser vice-presidente jurídico. Procurado por Eurico Miranda para uma consulta
pessoal, ouviu do presidente do Vasco que ele nunca
poderia ser seu advogado, pois os torcedores não entenderiam. “Foi brincadeira. Sahione é meu amigo. Se tivesse de usar seus serviços passaria por cima de paixões clubísticas”, diz Eurico.

Comente esta matéria
 
 

Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO 189
ENQUETE

Personalidades como Rachel de Queiroz relataram suas experiências com discos voadores. Você acredita que existam seres vivos em
outros planetas?

:: VOTAR ::
 
QUEM SOU EU?
 
FÓRUM
 BUSCA

RESUMO DAS NOVELAS
Saiba o que vai acontecer durante a semana na sua
novela preferida
TESTE
Inteligência Sexual
Quanto mais uma pessoa entende de sexo, mais satisfação na cama ela tem
• Fale conosco
• Expediente
• Assinaturas
• Publicidade
 
| ISTOÉ | ISTOÉ DINHEIRO | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL
© Copyright 1999/2003 Editora Três