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O primeiro
emprego de Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, 46, filho de nordestinos
do sertão do Rio Grande do Norte, foi de metalúrgico
no ABC. “Embora fosse o presidente do Sindicato, Lula não
era o ídolo que passou a ser depois
da greve de 1980”, diz ele. Nessa época, Vicentinho
participava do grupo de teatro operário Forja. “Fiz
o papel mais horrível da minha vida”, diverte-se Vicentinho.
“Era policial.” À frente do Sindicato, ele terminou
o 1o grau e começou a sonhar com a faculdade. Hoje, cursa
o 4º
ano de direito na Uniban e elegeu-se o 5o deputado federal mais
votado de São Paulo e 13o do Brasil, com 254 mil votos. O
homem que articulou a Central Única dos Trabalhadores (CUT)
sonha usar os conhecimentos para criar um código trabalhista
que substitua a CLT. A meta parece ambiciosa, mas Vicentinho é
obstinado.
Religioso,
conheceu o país de seus sonhos, a Palestina, onde Jesus Cristo
viveu, e mergulhou junto com Frei Betto no lago gelado de Genesaré.
“À noite, a luz do quarto ficava acesa porque Vicentinho
estava fazendo as tarefas do Telecurso 2o grau”, lembra-se
Frei Betto, padrinho de seu filho Pedro. O líder sindicalista
e político nasceu no chão da fábrica, em São
Bernardo do Campo. A intervenção no Sindicato, em
1980, afastou a diretoria e quando voltou às mãos
dos trabalhadores, Vicentinho foi eleito vice-presidente. Nessa
fase, Lula levou toda a diretoria para uma balança e pesou
um a um. “Eu era muito magro”, diz. “Lula era
brincalhão e disse que quem engordasse estava se pelegando.”
O jovem de 59 kg é hoje homem de peso no governo do PT.

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