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Reportagens

07/10/2002

   
 
Fotos: Leandro Pimentel
“Deus me concedeu a graça de hoje assistir à tevê sem ficar me remoendo. Talvez minha personalidade tenha ficado para trás e tenha outra agora”, diz Dorinha
Trechos do livro
CRIME
“A discussão ficou mais violenta e descambou para a agressão física: Paulo começou a dar tapas e pontapés. (...) Um tapa me atingiu em cheio. Fugi dele, abri a gaveta e peguei o revólver. Então, apontei a arma e disse que ia atirar. Ele não pareceu acreditar, continuou me ameaçando do mesmo jeito. Senti-me acuada. Como ele mesmo havia me ensinado, mas sem a menor consciência, disparei as balas do revólver até que enguiçou. Acho que, ali, matei a mim mesma, morri junto com ele...”

Tentativa de suicídio
“Minhas perdas sempre foram muito sérias, a começar pela virgindade. Talvez por causa disso, eu tenha tentado o suicídio quando o Daniel Filho me abandonou. Fiquei desesperada, estávamos casados há 11 anos. Tomei não sei quantos comprimidos e apaguei. Minha filha, então com sete anos, ligou para o Fábio Sabag.
– Tio, tio, a mamãe está morrendo...
O Sabag veio correndo e me levou para um hospital em Botafogo. Fiz lavagem estomacal (...) O lado da luz venceu e voltei a mim.”

 

Livros / Dorinha Durval
Versão tardia
A atriz lança biografia 22 anos após ter assassinado o marido, narra passagens
trágicas de sua vida, e hoje dedica-se ao esoterismo e às artes plásticas

Luís Edmundo Araújo

 
Fotos: Leandro Pimentel
No apartamento da atriz Dorinha Duval, 73 anos, no Rio, a decoração é quase toda feita por quadros e esculturas com temas esotéricos. Mais do que uma questão de gosto, as peças – a maioria feita por ela – são a prova de como Dorinha conseguiu superar uma tragédia pessoal que marca sua vida desde 1980. Foi nas artes plásticas e no estudo do esoterismo que a atriz arranjou forças para dar a volta por cima depois de ter matado com três tiros o marido, o cineasta Paulo Sérgio Alcântara, na época com 35 anos, durante uma discussão. Passados 22 anos do crime, a artista decidiu contar tudo no livro Em Busca da Luz, sua biografia escrita por Luiz Carlos Maciel e Maria Luiza Ocampo, que será lançado na segunda-feira 14 pela editora Record. “O cofre em que me fechei nesses 22 anos agora foi aberto. Estou com a alma lavada”, resume a atriz.

Mas falar sobre os acontecimentos da madrugada do crime, em 5 de outubro de 1980, ainda é difícil para ela, que aposta no livro para se livrar de perguntas indigestas. “Acham que minha vida é só o que se passou com o Paulo. Resolvi escrever para mostrar toda a minha vida, difícil desde a infância. Espero que compreendam que as pessoas mudam, e que parem de ficar me perguntando toda hora sobre o Paulo”, diz a atriz, registrada com o nome de Dorah Teixeira, em São Paulo. “Ela quis mostrar que sua trajetória é muito mais ampla do que o episódio da morte do marido”, diz Maria Luiza.

Os momentos difíceis da vida de Dorinha começaram aos 15 anos, quando ela foi violentada. A atriz chegou a prostituir-se para enfrentar dificuldades financeiras e sofreu um aborto. No fim da década de 60, tentou o suicídio ao ser abandonada pelo diretor Daniel Filho, com quem foi casada durante 11 anos. Alguns desses momentos foram usados pelo advogado Clóvis Sahione no julgamento de 1983, quando a atriz foi condenada a um ano e meio de prisão com sursis (suspensão condicional da pena). Oito anos depois, ela recebeu uma pena de 6 anos em regime semi-aberto.

Hoje, o esoterismo não é só tema das obras de Dorinha. Há 16 anos, a atriz é sacerdote da Ordem Mística da Inspiração Universal Mestrado, entidade que congrega cerca de 200 membros no Rio e se dedica a estudos do esoterismo e a trabalhos de cura. “Depois de estudar lá desde 1977, cheguei ao sacerdócio e hoje posso fazer batismo, casamento, tudo dentro da Ordem”, explica. Dorinha, que vive da aposentadoria da Rede Globo, começou a se dedicar às artes plásticas em 1987. “Crio quando vem a inspiração”, diz. Suas obras já figuraram em exposições na França, Itália e Egito, entre outros países.

Mãe da atriz Carla Daniel, Dorinha acaba de ser avó. “Estou babando. Aos 73 anos, prestes a embarcar para o outro lado, sou avó”, diz ela, que se recusa a dizer o nome da neta, de cinco meses. Mesmo longe da tevê há mais de 20 anos, a atriz que fez a Cuca da primeira versão do Sítio do Pica Pau Amarelo ainda é parada nas ruas por um fã ou outro. Voltar a atuar, porém, está fora de seus planos. “Deus me concedeu a graça de hoje assistir à tevê como qualquer pessoa, sem ficar me remoendo por não estar mais trabalhando. Talvez minha personalidade tenha ficado para trás e tenha outra agora. Sou outra pessoa”, diz ela.

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