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Paulo
Vanzolini é um símbolo da cidade de São
Paulo. Doutor em bichos – ele também é
zoólogo pós-graduado em Harvard – e
em samba, sua obra é enxuta, mas rigorosa. Possui
pouco mais de 60 canções gravadas, das quais
52 estão reunidas na caixa Acerto de Contas,
recém-lançada pela gravadora Biscoito Fino.
É uma antologia com participações de
gente graúda do samba carioca e paulista, produzida
pelo violonista Ítalo Perón. Chico Buarque,
Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Paulinho Nogueira, Eduardo
Gudin, Inezita Barroso (primeira a gravar o clássico
“Ronda”) e Miúcha são algumas
das vozes que se revezam no disco. Nota-se a ausência
do cantor Noite Ilustrada, o primeiro a lançar “Volta
por Cima”, em 1963. Noite ainda está em plena
atividade na noite paulistana, mas ficou de fora do projeto.
“Volta por Cima”, aliás, é uma
expressão que entrou para o dicionário de
língua portuguesa Aurélio, consagrada pela
letra do samba de Vanzolini. É um exemplo que mostra
a capacidade do compositor para realizar a crônica
da cidade e falar de sua gente. “Para mim, Vanzolini
e Adoniran Barbosa são os dois maiores sambistas
de São Paulo”, diz Elton Medeiros. Muitos de
seus sambas revelam uma cidade boêmia, às vezes
triste e violenta. “Ronda” é um relato
quase cinematográfico e foi feita no bar. Vanzolini
passou boas horas freqüentando o bar Jogral, no centro
de São Paulo, e tomava cachaça com gelo (!).
Mas o Vanzolini que emana de Acerto de Contas transpõe
o folclore etílico e o hino “Ronda”,
mostrando um compositor em permanente vigília e observador
do seu tempo.
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