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| Em
sua formatura, ano passado, ao lado da mãe, Clara, e
de José Dirceu, que segura Camila, filha de Zeca |
Ele nasceu
José Carlos Becker Gouveia de Melo, em 1978, em Cruzeiro do
Oeste (PR), filho de Clara Becker, proprietária de uma confecção
na cidade, e Carlos Henrique Gouveia de Melo. Judeu de Guaratinguetá
(SP), Carlos havia aportado três anos antes na pequena cidade
paranaense e tornou-se dono de uma fábrica de calças.
No ano seguinte, quando houve anistia aos presos políticos
no Brasil, o verdadeiro pai de José Carlos revelou-se. Carlos
Henrique era, na verdade, o ex-líder estudantil José
Dirceu de Oliveira e Silva, que estava clandestinamente no País.
José
Dirceu, atual presidente do PT, fixou residência em Cruzeiro
somente depois de ir para uma mesa de cirurgia em Cuba, onde estava
exilado, e construir a nova identidade. Com uma plástica,
moldou as maçãs do rosto, fez um novo nariz e passou
a usar bigode e óculos. "Minha mãe não
conhecia a família do meu pai e não sabia de onde
ele vinha. Mas ele nunca inventou histórias. Apenas dizia
que não podia contar algumas coisas. Cresci com isso como
se fosse uma coisa natural, como aprender a falar e comer. Hoje,
faria tudo que meu pai fez", diz José Carlos, o Zeca,
candidato a deputado federal pelo PT.
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na praia de Camboriú (SC) aos 14 ... |
Há
duas semanas, José Dirceu visitou Cruzeiro, onde fez carreata
e comício em apoio à candidatura do filho de 24 anos,
que precisa de 40 mil votos para se eleger. "Apesar de nunca
morar comigo, meu pai sempre esteve presente. Não faltava
em aniversário, Páscoa, Natal, Ano Novo", diz
Zeca. "Nunca levantou a mão para mim e não admitia
que me batessem. Já minha mãe é meio general.
Tomei muita chinelada e cintada dela." Formado em Ciências
da Computação, Zeca é dono de uma empresa de
informática e de uma papelaria. Mas começou cedo,
com uma caixa de engraxate. E também vendeu sorvete e maçã-do-amor.
"Sou meio precoce", diz ele.
É
verdade. Aos 16, tornou-se pai de Camila, hoje com 8, mas nunca
morou com a mãe de sua filha. "Foi um acidente."
Nessa época, Zeca era líder de turma no colégio:
"Articulava, junto com outros alunos, as coisas boas e as molecagens
também e exercia influência sobre os professores".
Clara, sua mãe, conta que o filho já fazia política
antes disso. "Quando criança, ele subia na mesa de corte
da confecção, segurava um cone de linha e fazia discurso
para minhas funcionárias", diz ela, que nunca mais se
casou depois de se separar de José Dirceu. "Queria ter
mais cinco filhos. Mas filho é com um pai só. E o
pai de Zeca nunca lhe fez falta porque eu fui uma mãe nota
mil."
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e, em junho passado, discursando no lançamento de sua
pré-candidatura a deputado federal em Cruzeiro do Oeste |
Zeca
tem duas irmãs, frutos de dois outros relacionamentos de
José Dirceu. De pavio curto, como define sua mãe Clara,
foi exonerado do cargo de Secretário da Indústria
e Comércio de Cruzeiro, em 2000, depois de denunciar irregularidades
na prefeitura. "Vieram para cima de mim e houve ameaça.
O vice-prefeito já tinha dado um tiro num cara. Aí,
saí da cidade, dei um tempo e depois voltei", conta
Zeca, que no mesmo ano tentou e não conseguiu uma vaga como
vereador.
O
filho de José Dirceu nunca leu nada sobre Lênin ou
Marx e só usa terno e gravata quando a ocasião pede.
Do pai, diz ter herdado o "jeitão e o corpão".
"Meu pai agora tá com barriga. Mas é genético
ter barriguinha e bunda murcha." Zeca ainda mora com a mãe,
gosta de badalar em bares de Cruzeiro ou em boates em Umuarama,
a cidade universitária mais próxima. "Mas eu
me divertia mesmo era com a história dos dois sobrenomes.
Ninguém tinha duas identidades como eu e gostava de brincar
com o pessoal", diz Zeca, que trocou o Gouveia de Melo do fictício
Carlos Henrique pelo Oliveira e Silva de seu pai verdadeiro.
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