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Cláudia Miki alerta que bronzeamento
não é saudável para a pele das pessoas |
Milhares
de pessoas lançam mão, a cada ano, do bronzeamento artificial
a fim de manter a cor ou adquiri-la de maneira rápida e segura.
É fato, entretanto, que esse procedimento não é
seguro. A
radiação ultravioleta das câmaras de bronzeamento
é tão prejudicial quanto a radiação solar.
As máquinas emitem ondas de 320
a 400 nanômetros (nm), equivalentes à radiação
UVA (ultravioleta A). Esse tipo de radiação destrói
as células cutâneas, levando à alteração
do colágeno
e da síntese de elastina. Isso resulta em rugas, pigmen-tação
anormal e flacidez, entre outros problemas.
A
radiação UVB (ultravioleta B, 290 a 320 nm), não
emitida pelas máquinas de bronzeamento artificial, é
responsável
pela queimadura solar e, combinada à radiação
UVA, aumenta a predisposição ao câncer de pele.
Mesmo emitindo só radiação UVA, as máquinas
não estão isentas dos efeitos nocivos da radiação
ultravioleta. A exposição excessiva no bronzeamento
artificial – para o qual não se usa filtro solar –
também leva a queimaduras e conseqüentes danos celulares,
aumentando o risco de câncer de pele. É fundamental
o paciente se informar se o estabelecimento segue as disposições
da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que entram em vigor este
mês. Entre elas estão a assinatura
pelo paciente de um termo de responsabilidade e uma avaliação
médica que verifique tipo de pele, histórico familiar
de câncer de pele e pintas suspeitas.
Com
relação às pílulas de bronzeamento,
o composto
ativo na maioria delas (cantaxantina) não tem aprovação
do FDA (Food and Drug Administration, órgão americano
que controla os medicamentos) e os efeitos colaterais podem incluir
de náuseas a hepatite induzida por droga. Já as
loções autobronzeadoras mostram-se seguras, desde
que aplicadas conforme orientação. Mas não
protegem a pele
dos raios ultravioleta e requerem a utilização de
filtro solar. Os
benefícios dos raios ultravioleta para a saúde existem,
apesar de poucos, e entre eles a necessidade do UVB
no metabolismo da vitamina D é o principal. Uma
breve exposição diária (em média 10
minutos) numa pequena
área de pele é suficiente. A ação dos
raios é importante também no tratamento de doenças
de pele.
Para
atenuar os efeitos nocivos do sol, já que a tentação
de manter a pele bronzeada num país como o nosso é
grande, algumas recomendações: a ingestão de
líquidos, a escolha do filtro solar adequado, o uso de hidratante
após a exposição ao sol e a exposição
antes das 10h ou depois das 15h.
A
prática do bronzeamento artificial infelizmente ainda é
comum. Talvez porque só recentemente haja um trabalho de
conscientização quanto às conseqüências
nocivas da radiação ultravioleta e à necessidade
diária do filtro solar. Apesar da constante associação
do bronzeado a um aspecto saudável, precisamos lembrar que
o bronzeamento nada mais é do que uma reação
da pele aos raios ultravioleta, e que 80% do acúmulo destes
raios em nossa pele acontecem até os 18 anos, sendo os efeitos
nocivos percebidos tardiamente. Na maioria dos casos, os problemas
surgem após os 40 anos de idade, mas dependendo do tipo de
pele da pessoa e da predisposição genética,
é possível que os efeitos nocivos apareçam
mais precocemente.
Cláudia
Miki é dermatologista no Rio de Janeiro, especializada
em
medicina estética e membro da American Academy of Dermatology
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