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Helena,
a filha de 14 anos de Luiz Gushiken, um dos coordenadores da campanha
de Lula, chorou na última semana antes das eleições:
não queria deixar as amigas de Indaiatuba, interior de São
Paulo, para morar em Brasília. A menina e seus dois irmãos
já sabiam, tanto pelas conversas em casa quanto pelos jornais,
que o destino certo do pai é estar no governo Lula. “Ainda
não resolvemos se vamos mudar. Com o Lula eleito, a gente
senta e conversa”,
diz a esposa de Gushiken, Elisabeth.
A
vitória de Lula tem um gostinho extra para o ex-deputado,
advogado e especialista em fundos de pensão. No último
ano ele teve dois problemas graves de saúde: sofreu um enfarte
em 2001 e recentemente retirou um tumor do estômago. “Ele
quase... bem, ele correu um grande risco de vida”, conta Elisabeth.
Quando Lula telefonou à casa da família, em Indaiatuba,
no começo do ano para chamá-lo para a campanha, ele
avisou que ainda estava se recuperando. “Você pode vir
para São Paulo só dois dias
por semana”, propôs Lula. Gushiken aceitou. E decidiu
alugar um flat porque sabia que a história dos dois dias
não passaria de lenda, principalmente para quem se tornou
um dos homens fortes da campanha.
Gushiken
conheceu Lula na época da prisão do líder petista.
Ele era secretário-geral do Sindicato dos Bancários
de São Paulo e estava em São Bernardo arrecadando
dinheiro para
a greve. Acabou sendo preso também, o que o aproximou
de Lula, com quem tem amizade desde então. “Ele gosta
muito do Lula, está animado, e não se sentiu mal nenhuma
vez”, comemora Elisabeth. Cuidados ao ex-deputado não
faltaram. Como tem de se alimentar de três em três horas,
uma das secretárias do comitê do PT leva uma vitamina
de sustagen, um shake nutritivo. Gushiken esteve sob os holofotes
quando pediu a quebra do sigilo bancário de FHC depois de
examinar documentos que seriam do Dossiê Cayman. Nos últimos
dois anos Gushiken esteve afastado da política e agora não
deve sair tão cedo. 
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