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03/03/2003

   
 
Reprodução
Há dois anos a costureira aposentada Auri do Canto, 70 anos, deixava sua casa na zona norte para vender salgadinhos na zona sul: 30% do corpo queimados
Leopoldo Silva
AP
 
“Minha avó ficou
em chamas e
quebrou o fêmur’’
Carla Cavalcanti,
neta de Auri do Canto

 

Polícia
Fernandinho, o terror do Rio
Operação comandada por Fernandinho
Beira-Mar, da cadeia, usa bomba caseira em Ipanema, incendeia e depreda ônibus, causa prejuízo de R$ 50 milhões ao comércio e faz vítimas, como a costureira Auri do Canto

Luís Edmundo Araújo

 
AP
Janela estilhaçada na Vieira Souto em Ipanema e ônibus depredado na periferia: Beira-Mar comanda violência gratuita contra ricos e pobres

Há dois anos a costureira aposentada Auri Maria do Canto, 70 anos, fazia tudo sempre igual. Saía de sua casa numa vila no Rio Comprido, zona norte do Rio de Janeiro, por volta das 7h40, pegava o ônibus da linha 410 e saltava no Humaitá, na zona sul, para entregar os salgadinhos feitos pela filha, Rosângela, na cantina do Colégio Pedro II. Na segunda-feira 24, a rotina de Auri foi interrompida a poucos metros de seu destino, em frente ao Morro Dona Marta, em Botafogo. Dois homens entraram pela porta da frente do ônibus, jogaram gasolina no interior do veículo e atearam fogo, reforçando a estatística da violência que tomou conta do Rio durante todo o dia, numa ação que, segundo a Secretaria de Segurança Pública, foi orquestrada pelo traficante Fernandinho Beira- Mar de dentro do presídio de segurança máxima Bangu I.

Com 30% do corpo queimados e o fêmur direito fraturado na tentativa de escapar do fogo, Auri foi levada para o Hospital Souza Aguiar. Outros cinco passageiros do ônibus também ficaram feridos e tiveram de ser internados. O dia de cão no Rio incluiu ainda mais 24 coletivos incendiados, oito depredados, quatro metralhados e um atingido por uma bomba caseira. Ninguém ficou ferido, mas o prejuízo do comércio chegou a cerca de R$ 50 milhões devido ao fechamento das lojas por ordem do tráfico de drogas em 22 bairros da região metropolitana do Rio, segundo dados da Federação de Comércio do Estado.

Para dar início à onda de violência, os bandidos escolhe-
ram a Avenida Vieira Souto, em frente à Praia de Ipanema, um dos endereços mais nobres da cidade. Por volta das 5h, seis homens em três motos invadiram o cartão postal até então poupado pela violência do tráfico e jogaram uma granada de gás lacrimogênio num canteiro em frente ao edifício número 398 da avenida. Em seguida, atiraram três bombas caseiras nos números 420 e 432, atingindo um
vidro de cada prédio. “Acordei pulando da cama com o estrondo. Nunca avaliamos o perigo que corremos até
que aconteça próximo à gente”, disse um morador do
432, que não quis ser identificado e teve um dos vidros
de sua sala furado por estilhaços da bomba caseira.

Ainda na tarde de segunda-feira, o secretário de Segurança Pública, Josias Quintal, disse que a polícia tinha informações, desde o sábado 22, de que haveria uma ação orquestrada por bandidos do Comando Vermelho (CV), a facção crimi-nosa liderada por Beira-Mar. Josias chegou a apresentar uma carta assinada pela facção e supostamente escrita pelo traficante Marquinhos de Niterói, comparsa de Beira-Mar, em que se lia que os atos de vandalismo na cidade só terminariam à meia-noite da terça-feira 25.

Durante todo o dia, 31 suspeitos de envolvimento com o tráfico foram presos. Também foram suspensas por 15 dias as visitas aos líderes do CV presos em Bangu I. Apesar de ataques a ônibus terem sido registrados até as 21h da segunda-feira sem lei no Rio, a governadora Rosinha Ma-theus garantiu que a polícia estava nas ruas, reprimindo a onda de violência e levando de volta a normalidade ao Estado. Para Auri, no entanto, será difícil retomar a vida normal. “Minha avó ficou em chamas, quebrou o fêmur e
não pode nem tratar da perna direito por causa das queimaduras”, resume Carla Cavalcanti, neta da costu-
reira, que divide com a avó e a mãe, Rosângela, a casa
que ainda deve demorar para voltar à rotina.

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