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18 Estados brasileiros percorridos ao lado de Lula, o secretário-geral
do PT e um dos coordenadores da campanha ouviu, nos cafés
da manhã, coisas do candidato que só os amigos ouvem.
“Ele compartilha as dificuldades com as pessoas que ele mais
conhece”, conta o mineiro Luiz Dulci, que conhece Lula há
22 anos. Além de confidente, Dulci é o homem a quem
sempre coube a missão de redigir os documentos dentro do
PT. Amante da literatura, é professor de Língua Portuguesa
desde 1974 e foi o primeiro presidente da União de Trabalhadores
do Estado de Minas Gerais, em 1979. Autor de vários livros
e presidente da Fundação Abramo de estudos políticos,
sociais e culturais, é uma das grandes cabeças do
PT. “Quando intelectuais como Henfil, Antônio Cândido,
Marilena Chauí e Sérgio Buarque de Hollanda começaram
a se juntar a nós, na década de 80, eu fiquei fascinado.
Lula também ficou muito orgulhoso”, conta.
Mas
Dulci diz que Lula nunca se deslumbrou. “Ele sempre admirou
muitos os intelectuais, transitava entre vários espaços,
mas não gostava que eles dessem palpite entre os metalúrgicos
lá na fábrica”, relembra. O coordenador acompanhou
a evolução de Lula, que hoje é quem dá
muito mais palpites nas coisas que os outros escrevem. “Não
tem um texto que se escreva para o Lula que ele não faça
algumas mudanças”, comenta Dulci, aos risos, referindo-se
tanto a documentos quanto a textos para ele falar durante
a campanha. Mesmo morando em Minas Gerais, Estado pelo qual foi
deputado federal em 1983 e onde sempre teve
força política, Dulci nunca se distanciou de São
Paulo para estar em contato com Lula: ficava hospedado na casa do
amigo, com Marisa e os filhos. Hoje ainda mora com a
família em Minas. “O Lula gosta de churrasco. Eu prefiro
o torresmo”, comenta o secretário, que deve fazer parte
do núcleo político do governo. 
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