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| “Achava
que Lula não entendia meu trabalho. Hoje em dia, fazemos roupa
até por telefone’’ Ricardo Almeida |
Vestir
homens famosos faz parte do cotidiano de Ricardo Almeida. Desde
que assinou o figurino do personagem de Raul Cortez na minissérie
da Rede Globo O Sorriso
do Lagarto, em 1991, o estilista paulistano coleciona uma cartela
de clientes ilustres que vai do apresentador Gugu Liberato ao cantor
Milton Nascimento. A lista incluiu também os atores Ney Latorraca,
Edson Celulari, Marcello Antony, Luigi Baricelli e Fábio
Assunção e os cantores Alexandre Pires, Zezé
Di Camargo & Luciano e Sandy & Junior. Desde a cerimônia
de posse de Luiz Inácio Lula da Silva, ele também
passou a ser conhecido como o estilista do presidente. O terno impecável
exibido por Lula trazia na etiqueta o nome Ricardo Almeida.
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| Lula
na cerimônia de posse, em Brasília, com o terno feito sob medida
pelo estilista, com exceção da camisa e da gravata: “Como o
pescoço dele é curto, o camiseiro já fez o colarinho para não
incomodá-lo”, conta Almeida |
A relação
com o presidente começou durante a campanha eleitoral por
indicação do marqueteiro da campanha, Duda Mendonça.
“Na primeira vez que nos vimos, ele achou que eu era um alfaiate
que apenas tiraria suas medidas”, lembra. “Consegui
terminar o molde, mas quase desisti. Achava que ele não entendia
meu trabalho e que estava atrapalhando o dia dele.” Hoje em
dia, a relação com Lula é bem diferente. “Fazemos
roupa até por telefone”, diz. O presidente é
um cliente comedido. Abre mão das camisas confeccionadas
com tecidos importados de Ricardo Almeida para vestir as da camisaria
baiana Ernesto de Tomazo. “A minha camisa é bem mais
cara do que a que ele usa”, admite. “Como o pescoço
dele é curto, o camiseiro já fez o colarinho de um
jeito para não incomodá-lo. Eu teria que fazer um
molde também de camisa”, diz.
Outro
político preocupado com a elegância e adepto do guarda-roupa
proposto pelo estilista é o senador Eduardo Suplicy. Suplicy
conheceu o estilista através de Supla,
seu filho. “Ele são amigos e até já desenharam
roupas juntos”, conta. “Há dois anos, o Ricardo
quis me mostrar
uns ternos e desde então compro com ele. São peças
bonitas e bem-feitas”. O ator Luigi Baricelli destaca a alfaiataria
impecável do estilista. “A roupa dele é uma
roupa que cai e fica”, explica.
O ingresso
de Ricardo Almeida na moda aconteceu por acaso em 1974, quando tinha
19 anos. “Eu corria de motocicleta e pedi uma ajuda a um amigo
que cuidava de patrocínio na Ellus. Ele não me arrumou
o patrocínio mas me deu emprego como vendedor”, lembra.
Depois, foi trabalhar numa camisaria e descobriu que tinha talento
para a profissão. “Eu pedia para o dono deixar eu escolher
os tecidos, pois, com tecidos mais bonitos, eu venderia mais camisas”,
conta. A ousadia começou naquela época. Passou a criar
modelos diferentes. Mudava a gola e o punho e invertia as listas.
Mesmo
nascido no conforto de uma família de classe média
alta, as responsabilidades começaram cedo. Aos 11 anos,
já ajudava nas vendas de Natal da loja de cama e mesa do
pai, a Casa Almeida Irmãos, no shopping Iguatemi, em São
Paulo. “Meu pai nunca me deu grana, eu tive sempre que
me virar”, diz. Se hoje em dia os ternos que custam em
média R$ 2 mil são peças cobiçadas entre
os homens mais elegantes do País, o começo da grife
que leva o seu nome
foi difícil. Em 1985, o estilista vendeu sua parte na sociedade
de uma confecção para encarar o mercado sozinho. “Eu
não tinha nome. Quem era Ricardo Almeida? Eu pensava: ‘bem
que meu sobrenome podia ser italiano’”. O tempo
e o talento mostraram que a cobiça era desnecessária.
Hoje, Ricardo Almeida, que teve a top model Gisele
Bündchen na passarela e a primeira-dama Marisa da
Silva na platéia, é uma etiqueta tão ilustre
no Brasil
quanto Ermenegildo Zegna e Giorgio Armani.
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