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24/02/2003

   
 
André Durão
Theodoro, que pratica Yoga Ashtanga todos os dias, aprendeu a se cuidar com Gianecchini: “Vi que ele não era bonito por natureza,
que tinha vaidade”

 

Revelação / Theodoro Cochrane
Vôo solo
Ele conta que sofreu preconceito por
ser filho de Marília Gabriela e querer
ser ator e fala da relação com Reynaldo Gianecchini, marido de sua mãe

Carla Felícia

 

Ser filho de Marília Gabriela, uma das mais conhecidas e respeitadas jornalistas do País, não impediu que Theodoro Cochrane, 24 anos, encontrasse obstáculos no caminho para se tornar ator. Antes de ganhar o primeiro papel na televisão, o revolucionário Pedro Santos e Silva da minissérie A Casa das Sete Mulheres, ele foi recusado em dezenas de testes e perdeu a conta de quantas vezes pensou em desistir da carreira. Segundo ele, em vez de ajudar, o fato de ter uma mãe famosa fez com que fosse discriminado. “Era como se dissessem: a Marília já é bonita, inteligente, casada com um galã e agora quer mais um famoso na família?”, diz ele.

Theodoro conta que a cobrança sempre foi maior e que precisa estar sempre provando que estuda, trabalha e tem talento. “As pessoas acham que por ser filho de famoso você é preguiçoso e tem tudo de mão beijada.” Por isso, fez questão de sempre manter a mãe afastada de sua vida profissional. “Compreendo que ele queira construir sua carreira dissociada da minha imagem”, diz Marília, lembrando que, por causa da resistência de Theodoro, só recentemente conseguiu vê-lo atuando no teatro.

Hoje, ele sabe que não tem mais como esconder que é filho de Marília e está tentando se acostumar. “Acho ruim ser a sombra da minha mãe o tempo inteiro, mas o que posso fazer? Tenho mais é que agradecer o fato de ela ser quem é.” Se no teatro e na tevê Theodoro preferiu seguir sozinho, em casa a história é outra. “Ela é a mãe mais coruja do mundo, acho que sou até meio mimado.” A jornalista explica que procura não ser uma supermãe, mas às vezes se questiona se não está exagerando no cuidado com os filhos. “Perdi minha mãe aos 14 anos, talvez eu quisesse passar para eles o que não tive”, justifica.

Antes de decidir ser ator, Theodoro quis ser pintor e diretor de cinema de Hollywood. Chegou a viajar para Los Angeles em 1999, aos 18 anos, para estudar cinema. Mas oito meses depois, já estava de volta, disposto a investir na carreira de ator. Com dúvidas sobre se poderia viver só da interpretação, acabou se dividindo entre o curso de teatro de Antunes Filho e a faculdade de Desenho Industrial. Ao fazer seu primeiro teste na tevê chegou a pensar que não se enquadrava nos padrões de beleza e optou, naquele momento, pelo desenho. “Quando entrei na sala, pensei: sou horroroso e aqui só tem gente linda.” A história mudou.

A virada em sua vida começou ano passado, quando, já cursando outra faculdade, a Escola de Artes Dramáticas da USP, finalmente conseguiu um trabalho na tevê: participou de um episódio do seriado Sandy & Junior. A oportunidade lhe deu forças para, em seguida, vencer a timidez e ligar para a autora Maria Adelaide Amaral pedindo uma chance em A Casa. A ousadia deu resultado e ele foi chamado para um teste. Nele, por coincidência, teve que encarnar o Edu de Laços de Família, personagem vivido por Reynaldo Gianecchini, marido de sua mãe. “Até fui pedir conselhos para o Giane, mas ele brincou dizendo que era melhor não, pois ele havia sido muito criticado nessa época”, conta.

Por causa das gravações da minissérie, Theodoro se transferiu para o Rio e encontrou abrigo no apartamento de Gianecchini, na Gávea, Zona Sul da cidade. Além da vantagem de poder trocar experiências sobre a profissão, essa convivência com Gianecchini trouxe outro benefício
para o ator: a boa forma. Há cinco anos, Theodoro pesava 83 quilos e só passou a se cuidar quando conheceu o
marido da mãe, ainda em São Paulo. “Vi que ele não era bonito por natureza, que tinha vaidade: cuidava da alimentação, fazia atividades físicas, tratava da pele e do cabelo.” Hoje, sete quilos mais magro, mantém a forma praticando Yoga Ashtanga todos os dias.

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