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Na
metrópole que ela governa, o novo presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, teve praticamente o dobro de votos
do que o concorrente derrotado José Serra. O índice
de aprovação de sua administração nunca
esteve tão alto – 36% segundo o Datafolha. Marta Suplicy,
57 anos, e sua gestão em São Paulo fizeram a balança
pesar para o lado do PT. Para tanto, ela subiu em palanque, participou
de carreata, gravou programa, enfim, suou a camisa. “Muitas
vezes, trouxe uma roupa para cá (prefeitura), me troquei
e fui para outra atividade.” Com menos tempo para cuidar de
si própria, diz que mudou os hábitos alimentares e
de sono. “Isso não foi bom para minha saúde.”
Com o fim das eleições, Marta, que tem três
filhos e se prepara para ser avó pela segunda vez, aguarda
a conclusão do processo de divórcio do ex-marido e
senador Eduardo Suplicy para oficializar no papel, e com direito
a cerimônia, sua relação com o assessor de relações
internacionais do PT Luís Favre.
Como
vê a vitória de Lula após três derrotas?
A admiração que o povo acabou tendo pelo Lula para
elegê-lo presidente da República vem da persistência
e capacidade de acreditar em si próprio. De minha parte,
ressalto a capacidade do Lula de se manter candidato dentro do PT.
E de uma forma democrática, disputando a candidatura internamente.
Os mais politizados, que mais criticam, esquecem essa qualidade
do Lula, a de ter criado esse partido. Esquecem que pessoas com
todo recurso, como Olavo Setúbal (do Banco Itaú),
tentaram criar um partido e não conseguiram. Pessoas que
se acham acima do bem e do mal e que têm todo dinheiro disponível,
como Antônio Ermírio de Moraes, tentaram se eleger
e
levaram um “não” das urnas. Lula persistiu, manteve
o partido unido, acreditou que poderia ser presidente e exigiu as
condições para sair candidato: uma aliança
e o vice que queria. Isso não é pouca coisa.
O
que ressaltaria nessa campanha que não
viu nas anteriores?
Conjuntura política favorável, com
um governo Fernando Henrique fracassado depois de 8 anos, mais infra-estrutura
do PT, harmonia e participação maior da Marisa (mulher
de Lula), o que foi muito positivo. Ela participou dessa campanha
e das outras, não. Acho que por causa dos filhos que já
estão mais velhos. Ela não tem mais crianças
em casa e isso facilitou para que se envolvesse. Isso é muito
positivo não só para Lula pessoalmente, mas como visibilidade
também. O PT hoje governa 50 milhões de brasileiros,
não precisava nem de Lei de Responsabilidade fiscal para
o PT ser responsável, porque faz um governo transparente
em todos os lugares. Hoje, fica mais difícil dizer mentiras
sobre o PT. As pessoas não acreditam mais nelas, porque estão
vivendo sob governos do PT.
Acredita
que administrar a expectativa do povo será o grande desafio
do governo Lula,no início do mandato?
São muitos os desafios:
a crise que o Brasil vive frente à situação
mundial e a expectativa também. Lula tem consciência
de que terá de adotar algumas medidas para que o povo perceba
que existe alguém que pensa nele lá em cima. O povo
não tem condição de esperar muitos meses para
perceber algo que chegue a ele.
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