| Cabeludo,
namorador e com pinta de galã, José Dirceu conquistou
a geração de estudantes nos anos 60 com beleza e discurso
radical. Militante da Dissidência, organização
de esquerda, liderou passeatas e acabou preso em 1968, num congresso
estudantil em que era candidato a presidente da UNE (União
Nacional dos Estudantes). Trocado no ano seguinte pelo embaixador
americano Charles Elbrick – seqüestrado por militantes
da luta armada –, refugiou-se em Cuba. Lá, recebeu
treinamento de guerrilha e passou por cirurgias plásticas,
que lhe mudaram a feição, para entrar no País,
onde permaneceu clandestino.
De
volta ao Brasil, fixou-se em Cruzeiro do Oeste (PR). Lá,
sob identidade falsa, casou-se pela primeira vez e teve um filho,
Zeca, que foi candidato a deputado federal, mas não se elegeu.
Com a anistia, José Dirceu revelou sua identidade à
família, deixou filho e esposa no Paraná e partiu
para São Paulo, onde despontou no cenário político.
Deputado federal duas vezes, foi eleito em 1995 presidente nacional
do PT e assumiu-se defensor de uma aliança ampla. Daí,
resultaram a coligação com o PL e o apoio de vários
empresários na campanha vitoriosa. Se Lula chegou ao topo,
José Dirceu foi a peça-chave que desenhou o caminho
a ser percorrido. “O Zé é um negociador nato.
Tem uma capacidade de unir incrível”, diz o secretário
de Comunicação da prefeitura de São Paulo e
amigo, José Américo Dias.
Mineiro
de Passa Quatro, casado de novo e pai de outras duas filhas, o caipira
assumido Dirceu será o coração da articulação
política do governo Lula. Pode se dar ao luxo de escolher
o cargo: de ministro da Justiça a secretário geral
da Presidência. Mas, reeleito deputado federal por São
Paulo com 550 mil votos, o que ele gostaria de ser mesmo é
presidente da Câmara dos Deputados. “Como o PT tem a
maioria da bancada e o Zé teve uma votação
expressiva, seria um caminho. O presidente da Câmara decide
a pauta a ser discutida. É um peso político grande”,
diz o historiador Flamarion Maués, ex-assessor de Dirceu.

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