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André
(à esq.) e o jornalista Bruno Zeni: depoimento
chocante sobre o massacre |
Esta
semana, completam-se 10 anos do massacre na Casa de Detenção
de São Paulo, quando 111 presos foram mortos em uma
ação da Polícia Militar para reprimir
uma rebelião.
André du Rap, acusado de homicídio, na época
cumpria pena no pavilhão 9 do presídio e foi
um dos sobreviventes da tragédia. Agora, o ex-detento
publica o que vem a ser o primeiro relato da invasão
do Carandiru feito em livro por alguém que a presenciou
e sentiu a violência da polícia na pele.
Sobrevivente André du Rap (do Massacre do Carandiru)
(Labortexto, 232 págs., R$ 24) começa com
a narrativa chocante de André sobre tudo que viu
e sofreu no fatídico 2 de outubro de 1992. O depoimento
em primeira pessoa, dado ao escritor e jornalista Bruno
Zeni, é impressionante. Ele conta como os oficiais
teriam humilhado, xingado e batido nos presos e depois atirado
em todas as direções, com o claro intuito
de matar. André só sobreviveu porque se escondeu
embaixo da pilha de corpos dos companheiros assassinados.
A leitura já vale por essas 30 primeiras páginas,
mas o restante do livro – o crime que o colocou na
cadeia, as cartas trocadas na prisão e depoimentos
de amigos – ajuda a compor um retrato de André,
muito parecido com o de tantos outros presos, a maioria
jovem e primário, que foram trucidados sem defesa
dentro do Carandiru. Diário de um detento
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