|
Orosto
que era sapecado com pancake por um maquiador da Rede Globo
transparecia o cansaço dos últimos dias, freneticamente
dedicados à tentativa de virar o enorme favoritismo de Lula.
“Ainda bem que isso tudo está acabando. Não
agüento mais ter de fazer maquiagem”, brincava o senador
José Serra na sexta-feira 25, no camarim da emissora, no
último debate dos presidenciáveis. Dois dias depois,
acabaram não apenas a campanha presidencial, com a derrota
de Serra, mas também oito anos da era em que os tucanos assumiram
o poder, controlaram a hiperinflação, mas diante de
sucessivas crises internacionais, deixaram o Brasil com desemprego
elevado e economia estagnada.
Daqui
para frente, o novo desafio do senador será o de disputar
o comando do PSDB, o que promete ser tão difícil quanto
a campanha presidencial. Mas nada que amedronte um político
obstinado que enfrentou boa parte de seus próprios pares
para se tornar candidato à Presidência da República.
Tantas mágoas ficaram pelo caminho que, no ninho tucano,
a revoada pela primazia do partido começou bem antes do início
do segundo turno. Para o grande público, diziam acreditar
numa virada na reta final da campanha, mas para o público
interno as negociações já corriam soltas.
“A
eleição marca o fim da hegemonia paulista no PSDB”,
anunciava Tasso Jereissati, senador eleito pelo Ceará, na
quarta-feira 23, após um jantar em sua casa oferecido para
o governador eleito de Minas Gerais, Aécio Neves, e o candidato
derrotado pelo PPS, Ciro Gomes, que entre garfadas de risoto de
camarão, berinjela refogada e
empadão de palmito, regados a sucos de cajá e graviola,
foi convidado a voltar ao partido.
Aécio
e o governador reeleito por Goiás, Marconi Perillo, vitoriosos
no primeiro turno, ostentam credenciais incontestáveis para
comandar o PSDB. Bem ao estilo mineiro, o neto de Tancredo Neves
ganhou os cearenses e cooptou o goiano sem deixar parecer aos paulistas
que avança o sinal. “Na reposição de
lideranças após a eleição, com certeza
Aécio é uma forte tendência”, reforça
Tasso.
Não
será fácil assim. Serra sai das urnas maior do que
entrou. Com o aval de um terço do eleitorado brasileiro,
conta com a fidelidade de Geraldo Alckmin, governador de São
Paulo reeleito. “É a terceira vez consecutiva que ganhamos
o governo paulista”, diz José Aníbal. Para os
paulistas, a condução de Serra ao comando do partido
é o caminho natural, o que vai significar uma oposição
mais pesada ao governo do PT. “Não será uma
oposição de tocar apito ou fazer panelaço.
Será uma oposição de idéias”,
afirma o senador eleito pelo Amazonas, Arthur Virgílio.
|