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18/11/2002

   

Capa
Esta menina matou os pais
continuação

 
Piti Reali
Escritório de Manfred na Dersa: cadeira
vazia e compromissos anotados

Na casa, onde não houve arrombamento, foram roubados cerca de R$ 8 mil, US$ 5 mil, mil euros e jóias. Um cenário para parecer latrocínio havia sido montado. “Nesses casos, revira-se a casa inteira, não apenas o local do crime. Além disso, a arma não ficaria no chão, ao lado da vítima, ela teria sido levada”, diz Armando Costa Filho, delegado do DHPP, e principal auxiliar da delegada Cíntia Gomes, que preside o inquérito. A pista para a polícia chegar aos três foi a moto comprada por Cristian com 36 notas de US$ 100. As jóias roubadas foram encontradas no domingo 10 no sítio da namorada de Cristian em São Paulo.

Reprodução
Mosaico de fotos de
Andreas, também dado no
Dia dos Pais, que está na
mesa de trabalho de
Manfred:
o adolescente está sob os cuidados do tio e da avó e voltou à escola na segunda-feira 11

No dia seguinte ao crime, o pai de Cristian e Daniel, o escrivão aposentado Astrogildo Cravinhos amanheceu na casa dos von Richthofen e passou o dia lá, segundo vizinhos. O investigador Robson chegou por volta das 9h, aproximou-se dele e começaram a conversar. “Esquisito, heim? Por que mataram os dois à paulada e deixaram a arma do lado?”, questionou Astrogildo. Ele contou ao investigador que conhecia Manfred. “Na mesinha do fundo da casa tomei cerveja com ele, mas de repente, ele começou a não aceitar o namoro da filha com o meu menino.” Astrogildo, que tem duas passagens pela polícia por estelionato, diz não ter explicação para o crime. No domingo 10, ele foi ao culto na igreja luterana celebrada pela memória de Manfred e Marísia, a convite de Andreas.

Desde a sexta-feira 8, Suzane, Daniel e Cristian estão presos. Eles deverão ser indiciados por duplo homicídio qualificado. A pena mínima é de 24 anos de reclusão. Andreas está sob os cuidados do tio, Miguel Abdalla, e da avó, Lourdes Magnani Abdalla. Na segunda-feira 11, ele voltou à escola, onde cursa o primeiro ano do ensino médio, após ter perdido dois dias de aula. Disse aos colegas e professores que lá é mais fácil esquecer um pouco da tragédia que acabou com sua família. Por isso, pediu que não tocassem mais no assunto com ele.
A seu modo, tenta retomar a rotina. A irmã, segundo amigos
da família, foi perdoada por ele.

“Suzane tem de ir para um hospital de tratamento”
“Ela tem alguma coisa de ruim dentro dela, uma perversidade, uma anormalidade de personalidade. A maldade está arraigada na alma dela’’
Antonio José Eça, 52 anos, psiquiatra forense há 30 anos, fez laudos psiquiátricos de matadores como Chico Picadinho e Bandido da Luz Vermelha. É professor de medicina legal e psicopatologia forense das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e diz que Suzane é anormal.

Como uma garota de 19 anos mata os pais?
Suzane é imediatista, simplista, mimada. Matou porque
é de má índole. Uma pessoa normal diria: “Não concordo
com vocês, pais, então tchau, vou viver minha vida”.
A justificativa para esse crime não existe se não for
buscar na psicopatia dela.

O senhor a considera anormal?
A idéia de matar ficou amadurecendo na cabeça dela. Normal seria pegar US$ 5 mil e fugir. Não é normal no dia em que
se está prestando depoimento para o delegado, perguntar como é que poderia vender a casa. Ela tem alguma coisa
de ruim dentro dela, uma perversidade, uma anormalidade
de personalidade.

Qual a punição mais adequada para Suzane?
Se você perguntar ao povo, vão dizer que ela tem de morrer na cadeia e os
promotores vão querer promover a vingança contra ela. Não é a solução. Suzane
não pode ser tratada com igualdade, se ela é desigual. Essa menina não tem de
sofrer pena, mas ir para um hospital de custódia e tratamento, como a Casa de
Custódia de Taubaté. Ela ficará lá até melhorar.

Quanto tempo leva essa melhora?
Para sempre. Personalidade não muda, a maldade está arraigada na alma dela,
não tem cura. Suzane ficará lá para o resto da vida.

Por que há resistência em mandar assassinos desse tipo para
o hospital de tratamento?

Porque acham que pode aparecer um psiquiatra que ache que ela está boa e
soltá-la. E isso é um risco. Porque para acontecer essa medida de segurança,
o assassino é inocentado e as pessoas fazem um escândalo. Então, como não
sabem o que fazer com a opinião do povo, é melhor dar 400 anos de pena e
falar: “Bem feito, estamos vingados”.

Daniel e Cristian fizeram a cabeça dela para matar os pais?
Eles é que foram levados para o crime por ela. E não deram um tiro em cada um, em vez de pauladas, porque tinham de exercitar a vingança. E Suzane quer passar a imagem de vítima da situação social. Tipo: “Olha que pais incompreensíveis, não deixavam eu namorar com um garoto só porque era de nível social inferior ao meu, a ponto de eu ter de fazer isso com eles”. Como se, invertendo os papéis, ela provasse que os pais tinham culpa por ela agir assim. (Rodrigo Cardoso)

 

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