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14/10/2002

   

Carreira/Neusa Borges
Recomeçar aos 60 anos
Após passar fome e ter dívidas saldadas pelos amigos, a atriz aproveita fase positiva iniciada com O Clone, lança disco, faz filme e apresenta programa de tevê

Marlos Mendes

Leandro Pimentel
No Dia das Mães do ano passado se viu obrigada a negar R$ 2 às filhas: “Sabia que elas queriam comprar uma rosa para mim,
mas eu não tinha”, diz ela que procura o nono marido

Em março de 2000, o cantor e compositor carioca Mombaça preparou uma surpresa para a amiga Neusa Borges no apartamento dela, na zona sul do Rio de Janeiro. Ele escondeu o violão atrás da cortina da sala e, depois de muito insistir, conseguiu convencê-la a cantarolar, o que ela se recusava a fazer desde que abandonara os palcos, em 1979. A atriz, que começou a carreira como crooner, acreditava ter perdido para sempre a voz pela qual foi comparada à americana Diana Ross no fim dos anos 60, quando participou da primeira montagem brasileira do musical Hair. “Eu dizia que ela não havia perdido a musicalidade e precisava ter coragem de cantar”, lembra Mombaça. Ao atender o amigo, a veterana atriz começou a reencontrar a cantora que deixara para trás e, aos 60 anos, acaba de gravar seu primeiro CD, Luzes, produção independente com lançamento previsto para outubro.

Neusa Borges parou de cantar no auge do sucesso por conta de sua interpretação de “Folhetim”, de Chico Buarque, incluída na peça Ópera do Malandro e na novela Dancin’Days, de Gilberto Braga. Ela diz que foi boicotada. “Depois que a música estourou na novela, tiraram a minha versão das lojas e das rádios e lançaram uma da Gal Costa. Fiquei tão louca que tentei me matar cortando os pulsos”, lembra a atriz, que na época morava sozinha em São Paulo e foi salva pela mãe. “Tinha marcado um encontro com minha mãe e minha tia. Quando elas chegaram, me viram com os pulsos cortados e me levaram para o hospital.” Agora, é o momento da volta por cima. Tanto que, para exorcizar os fantasmas do passado, fez questão de regravar “Folhetim”. “É a música da minha vida.”

O disco é dedicado aos cantores Elymar Santos e Alexandre Pires, que a ajudaram a superar a fase mais difícil de sua vida. Depois de interpretar a Florência na novela A Indomada, em 1997, a atriz ficou quatro anos sem trabalho. Por ter de sustentar as filhas Ondinalina, 18 anos, Priscila, 20, e pagar o tratamento da mãe Aristotelina, que ficou dois anos internada com câncer na garganta até falecer aos 72 anos, Neusa se afundou em dívidas e chegou a passar fome. Ela lembra a tristeza que sentiu no Dia das Mães do ano passado, quando se viu obrigada a negar R$ 2 às filhas: “Sabia que elas queriam comprar uma rosa para mim, mas eu não tinha”. Elymar Santos arrecadou R$ 19 mil para a atriz num show beneficente e Alexandre Pires quitou várias dívidas, entre elas dez meses de aluguéis atrasados. “Eles me tiraram do fundo do poço em que fui enterrada viva”, conta.

“Tiraram a minha versão (de “Folhetim”) das lojas e das rádios e lançaram uma da Gal Costa. Fiquei tão louca que tentei me matar cortando os pulsos’’
Neusa Borges, que
se acostumou a ver
seu nome grafado
errado – é com esse

Desde então, os ventos passaram a soprar a seu favor. Chamada pela autora Gloria Perez, destacou-se no papel de Dalva em O Clone. Também foi convidada para participar do filme O Herói, do diretor angolano Zezé Gamboa. A atriz, que recentemente também atuou em O Filho Predileto, de Walter Lima Jr., e Uma Vida em Segredo, de Suzana Amaral, embarca para Luanda no próximo dia 14 e passará uma semana gravando. Quando voltar, planeja montar o show para divulgar seu CD. Além disso, estreou como apresentadora de tevê no programa De Frente para a Vida, produção do canal Futura dedicada à terceira idade.

O pé-de-meia conseguido com tantos projetos simultâneos tem sido fundamental para que Neusa enfrente um novo desafio: sustentar 14 sobrinhos que moram em São Paulo. São os 13 filhos e um neto da irmã Neusali, morta este ano de câncer no fígado depois de passar três meses internada. “Sinto que minha missão no mundo começou agora. Não posso deixar faltar nada a essas crianças”, diz a atriz, que manda dinheiro regularmente para a sobrinha mais velha, de 23 anos, encarregada de cuidar dos irmãos em São Paulo. Para completar a felicidade, Neusa, que já teve oito maridos, só espera se casar novamente. “Tenho vários amigos, mas quero uma coisa fixa, uma pessoa para envelhecer comigo.”

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