06 de dezembro de 1999
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Passarelas

Gianne dá as cartas
Aos 13 anos, a modelo entrou no circuito de moda internacional, deu uma fábrica para o pai e agora, aos 18, comprou um carro e vai voltar a estudar

Alessandra Nalioe

Foto: Piti Reali

Quando era pequena, Gianne Albertoni costumava vestir as roupas da mãe e sair desfilando pela casa, seguida pelo irmão, Kléber, que empunhava uma câmera de papelão e fingia filmá-la rodopiando sobre a passarela imaginária. Apesar disso, a menina não sonhava em ser modelo. “Aquilo era só brincadeira. Queria estudar para, quem sabe, no futuro ter um escritório e mandar em todo mundo”, brinca. Quando tem tempo, Gianne continua desfilando para o irmão, que se forma no ano que vem em Publicidade e Propaganda. “Tenho uma modelo profissional que trabalha de graça para mim”, vangloria-se Kléber, 20. Top model internacional, Gianne fica no Brasil apenas dois meses por ano. No restante, freqüenta o circuito da moda Paris-Milão-Nova York. Ela acaba de chegar de Milão, na Itália, onde participou da última temporada, em setembro, desfilando para Dolce & Gabanna, Gucci e Armani. Ano passado, morou nove meses em Nova York e posou para os fotógrafos Bruce Weber, Mario Testino e Steve Meisel.

A história de conto de fadas é quase sempre a mesma: uma bonita garota é avistada por um olheiro ou especialista em moda que a convida a se apresentar a uma agência de modelos. Da noite para o dia, torna-se mais um rosto no circuito da moda nacional e, com um pouco de sorte, internacional. Com Gianne Albertoni não foi diferente. Em 1995, ela passeava com a mãe, Maria Tereza, pelo Parque do Ibirapuera, em São Paulo, quando um fotógrafo enxergou nela potencial para a carreira - e que potencial: olhos azuis esverdeados e 55 quilos distribuídos em 1,79 metro de altura (hoje tem 1,80 e 57 quilos). Quatro meses depois, com apenas 13 anos, Gianne já desfilava para grifes como Versace, Armani, Prada, Fiorucci. Provocou escândalo por ser a primeira modelo a participar, tão nova, de desfiles internacionais, ao lado de veteranas como Claudia Schiffer e Naomi Campbell. “Fui com o seguinte pensamento: se não der certo, eu volto e continuo minha vida de estudante”, lembra.

Envie esta página para um amigoAntes, o mais perto que Gianne havia chegado de uma passarela foi em 1994, quando a elegeram Rainha da Primavera do colégio Mater Amabilis, em Interlagos. Mas nem assim atraiu olhares masculinos. “Era magricela, tinha pernas finas e os garotos não me paqueravam porque eu não era gostosa”, diz. Filha de uma dona de casa e de um fiscal de limpeza urbana de São Paulo, ela cresceu na periferia da cidade levando uma vida simples. Com o sucesso, montou para o pai, Vilson, uma metalúrgica em Presidente Prudente, interior de São Paulo. Deu um Corsa para o irmão e o ajuda a pagar a faculdade. A casa onde mora com a família, no Alto da Lapa, é alugada, mas em breve a modelo comprará uma. “Estamos sem tempo para procurar”, explica Tereza, que se tornou empresária da filha e a acompanha nas viagens. Em julho, quando fez 18 anos, Gianne tirou carteira de motorista e comprou um carro Honda Civic. Nos meses em que está em São Paulo, prefere a companhia dos amigos e da família, principalmente do irmão. “Eles sempre brincaram juntos. Jogavam vôlei na rua e corriam com os outros garotos”, conta a mãe, que lembra quando, enjoada da coleção de Barbies, Gianne vendeu-as às amigas.

Aos 18 anos, Gianne já é considerada uma veterana. “É bom ter experiência numa coisa e ser nova ao mesmo tempo. Tenho orgulho de ser uma referência para algumas garotas hoje”, diz. Em dois ou três anos, ela quer diminuir o ritmo do trabalho como modelo, para se dedicar a uma nova experiência profissional. “O sonho de toda modelo é fazer todos os desfiles internacionais, e eu já fiz.” O próximo passo é concluir o ensino médio e investir numa faculdade de Comunicação. “Quero ter um programa de tevê, quem sabe.”
 

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