Após
15 dias de greve em abril de 1979, os metalúrgicos aprovam o retorno
ao trabalho. Paralisação vitoriosa, Lula pôde, enfim, chorar.
Capa - O líder
sindical
À
frente das greves históricas do ABC
Reportagem
de Juliana Lopes, Fábio Farah e Jonas Furtado Edição de fotos de
Edu Lopes
No
ano seguinte, Lula discursa
na porta da Volkswagen, em
São Bernardo do Campo, quando
era presidente cassado do Sindicato dos Metalúrgicos
No dia
1º de abril de 1980, Lula convocou os trabalhadores a outra paralisação.
Cento e quarenta mil metalúrgicos cruzaram os braços
e o ato foi considerado ilegal. O ministro do Trabalho do governo
Figueiredo, Murillo Macêdo, chamou Lula em sua casa, pediu-lhe
para moderar o discurso e julgou tê-lo convencido. “Dias
depois, pressionado pelos companheiros, ele voltou atrás”,
diz o ex-ministro. No dia 17 de abril, sob pressão militar,
Murillo decretou intervenção no Sindicato. “Não
queria fazer isso”, recorda-se o ex-ministro, que tem na parede
de seu sítio uma foto com Lula jogando bilhar. “Disse
aos militares que se Lula fosse preso tornaria-se um herói
popular. Não me escutaram.” Dois dias após a intervenção,
Lula foi preso com base na Lei de Segurança Nacional. Para
o coronel Erasmo Dias, vereador em São Paulo e que na época
da prisão trabalhava no SNI, o objetivo do governo militar
era esse mesmo: tornar Lula um messias. Certos da decadência
do regime, os militares, assegura Dias, conspiraram na intenção
de ser fiadores da nova força política do País,
para tirar algum proveito dela. “Seu nome era visto com beneplácito
e o Dops acompanhou com bons olhos a fundação do PT”,
garante hoje o coronel.