Veja também outros sites:
Home •• Revista ••• Reportagens  
Reportagens

14/10/2002

   

Solidariedade/Klaus Pavel
Exemplo que vem da Alemanha
Cônsul honorário do Brasil na Alemanha, industrial alemão que morou
em São Paulo na adolescência patrocina projetos sociais e ambientais em quatro estados brasileiros

Gisele Vitória

Fotos: Valter Pontes/ Coperphoto
Klaus, no Pelourinho, com crianças beneficiadas pelo Projeto Salva Dor, que graças a suas contribuições foi viabilizado. O empresário
vem três vezes por ano ao Brasil
Klaus Pavel tinha 14 anos quando descobriu o Brasil. Seu pai, Herbert Pavel, empresário alemão que perdeu o patrimônio com a Segunda Guerra Mundial, veio trabalhar em 1950 no império dos Matarazzo. Na chegada a São Paulo, Klaus guardava viva na memória a cena de abandonar às pressas a fazenda onde morava para fugir de tropas soviéticas, que anexariam a região à então Alemanha Oriental, integrada ao bloco comunista no pós-guerra. “Saímos de casa correndo, deixando tudo para trás”, conta ele. Cinco anos bastaram para o jovem Klaus se apaixonar pelo Brasil. Morava numa casa no Jardim América e estudava numa escola para filhos de estrangeiros. Tempos depois, seu pai – então braço direito do Conde Francisco Matarazzo –, separou-se da mãe e voltou para a Alemanha, onde em 1961 tornou-se cônsul honorário do Brasil e refez a vida como empresário. A mãe, Waltraud, permaneceu em São Paulo. E aos 19 anos, Klaus também retornou ao seu país para estudar engenharia.

Hoje, aos 66 anos, industrial que fatura US$ 100 milhões por ano – dono de fábricas de peças para automação industrial na Alemanha, na Índia, na Suíça, na Inglaterra e no Canadá –, Klaus Pavel sente-se recompensado em agregar ao sentimento pelo país que o acolheu em tempos difíceis um laço ainda mais forte: o da solidariedade. Incentivado pela mulher, Gudrun Pavel, com quem é casado há 30 anos, o empresário tornou-se um patrocinador de projetos sociais e ambientais no País. Pai de três filhos, Klaus nunca voltou a morar no Brasil, mas o vínculo jamais foi perdido. Sua mãe casou-se novamente e só deixou São Paulo rumo à Alemanha no ano passado, aos 82 anos. Em 1988, tal como o pai – que morreu em 1986 – Klaus foi nomeado cônsul honorário do Brasil em Aachen, na Alemanha, na fronteira com a Bélgica.

Industrial que fatura US$ 100 milhões, Klaus
(no detalhe, de terno escuro) é presidente
da hípica de Aachen, que realiza um dos
principais eventos hípicos do mundo

O leque de projetos que o empresário e sua mulher apóiam no País é vasto. São entusiastas das ações da Favela Monte Azul, em São Paulo, e colaboram com a Fundação Ulna – Uma Luz no Amanhã, em Porto Alegre (para crianças e idosos). Há oito anos, eles criaram a Fundação Pavel, em Barão do Grajaú, no interior do Maranhão, que promove educação complementar para mais de 100 crianças da região, cursos de apicultura e distribui cesta básica e remédios. “Iva Engels, minha secretária, é de lá e sua família se propôs a tocar a fundação”, explica ele, que destina um total de R$ 100 mil reais anualmente aos projetos. A pequena e pobre Barão do Grajaú nunca mais foi a mesma depois da Fundação Pavel. Em 1999, 2000 e 2001, uma equipe de 12 cirurgiões plásticos e enfermeiros da Interplast-Germany (organização não governamental de cirurgiões plásticos) foi levada por Klaus à região e conseguiu realizar um total de 600 cirurgias plásticas, a maioria em crianças com graves problemas de lábio leporino. “Eram filas enormes, mães chorando para que seus filhos fossem operados. O posto de saúde era precário, não foi possível atender todo mundo, mas foi emocionante poder melhorar a vida de tanta gente”, conta o empresário, que obteve autorização do governo maranhense para viabilizar a iniciativa.

“Se o homem
rico não faz alguma coisa contra a miséria, ele vai sofrer com isso’’
Klaus Pavel

Na Bahia, onde Klaus ergueu há 15 anos uma aprazível casa de veraneio fincada em 20 mil metros quadrados na Praia do Forte – a uma hora de Salvador –, ele viabilizou financeiramente o Projeto Salva Dor, criado em 1997 pela professora de alemão Laís Manhaes Naka, que ensinou 22 anos na Rudolf Steiner, escola de método Waldorf em São Paulo. O projeto dá educação complementar a cerca de 50 crianças carentes e serve alimentação a cerca de 200. “Só lamento que não o tenha conhecido antes. É um homem bom, preocupado com a questão social do País”, diz Laís, que conheceu Klaus e Gudrun através da presidente da Associação Comunitária Monte Azul, Ute Craemer. Por intermédio de Klaus, o projeto ganhou nova sede projetada gratuitamente pelo arquiteto Carl von Hauenschild, amigo do empresário e que fez sua casa na Praia do Forte. Mais que doador de recursos, Klaus é um captador de apoio financeiro para os projetos.

“A gente se sente bem fazendo alguma coisa para ajudar. Talvez o estrangeiro veja a miséria por aqui com outros olhos”, diz ele, em perfeito português. Mais do que isso, Klaus gosta de apoiar bons projetos. Na Praia do Forte, onde vai três vezes por ano, colabora com o Projeto Tamar – programa do Ibama de proteção às tartarugas marinhas. “Conheci essa região viajando de carro com um amigo em 1953”, conta. O amigo era Klaus Peters, alemão que nos 70 comprou o loteamento da Praia do Forte e é o dono do Praia do Forte Eco Resort.

O empresário, que herdou do pai uma fábrica de agulhas para máquinas de costura industrial e expandiu os negócios ao longo de mais de 30 anos de atividade, também é presidente da Associação Hípica de Aachen-Laurensberger – CHIO, que organiza um dos maiores eventos hípicos do mundo. Com 300 mil espectadores, 400 cavalos e 150 cavaleiros, o evento tem um orçamento anual de US$ 9 milhões. Reúne empresários, políticos e famílias reais. Nessas ocasiões, Klaus consegue captar recursos em festas beneficentes. Também leva brinquedos de madeira, bolsas, e artesanatos produzidos no Brasil, além de pedras brasileiras, para vender em bazares. “Se o homem rico não faz alguma coisa contra a miséria, vai sofrer com isso. Muitos que têm dinheiro podem apoiar esses projetos. É uma mentalidade que deve ser incorporada”, ensina Klaus.

Fundação Pavel no Maranhão: (89)523.1920
Projeto Salva Dor na Bahia: (71)245-5009

Comente esta matéria
 
 

Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO 167
FÓRUM
 
ENQUETE
O novo namorado de Vera Fischer tem 36 anos, estuda Educação Física e espera um convite para trabalhar como técnico de futebol. Você acha que o romance vai
se firmar?
:: VOTAR ::
 
 BUSCA

RESUMO DAS NOVELAS
Saiba o que vai acontecer durante a semana na sua novela preferida
JOGOS
Monte sua alma-gêmea e ganhe um papel de parede para seu computador
• Fale conosco
• Expediente
• Assinaturas
• Publicidade
| ISTOÉ | ISTOÉ DINHEIRO | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL
© Copyright 1999/2002 Editora Três