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Reportagens

03/03/2003

   
 
Piti Reali
Miéle conta que não é mais tão boêmio hoje, aos 64 anos: “A noite continua maravilhosa, a ressaca é que já
não é mais a mesma”
 

 

Carreira / Luiz Carlos Miéle
Ele é show
Produtor cultural, apresentador de tevê
e cantor, ele acompanhou o auge da Bossa
Nova, conviveu com as estrelas da MPB,
diz que falta ousadia no showbiz de hoje
e volta aos palcos depois do Carnaval

Dirceu Alves Jr.

 

Na sala do apartamento, Elis Regina se aproxima do piano de Luizinho Eça e começa a cantar. Perto da janela, Luiz Carlos Miéle, com um uísque na mão, chama a cantora Olívia Hime, filha do dono da casa, e começa a contar uma piada. Não tarda o primeiro protesto: “Cala a boca, babaca! Elis está cantando. Se você canta melhor, encara essa!”. Miéle não fugiu da raia e, com o piano de Eça ao fundo, cantarolou algumas coisas, sob aplausos. Três dias depois, ele subiu ao palco pela primeira vez. Na mesma noite, o produtor Ronaldo Bôscoli, que, a quatro dias da estréia de um show da cantora Tuca, ainda não tinha um ator para contracenar com a artista, intimou o amigo para a tarefa. “Fechamos o repertório em 48 horas. A casa lotou e vi que era mais um cachê para faturar”, conta Miéle, aos 64 anos, pedindo desculpas, bem-humorado, por não lembrar exatamente as datas de sua vida tão agitada, mas garantindo a veracidade dos fatos ocorridos nos embalos da década de 60.

Histórias como essa serão reunidas em livro e integram o roteiro dos shows que reforçam a fama de Miéle, o showman. “Não gosto dessa palavra, mas é o que define quem faz de tudo um pouco, como eu”, diz. Agora, esse paulistano está de volta aos palcos da cidade que deixou há 44 anos para adotar o Rio. Seu retorno acontecerá com uma temporada no Café Gauguin, casa noturna que será inaugurada em 19 de março. Além disso, divide a cena com o violonista Roberto Menescal e a cantora Wanda Sá no show Apenas Bons Amigos, que deve correr o País, apresenta o programa A
Vida é um Show
, na TVE, e dirige a Casa de Cultura da Universidade Estácio de Sá, no Rio. “Tanto trabalho me afastou da boemia. A noite continua maravilhosa, a
ressaca é que já não é mais a mesma”, brinca Miéle.

O sujeito que nunca foi músico, arranha uma bateria e diz que canta sem a menor seriedade, cresceu ouvindo a mãe, a pianista Regina Macedo, tocar. Descobriu João Gilberto como locutor da Rádio Excelsior, ainda em São Paulo. Mal sabia que, um ano mais tarde, com o salário atrasado pela TV Continental, dividiria espaço no quarto-e-sala de Ronaldo Bôscoli em Copacabana com outros quatro ou cinco, entre eles João Gilberto. “João chegava de madrugada e odiava ser o último a dormir. Então, passava na feira e trazia uma tangerina para Ronaldo. Tinha a desculpa para acordá-lo”, conta ele, que acompanhou o auge da Bossa Nova, produzindo shows ao lado de Bôscoli no lendário Beco das Garrafas e lançando Elis, Wilson Simonal e Claudette Soares. “Tudo era amador e funcionava. Hoje, os shows têm tanta produção que, se tirar o cantor, pode até melhorar.”

A dupla Miéle-Bôscoli virou sinônimo de showbiz. Maria Bethânia cantava apenas por couvert na pequena Boate Blow-Up, em São Paulo, e Elis sapateava no Teatro da Praia, no Rio. “O que eu pedia, a Elis fazia. Na verdade, ela me usava para mostrar ao Ronaldo (marido da cantora, na época) que, quando tratada com cavalheirismo, podia ser um doce”, lembra. Enquanto Bôscoli soltava a imaginação, o parceiro viabilizava as idéias. “Falta um pouco dessa piração, de ousadia hoje”, lamenta Miéle, que pôs um carro de Fórmula-1 no cenário do show de Roberto Carlos em 1970. “Sempre fomos os revisores do Roberto. Ele escolhia um repertório e a gente colocava o champinhom no roteiro”, afirma ele, que concebeu todos os espetáculos do Rei até 2000. “Depois da morte da Maria Rita, ele quer mais é ouvir o coração. Faço uma consultoria de amigo”, afirma.

Casado há 38 anos com Anita, Miéle define que o segredo
é ter dois banheiros em casa. “Ela me conhecia bem. Noivamos numa noite e viajei para um show na madrugada”, conta. O casal não teve filhos, mas Miéle compensa isso
com os herdeiros dos amigos. Participou do novo CD de Simoninha, filho de Wilson Simonal, e cantou com o violo-nista Marcel e o pianista Phillipe, filhos de Baden Powell.
“A Elis, quando ganhou o João Marcello, não tinha leite. Eu saía para buscar. Hoje, ele é presidente de gravadora”, divaga. Uma emoção que Miéle tem adiado é ouvir Maria
Rita Mariano. “Não tenho coragem. Dizem que é a Elis no palco, posso enfartar”, confessa.

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