06 de dezembro de 1999
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Música

Um brega na família do rock
Flávio Landau, irmão de Rogério Flausino, do Jota Quest, e Wilson Sideral, lança CD e se diz cafona

Rodrigo Cardoso
de Alfenas (MG)

Amineira Dacha de Oliveira, 49 anos, de Alfenas, sul de Minas Gerais, foi procurada por Gente na sexta-feira 19:
- Dona Dacha, queremos fazer uma reportagem com seu filho...
- Ah, com o Wilsinho - deduziu.
- Não, não.
- Com o Rogerinho, então.
- Não, senhora.
- O quê? Com o Landau?!

Dacha é professora de Literatura, Wilsinho é o roqueiro Wilson Sideral, 24 anos, que vendeu 20 mil cópias do primeiro CD, Um, e Rogerinho é o vocalista Rogério Flausino, 27 anos, do Jota Quest, banda de pop rock de maior sucesso nesse ano. Landau, motivo da surpresa para Dacha, é Flávio Roberto Landau, 21 anos, o caçula, que se inicia na carreira artística, só que cantando música brega. A família Oliveira, famosa graças ao rock’n’roll dos filhos, tem a sua versão assumidamente cafona. “Uso sapato do Ricky Martin, pulseira do Milionário e Zé Rico e chapéu do Allan Jackson. Sou o Ricky Martin do Paraguai”, define-se Landau.

Há dois meses, Landau concluiu o primeiro CD independente, Chegue Perto de Mim. Escreveu as 17 músicas, cantou e tocou baixo, guitarra, violão e bateria. Também entregou pessoalmente os CDs nas lojas de Alfenas e vendeu 20 cópias em cinco dias (100 até hoje). Sua mãe fez a propaganda na escola e os amigos buscavam o disco em sua casa. Foi opção de Landau não seguir a linha musical dos irmãos. “Eu estou atrás de identidade e não de sucesso”, explica. “E a contramão, hoje, é usar chapéu”. Rogério Flausino mostrou o trabalho do irmão ao produtor Dudu Marote, que lançou o grupo Skank e o próprio Jota Quest. “Ele está amadurecendo e vai brilhar em 2000”, aposta Flausino.

Landau não contou para a família que produziria um disco. Em dezembro passado, chegou ao apartamento que divide com a irmã Letícia, 20 anos, em Belo Horizonte, sorridente. Na cozinha, jantavam Flausino e Sideral. Landau ligou o som. “Ó só um negócio aqui”, disse. Ao ouvirem o irmão embalar o refrão “Hey, baby, chegue perto de mim, yeah!”, os dois cuspiram o macarrão que comiam para gargalhar. Landau já esperava a reação. “Adoro rir das minhas canções. Eu faço música para velhos e crianças”, diz. “Quero tocar em emissoras AM, em cidades do interior.” Depois disso, Landau procurou o restante da família. Um tio lhe disse: “Bicho, você é muito doido”. E Landau: “Uai, então tá, né!”. Sua mãe achou as músicas “bonitinhas”. O pai, Wilson, conceituado cirurgião- dentista, professor de Patologia Bucal e secretário do prefeito de Alfenas, olhou para a esposa, coçou a cabeça e desatou a rir. “Meu Deus do céu, o que esse cara está fazendo?”, disse. “Três cantores é demais!”

O pai surpreendeu-se, porque, até um ano atrás, Landau era tímido, desafinado e não gostava de cantar. Seu negócio era fazer barulho. Ele pegava caixas de papelão, cadeiras, bacias, carrinho de feira e montava uma bateria no terraço de casa. Mais tarde, virou baterista de verdade na banda de Sideral. Para tanto, Landau largou o segundo ano da faculdade de Computação. “Matemática para mim era gritar um, dois, três, quatro e tocar.” Mas só soltou a voz depois que a namorada viajou para o exterior, no início do ano. Quilômetros de canções surgiram em sua cabeça e uma mini-história de amor, cantada numa seqüência de quatro músicas - “Vou Voar no meu Landau”, “No Capô do meu Landau”, “Bebi Mais que o meu Landau” e “Joguei Fora o meu Landau”. Juntas, elas formam “A Quadrilogia do Landau”.

Envie esta página para um amigoO apelido é um alter-ego criado pelo músico. Ele tatuou no peito um desenho do carro. Para manter a linha, completam sua banda o tecladista McLaren, o baterista Maverick e o baixista Polara. No show, denominado Flávio Roberto Landau e seus mais novos personagens, o cantor troca de apelido. Vira Massey Ferguson (marca de um trator), Velotrol e Basculante, cada um com uma música própria. Em “Basculante Apaixonado”, ele vai de caminhão atrás da namorada nos Estados Unidos e encontra os cantores americanos Jim Morrison e Bruce Springsteen. Landau os imita e a comédia impera. “Faço teatro no palco”, diz. Na pele de Caetano Veloso, Landau canta “Knocking on heaven’s door”, de Bob Dylan, que abrasileirada virou “Bate, bate, bate na porta do céu”. “É brega demais e eu gosto disso”, ele ri.

Em um ano, Landau fez 88 apresentações. Na última delas, um senhor, em meio a gargalhadas, caiu da cadeira. Apesar de ganhar R$ 200 por show, ele é tratado como astro. O dono do bar vai buscá-lo em casa com um Landau - o cantor ainda não sabe dirigir - e sua chegada é triunfal, com o carro rodeado de fãs. Landau, inclusive, já possui dois fã-clubes. Sua mãe, Dacha, diz que nenhum dos filhos admite ficar na sombra do outro. Por isso, Landau fez um vídeo e o entregará às gravadoras. Em quinze minutos, ele narra em inglês sua breve biografia de 21 anos - com legendas em português - e em português, com legendas em grego. Será seu cartão de visitas brega.
 

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