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03/03/2003

   
 
Fotos: Felipe Barra
Caçula entre 15 irmãos, Babá foi o único que nunca precisou trabalhar até chegar à universidade. “Fui muito mimado”, confessa

A cabeça
de Babá

Antônio Palocci:
“Eu não confio nele nem como médico”

José Dirceu:
“Ele está enganado em relação às políticas de alianças e econômicas”

Henrique Meirelles:
“Ele no Banco Central
é a mesma coisa
que um vampiro tomando conta de
um banco de sangue”

Pedro Malan:
“Entregou o Brasil nas mãos dos banqueiros e das multinacionais”

ACM:
“Não deveria nem
ter voltado”

Fome Zero:
“Ajuda a minorar
o problema mas
não resolve”

Reforma da Previdência:
“Os trabalhadores da iniciativa pública ou privada não podem perder mais nada”

Reforma tributária:
“É preciso taxar as grandes fortunas e os especuladores do capital financeiro”

FMI:
“O governo tem
que romper com a política do FMI, ou seja, fome, miséria e indigência. É preciso formar uma frente
dos países devedores para enfrentar
esse monstro”

ALCA:
“Essa é a tentativa
dos Estados Unidos
de transformar os países da América Latina em colônia”

 

Política
Babá o radical do PT
O deputado que ganhou notoriedade por
criticar o governo Lula foi militar, fez
pós-graduação no ITA, e vaidoso, só lava
os longos cabelos com xampu de própolis

Cecília Maia

 
Fotos: Felipe Barra
Com a mulher Ana Cláudia e o filho
Thiago:
“Sou trotskista”, diz ele

O deputado João Batista Araújo, mais conhecido como Babá, 49 anos, tinha duas opções de vida na juventude: seguir a carreira militar ou se tornar um radical de esquerda. Para tristeza do governo do Lula, seguiu a segunda. “Eu não fui, eu sou trotskista até hoje”, avisa. Babá, apelido que carrega desde a infância, pertence à Corrente Socialista dos Trabalhadores, uma
ala do PT que tem ligações com o socialismo
internacional. Prega o rompimento com o FMI, acha
absurda a aliança do PT com o PL, abomina o pre-
sidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e car-
rega seus discursos com chavões anti-imperialistas.

Parece tudo muito antigo, mas a verdade é que ao lado dos deputados Luciana Genro e Lindberg Faria e da Senadora Heloísa Helena, Babá, até então um anônimo no Congresso, está despontando como uma liderança. Já nem pode mais andar nas ruas sem ser reconhecido. “As pessoas estão vindo falar comigo porque eu não me afastei dos meus princípios, eles é que estão perdendo a coerência”, critica, referindo-se à cúpula de seu partido.

Seu estilo ultra-combativo cria polêmica no Congresso. Entre os parlamentares da oposição ele ganhou torcida, e entre os governistas, virou motivo de preocupação. Mas ambos são unânimes ao comentar sua figura exótica. Especialmente por causa dos cabelos que chegam à cintura. Poucos sabem, mas esse militante incorrigível é extremamente vaidoso. Só usa xampu de própolis com mel de uma fábrica paraense, seu Estado natal, e nunca deixa de passar cremes para hidratá-los. Para compor o visual, há dois anos pôs um brinquinho na orelha esquerda. “No começo me gozaram muito, mas depois se acostumaram”, afirma.

Babá, casado com Ana Cláudia e pai de Thiago, 2 anos, e de Bruna, 17, filha do primeiro casamento, não liga. Está acostumado a chamar a atenção. Enquanto a maioria exibia longas madeixas e desfilava de calça jeans desbotada nas assembléias de estudantes das universidades, ele assistia às aulas de engenharia mecânica na Universidade Federal do Pará de terno, gravata e cabelos muito bem cortados. É que nesse período era também Oficial de Justiça concursado e bem remunerado. Tão logo se formou, fez concurso e foi aprovado para ser tenente da Marinha no Rio de Janeiro. Só não seguiu a carreira porque foi aceito na pós-graduação do conceituado ITA, o Instituto Tecnológico da Aeronáutica, onde defendeu tese sobre energia solar.

Mais tarde, quando todos se formaram, cortaram os cabelos e se enfiaram num terno e gravata, Babá abandonou o barbeiro, doou os ternos e trocou a vida certinha que levava por megafones, greves e confusões com a polícia. “Comecei a militar na assembléia de professores da Universidade Federal do Pará, na greve de 1979”, lembra.

Caçula entre 15 irmãos, Babá, que já está cumprindo seu segundo mandato de deputado federal, nasceu em Faro, uma pequena cidade do Pará, mas foi criado em Parintins, no Amazonas, a terra das festas do boi-bumbá. Cresceu em meio à dança, às brincadeiras no rio e ao barco do pai que passava de cidade em cidade trocando mercadorias. Aos 13 anos se mudou com a família para Belém e foi o único dos Araújo, que nunca precisou trabalhar até chegar à universidade. “Eu fui muito mimado”, confessa.

 

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