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das últimas viagens que o economista Guido Mantega fez com
Lula para a Itália o resultado foi uma gripe terrível.
“Eu fico maravilhado com o pique dele. Ele marca reuniões
para as 9h depois de uma noite inteira num avião”,
conta Mantega, professor da FGV, que conhece Lula desde a época
da fundação do PT. Chamado em 1989 para fazer parte
da equipe econômica do partido pelo colega Aloizio Mercadante,
Mantega passou a se encontrar semanalmente com Lula para conversar.
As conversas eram analíticas, temáticas, e Lula sempre
ouvia e opinava muito. “Aprendi muito com a inteligência
dele nas conversas. Economistas às vezes falam uma linguagem
técnica. Foi o Lula que me dava idéias criativas de
como tornar as coisas mais fáceis para as pessoas entenderem”,
diz Mantega.
Uma
das idéias de Lula que Mantega não esquece foi a metáfora
da caixa d’água, que foi utilizada na campanha de 1989
para a Presidência. “Orçamento é um tema
complexo. É difícil explicar de onde todo o dinheiro
entra e para onde vai. Lula deu a idéia de mostrarmos para
os eleitores o orçamento como se fosse uma caixa d’água.
Aí os impostos eram os tubos de entrada de água e
os tubos de saída eram os gastos. Ficou fácil”,
lembra-se Mantega, que até hoje guarda, no computador, o
desenho que os dois fizeram na mesa do escritório. Além
das conversas sobre temas específicos – perdeu as contas
de quantas vezes sentou com o presidente eleito para falar de inflação
e capital externo –, Mantega sempre telefona para Lula se
vê algum destaque nos jornais ou se sabe de alguma manobra
política. “Analisamos juntos”, conta. Casado
e pai de quatro filhos, Mantega é mais um nome certo do governo
Lula, tanto pela aptidão econômica quanto pela circulação
no exterior.
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