06 de dezembro de 1999
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Polícia

As orgias de Glória Trevi
Acusada de abuso sexual, corrupção de menores e seqüestro, cantora mexicana foge para o Brasil

Cesar Guerrero

A cantora e apresentadora mais polêmica do México está no Brasil em lugar ainda desconhecido da polícia brasileira. Ela apenas achou que o País seria um esconderijo adequado. Glória Trevi, 28 anos, um furacão de popularidade sobretudo entre os jovens mexicanos, está fugindo da Interpol. Ela e seu empresário Sérgio Andrade são acusados de abuso sexual e corrupção de menores. Glória despontou para o sucesso no final da década de 80, com um visual rebelde e atraente, com meias sempre rasgadas, cabelo desgrenhado e, nas músicas, letras que abordavam temas como separação dos pais e crises da adolescência. A fórmula produziu um resultado fulminante. Sete discos lançados, um programa na Televisa, a emissora líder de audiência no México, e o respeito da crítica.

A carreira ia bem demais até que surgiu a primeira acusação, em 1997. Glória dividia a mansão, na Cidade do Mexico, com Sérgio e dezenas de meninas. As jovens, de 14 a 17 anos, eram ajudantes de palco e dançarinas. Trabalhavam nos shows ao vivo e nas gravações do programa de televisão. Aline, uma das meninas, contou no livro Glória e Infierno tudo o que acontecia na mansão. Na obra, detalhou cenas de abuso sexual e humilhações pelas quais as garotas passavam.

Envie esta página para um amigoO empresário, que cometia os abusos muitas vezes diante da cantora, é irmão do senador Eduardo Andrade, do partido do governo. Denúncias de outras ajudantes de palco dão conta de que Sérgio mantinha várias relações sexuais por dia com garotas diferentes. As jovens eram atraídas pela imagem de Glória e depois caíam nos braços do empresário. Também constam das denúncias relatos de ameaças e consumo de infusões que teriam efeito entorpecente.

A jovem Karina Gómez Yapor, que foi morar na mansão, engravidou. A família da menina fez uma queixa na polícia mexicana, mas a cantora e o empresário fugiram e de quebra levaram a vítima. Como Karina é menor de idade, a Justiça mexicana incluiu seqüestro na lista de acusações contra Glória e Sérgio. Na última semana de novembro, a mãe de Karina, Teresita Gómez Yapor, recebeu um telefonema da filha. Na ligação, que foi feita do Brasil, Karina dizia que seria libertada se a família retirasse as acusações.
 

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