Veja também outros sites:
Home •• Revista ••• Reportagens  
Reportagens

21/10/2002

   
 
Claudio Gatti
“Se eu fosse presidente, resolveria tudo rapidamente’’
Enéas Carneiro
 
 
Fotos: Arquivo Pessoal
Fotos: Arquivo Pessoal
Fotos: Arquivo Pessoal
Aos seis meses (acima), servindo o Exército (à esq., ao centro) e carteira da faculdade de Física: “Ele é doce, não tem nada da braveza da tevê”, diz Adriana Lorandi, ex-mulher

 

Câmara/Enéas Carneiro
Ganhou um partido
e perdeu a mulher
Dono de 1,5 milhão de votos, ele separou-se quando criou o Prona, conta seus truques de sedução e mostra senso de humor

Juliana Lopes

 

Um jovem de menos de 20 anos, em Copacabana, no Rio, na década de 60, debruçava-se sobre um livro de ciências exatas. Uma garota o abordou, interessou-se pela leitura e tornou-se sua namorada. Quarenta anos depois, ele revela o truque de sedução: “Disse que, quando se olha para uma mulher bonita, a curva é uma hipérbole equilátera!”. Essa é apenas uma das histórias românticas do político de aparência mais zangada do País. O nome dele pelo menos 1,5 milhão de eleitores que o levaram ao posto de deputado federal mais votado da história do Brasil sabem que é Enéas Carneiro – com essa votação, carregou mais cinco deputados, um com apenas 274 votos. E, poucos imaginam, Enéas é um sedutor nato. “Pensam que as mulheres só gostam de se divertir... elas gostam do conhecimento!”, afirma.

Nascido no Acre, filho de barbeiro e dona-de-casa, não raramente é chamado de “doce”. “Ele é doce mesmo”, diz sua ex-mulher, sub-procuradora do Ministério Público Militar, Adriana Lorandi. “Não tem nada da braveza da tevê.” Adriana o ajudou a criar o Prona na década de 80. Ironia do destino, Enéas ganhou um partido e perdeu a mulher. “Ela não agüentou. Torrei todo meu patrimônio, uns imóveis e jóias porque queria construir o Prona”, diz Enéas, sem arrependimentos de ter gasto mais de US$ 50 mil ao longo de dez anos. Adriana reclama do dia-a-dia: “Minha casa virou um escritório. Queria uma vida normal para a nossa filha, que nasceu pouco depois”. Do fim do casamento restou a amizade e uma dedicatória apaixonada a ela no livro O Eletrocardiograma, uma verdadeira bíblia do tema.

Até a primeira corrida presidencial em 1989, Enéas galgou um longo percurso. Depois de ser primeiro lugar no primário e no ginásio, estudou em papel de pão numa pousada fuleira onde morava no Rio de Janeiro, enquanto servia o Exército. “Era tudo contadinho, meio ovo e meio tomate na geladeira”, comenta, aos risos. Só havia 5 vagas para 755 candidatos na Faculdade Fluminense de Medicina. Passou em primeiro lugar – depois formou-se também em física – e começou a achar que “alguma coisa estranha acontecia com ele”. Descobriu que era inteligente, ou, como diz, que tinha uma “extraordinária arrumação cromossomial”, uma aptidão genética para algum setor. “Se eu fosse presidente, resolveria tudo rapidamente. Já que serei deputado federal, vou tentar acordar meus colegas do Congresso”, diz ele, nacionalista convicto, para quem o Brasil deveria ser uma potência militar e deveria romper a dependência econômica dos países ricos. Os candidatos atuais ele chama de “cérebros de oligoqueto (minhoca)”.

Enéas, 63 anos, não gosta de marqueteiros. “Me irrita o pensamento desses senhores publicitários que fazem o sujeito parecer o que não é! Fazem o Luiz Inácio parecer um homem dos salões! Aí pegam o senhor José Serra, o colocam com chapéu, junto do pobre, que é isso? É um peixe fora d’água. E a dona Marta, aquela senhora de olhos azuis andando de salto alto na favela, é hipocrisia explícita e despudorada”, diz, um tanto teatral. E é o jeito teatral que prende a atenção de 250 alunos que enchem a sala a cada aula de Eletrocardiograma, curso que ministra em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Boa parte da classe, inclusive, votou no mestre nas últimas eleições. Pontual, ele entra às 19h28 e começa a falar às 19h30. “Sou neurótico e obsessivo com o tempo”, confessa. “Imaginei que fosse sério demais, mas ele é amável e as idéias dele não são nada abstratas”, diz a aluna Ana Carolina Rezende, 22. Mas é só um aluno falar em política na aula que ele o repreende. “Parabéns, professor!”, arriscaram dois deles, no primeiro encontro após as eleições. “Aqui não, senhores!”, bronqueou, com a voz da tevê. E, no segundo seguinte, olhou para os lados, distribuindo risadinhas.

Comente esta matéria
 
 

Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO 168
FÓRUM 01
 
FÓRUM 02
 
ENQUETE
Luciana Gimenez disse que Mick Jagger pediu para que ela não posasse para a Playboy. Você acha que ela
deve consentir?
:: VOTAR ::
 
 BUSCA

RESUMO DAS NOVELAS
Saiba o que vai acontecer durante a semana na sua novela preferida
JOGOS
Monte sua alma-gêmea e ganhe um papel de parede para seu computador
• Fale conosco
• Expediente
• Assinaturas
• Publicidade
| ISTOÉ | ISTOÉ DINHEIRO | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL
© Copyright 1999/2002 Editora Três