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Ser
filho de Marília Gabriela, uma das mais conhecidas e respeitadas
jornalistas do País, não impediu que Theodoro Cochrane,
24 anos, encontrasse obstáculos no caminho para se tornar
ator. Antes de ganhar o primeiro papel na televisão, o revolucionário
Pedro Santos e Silva da minissérie A Casa das Sete Mulheres,
ele foi recusado em dezenas de testes e perdeu a conta de quantas
vezes pensou em desistir da carreira. Segundo ele, em vez de ajudar,
o fato de ter uma mãe famosa fez com que fosse discriminado.
“Era como se dissessem: a Marília já é
bonita, inteligente, casada com um galã e agora quer mais
um famoso na família?”, diz ele.
Theodoro
conta que a cobrança sempre foi maior e que precisa estar
sempre provando que estuda, trabalha e tem talento. “As pessoas
acham que por ser filho de famoso você é preguiçoso
e tem tudo de mão beijada.” Por isso, fez questão
de sempre manter a mãe afastada de sua vida profissional.
“Compreendo que ele queira construir sua carreira dissociada
da minha imagem”, diz Marília, lembrando que, por causa
da resistência de Theodoro, só recentemente conseguiu
vê-lo atuando no teatro.
Hoje,
ele sabe que não tem mais como esconder que é filho
de Marília e está tentando se acostumar. “Acho
ruim ser a sombra da minha mãe o tempo inteiro, mas o que
posso fazer? Tenho mais é que agradecer o fato de ela ser
quem é.” Se no teatro e na tevê Theodoro preferiu
seguir sozinho, em casa a história é outra. “Ela
é a mãe mais coruja do mundo, acho que sou até
meio mimado.” A jornalista explica que procura não
ser uma supermãe, mas às vezes se questiona se não
está exagerando no cuidado com os filhos. “Perdi minha
mãe aos 14 anos, talvez eu quisesse passar para eles o que
não tive”, justifica.
Antes
de decidir ser ator, Theodoro quis ser pintor e diretor de cinema
de Hollywood. Chegou a viajar para Los Angeles em 1999, aos 18 anos,
para estudar cinema. Mas oito meses depois, já estava de
volta, disposto a investir na carreira de ator. Com dúvidas
sobre se poderia viver só da interpretação,
acabou se dividindo entre o curso de teatro de Antunes Filho e a
faculdade de Desenho Industrial. Ao fazer seu primeiro teste na
tevê chegou a pensar que não se enquadrava nos padrões
de beleza e optou, naquele momento, pelo desenho. “Quando
entrei na sala, pensei: sou horroroso e aqui só tem gente
linda.” A história mudou.
A
virada em sua vida começou ano passado, quando, já
cursando outra faculdade, a Escola de Artes Dramáticas da
USP, finalmente conseguiu um trabalho na tevê: participou
de um episódio do seriado Sandy & Junior. A oportunidade
lhe deu forças para, em seguida, vencer a timidez e ligar
para a autora Maria Adelaide Amaral pedindo uma chance em A Casa.
A ousadia deu resultado e ele foi chamado para um teste. Nele, por
coincidência, teve que encarnar o Edu de Laços de
Família, personagem vivido por Reynaldo Gianecchini,
marido de sua mãe. “Até fui pedir conselhos
para o Giane, mas ele brincou dizendo que era melhor não,
pois ele havia sido muito criticado nessa época”, conta.
Por
causa das gravações da minissérie, Theodoro
se transferiu para o Rio e encontrou abrigo no apartamento de Gianecchini,
na Gávea, Zona Sul da cidade. Além da vantagem de
poder trocar experiências sobre a profissão, essa convivência
com Gianecchini trouxe outro benefício
para o ator: a boa forma. Há cinco anos, Theodoro pesava
83 quilos e só passou a se cuidar quando conheceu o
marido da mãe, ainda em São Paulo. “Vi que ele
não era bonito por natureza, que tinha vaidade: cuidava da
alimentação, fazia atividades físicas, tratava
da pele e do cabelo.” Hoje, sete quilos mais magro, mantém
a forma praticando Yoga Ashtanga todos os dias. 
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