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17/03/2003

   
 
Fotos: Leandro Pimentel
A idéia de um carro alegórico com um boneco de Lula de nove metros surgiu na eleição: “O povo se identifica com o Lula. Tinha que gostar daquilo”, afirma

 

Profissão/Cid Carvalho
Campeão da Sapucaí
Ele abandonou o curso de Administração para ser carnavalesco e trabalhou das 8h às 3h nos dois meses anteriores ao desfile que levou a Beija-Flor a sagrar-se campeã falando de fome

Luís Edmundo Araújo

 
Fotos: Leandro Pimentel
Carvalho começou na Beija-Flor em 1989, com Joãosinho Trinta

Nos últimos dois meses, o carnavalesco Cid Carvalho, 33 anos, trocou o apartamento de dois quartos onde mora, em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, por uma sala no barracão da escola de samba Beija-Flor, em plena zona portuária carioca. Responsável – junto com Carlos Shangai e Luiz Fernando Ribeiro, o Laíla – pela comissão de Carnaval da escola de samba de Nilópolis, Carvalho trabalhava diariamente das 8h às 3h. “Só ia em casa aos sábados, para trocar a roupa suja pela limpa”, conta o carnavalesco. A recompensa veio na quarta-feira 5, quando o enredo O Povo Conta a Sua História – Saco Vazio Não Pára em Pé – a Mão Que Faz a Guerra Faz a Paz, deu o título do Carnaval 2003 à Beija-Flor.

Para completar o Carnaval campeão, que falava da fome no Brasil, Carvalho teve uma ajuda do destino. A idéia do último dos sete carros alegóricos da escola surgiu no domingo 27 de outubro, assim que Lula foi eleito presidente. “Bolamos o enredo em abril, quando ninguém imaginava esse resultado, mas claro que a coincidência nos favoreceu”, diz Carvalho, que não tem dúvidas em afirmar que a aposta no carro com um boneco de nove metros de Lula foi a mais acertada. “O povo se identifica com o Lula. Tinha que gostar daquilo”, afirma.

Campeão pela segunda vez com a comissão da Beija-Flor – a primeira foi em 1998 –, Carvalho começou sua carreira, antes de tudo, por amor à escola de samba de Nilópolis. Estudante que largou o curso de Administração de Empresas no meio, bateu no barracão da escola à procura de emprego em 1989. Em resposta à pergunta de Joãosinho Trinta, carnavalesco na época, foi sincero e disse que nunca tinha tido qualquer experiência no Carnaval. Dispensado, foi chamado de volta por Joãosinho quando se preparava para ir embora. “Acho que ele me ouviu dizer a alguém no barracão que eu aprenderia tudo em uma semana”, acredita.

Depois de ajudar Joãosinho em três Carnavais, trabalhou com a carnavalesca Rosa Magalhães em dois títulos da Imperatriz Leopoldinense, em 1994 e 1995, e passou pela União da Ilha do Governador até ser chamado por Laíla para integrar a comissão de Carnaval da Beija-Flor, em 1997, uma idéia que baniu o individualismo da escola. “Aqui tudo é decidido em conjunto, inclusive com a comunidade”, conta Luiz Fernando, que coordena a comissão.

A participação da comunidade fica por conta das reuniões semanais realizadas na quadra da escola, freqüentadas por até 2 mil pessoas. Foi num desses encontros que ficou decidida a exclusão da encenação em que Jesus Cristo empunhava um revólver. A reação da comunidade foi imediata, logo após o ensaio da cena, em janeiro, que virou capa de jornal e rendeu polêmica com a Igreja Católica. “Abandonamos a idéia porque a comunidade achou pesada demais. Se não fosse isso, peitaríamos a Igreja”, diz Cid Carvalho.

Para falar da fome e de todas as mazelas do povo brasileiro, o carnavalesco teve de superar algumas dificuldades, a começar pela falta de patrocínio. A idéia do enredo surgiu da proposta de um empresário para que a escola levasse à avenida Marquês de Sapucaí o mundo da gastronomia. “Daí achamos mais apropriado falar da falta de comida. Perdemos o patrocínio, mas ganhamos um Carnaval”, diz Carvalho. Deu certo, e hoje o talento do carnavalesco é reconhecido até por Laíla, que com 59 anos de idade e 47 de carnaval, esquece um pouco seu combate ao individualismo para elogiar o colega. “Se a comissão acabasse e alguém tivesse de assumir o Carnaval da Beija-Flor sozinho, seria o Carvalho”, afirma, num elogio ao pupilo.

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